Minha vida na outra vida

O filme “Minha Vida na Outra Vida” conta a história de Jenny, uma mulher do interior dos Estados Unidos, que tem a principio sonhos, lembranças e visões, de uma outra vida no passado, sua última encarnação, como Mary, uma mulher irlandesa de vida dura e sofrida, que faleceu na década de 1930. O mais interessante é saber que a história é real contada pela escritora do livro de mesmo nome e comprovada com fotos de 1930 como Mary e da década de 90 como Jenny.
Para quem gosta do assunto e sente-se atraído por questionar as incertezas da vida, acreditando ou não, vale a pena conhecer essa história. Eu particularmente fiquei emocionado e um tanto assustado ao assistir o filme.

PURMAMARCA- CERRO DE SETE CORES


Foi no retorno do Peru para o Brasil, que tive a oportunidade de conhecer o Cerro de Sete cores na região norte da Argentina, pela rodoviária Nacional nº 9, eixo da Quebrada de Humahuaca (declarada Patrimônio Cultural e Natural pela UNESCO), a 64 quilômetros de São Salvador de Jujuy, onde paramos para jantar.





A serra nas proximidades das montanhas coloridas, é sinuosa dando a sensação de que o ônibus de dois andares em que excursionávamos, não venceria as curvas fechadas, ora com altos paredões de pedra, com gigantescos cactus com mais de 2 metros de altura, ora sobre penhascos de grande profundida do nosso lado.





Eu estava sentado ao lado do motorista do ônibus  e enquanto viajávamos por toda aquela região, ele não escondia sua apreensão com relação as curvas fechadas e observando temerosamente os penhascos que deixávamos pra trás.  Alguns veículos e caminhões, nos ultrapassava em alta velocidade e chegamos a comentar que um acidente naquele lugar seria o fim.
É nesta região que também encontra-se a Reserva Nacional Los Flamencos, no caminho desde San Pedro até o Passo Jama e também as Salinas Grandes, em Jujuy, Argentina.





Quando começamos a nos aproximarmos das montanhas coloridas, quase não acreditei no que estava vendo. Era tudo tão inacreditável, que me causou a impressão de que eram pintadas à mão; um gigantesco quadro, diante dos meus olhos e que possuíam muito mais do que sete cores.



Em Purmamarca, cidade localizada na base das montanhas coloridas, as casas de adobe, em cores terracota, pareciam propositalmente feitas à combinar com o ambiente montanhoso. O pequeno povoado de Purmamarca que significa (Povo do Deserto- na língua Aimará), sobrevive em grande parte do turismo e a venda de artesanato, mantendo uma vida simples e alguns hábitos e costumes de seus ancestrais indígenas.




A igrejinha da vila, foi construída em 1648. São quase 400 anos de história! Em 1941 foi tombada como Patrimônio Histórico Nacional.

PASSO DO JAMA.

As paisagens que se vê no noroeste da Argentina, na fronteira com o Chile, é literalmente de perder o fôlego tanto pela beleza, quanto pela altitude e desconfiar que tudo aquilo que estamos vendo, não é real. São altiplanos magníficos  com vegetações exóticas,  montanhas, pedras em forma de esculturas, penhascos e inacreditáveis lagos congelados.

Quando se chega neste ponto do planeta, a uma altura de mais ou menos 4.000 metros de altitude, todas as sensações de desconforto podem nos acometer, como dores de cabeça, enjoo,  frio, falta de ar e diminuição da resistência física, mas que por outro lado é recompensado pela beleza inacreditável do lugar.

Dentro do ônibus com calefação, não tínhamos noção da temperatura que fazia do lado de fora e só percebemos isto, quando tivemos que desembarcar e enfrentar a fila na Aduana para carimbarmos os passaportes. A altitude nesta região varia entre 2.500 à 4.800 metros nas partes planas, havendo montanhas que chegam até 6.900 metros..

A região possui muitos vulcões, salares, lagos salgados, minas abandonadas e planícies coloridas de areia e raríssima vegetação. As grandes altitudes e a baixa umidade relativa do ar, nos exigiam algum tempo de aclimatação. Estávamos no mês de Julho, onde as temperaturas variam entre 02 e 16 graus
durante o dia e muito vento, causando-nos uma sensação térmica muito mais baixa que o termômetro registrava. 

A aduana naquele deserto cercado por montanhas, lembrava a entrada de uma penitenciaria de segurança máxima no meio do nada e seus funcionários pareciam fazerem jus a esta impressão. Eram ríspidos com os viajantes que ali paravam e não se importavam com os que estavam do lado de fora recebendo todo aquele vento frio e areia no rosto.
Nossa próxima parada seria em San Salvador de Jujuy à noite, onde combinamos jantar e telefonar para a família e amigos do qual estávamos saudosos no Brasil.

Reserva Nacional de Paracas


Há 260 quilômetros ao sul de Lima - capital peruana, mais ou menos 3 horas de carro pela Pan-americana, pode-se apreciar um dos lugares mais fascinantes criado pela natureza e que foi transformado em Reserva Nacional em 1975, com a finalidade de proteger a diversidade de flora e fauna. É a única reserva marinha no Peru, onde vivem leões marinhos, pinguins, golfinhos, flamingos e outras centenas de aves. A reserva é uma gigantesca zona protegida, localizada na parte sul da província de Pisco, onde de um lado encontra-se um imenso planalto de areia (deserto) e do outro as águas geladas do Oceano Pacifico. Seu nome Paracas significa em quéchua (Chuva de Areia).
A reserva está localizada em uma área de 335 mil hectares, que forma parte de um dos ecossistemas mais importantes do nosso planeta.


Além desta magnifica beleza geográfica, que durante o dia apresenta temperaturas superiores a 30 graus e a noite pode descer para os 10 graus, é possivel observar atrações arqueológicas como o misterioso Candelabro, alem de obras da natureza como a Catedral, lindas praias e  ilhas. A temperatura do Pacífico nesta região é muito baixa por causa da corrente marítima de Humboldt, que leva águas frias da região antártica para a equatorial e consigo uma rica cadeia de alimentos que mantém sustentável todo este ecossistema.



O candelabro - está localizado à noroeste da baía de Paracas e é uma geoglifo - (uma grande figura desenhada no chão de um morro, cujos as linhas são uma espécie de canais gravadas na rocha), que tem um comprimento de 177 metros de altura, 54 metros de largura e 60 centímetros de profundidade. O Candelabro é também chamado de Tres Cruces ou Trident. Acredita-se que ele  está relacionado às linhas de Nazca e a melhor maneira de aprecia-lo é do mar através dos  passeios de barco, pelas Ilhas Ballestas. Logo na saída do passeio, pode ser visto e fotografado. Alguns guias dizem que se trata do desenho do cacto São Pedro, que era utilizado na sociedade pré inca como bebida alucinógena usada em rituais. Outra teoria aventada é que se trata de um desenho criado por piratas do século passado como indicativo para algum tesouro e até mesmo algum símbolo secreto da maçonaria. Seja qual for a razão de sua existência, o símbolo existe até hoje sem nenhuma explicação arqueológica.


A catedral - é uma formação rochosa causada pela erosão do mar e do vento. Ela tem uma forma côncava que lembra as cúpulas de uma catedral, onde podem ser visto milhares de leões marinhos e aves de varias espécies. Está localizado entre as praias e Yumaque e Supay, belíssimas por suas falésias e altiplanos de areias grossas, contrastando com as águas geladas do Pacifico. É muito comum durante os passeios descer uma nevoa que cobre por alguns minutos toda a região. Parte de uma das cúpulas da Catedral, foi destruída pelo terremoto de 2007 na região.


Ilhas Ballestas - As Ilhas Ballestas são o refúgio dos leões marinho que ali se reproduzem e estão localizadas à 30 minutos da costa litorânea. Estima-se que existem hoje mais de 36.000 leões marinhos vivendo nas ilhas, que além de possuírem belas formações rochosas é o recanto de milhares de aves migratórias que disputam os lugares mais altos, como pelicanos, gaivotas, albatrozes e etc. É proibido desembarcar nas ilhas e todos os passeio são feitos em lanchas.


Na cidade existe empresas turísticas que realizam passeios diariamente para vários lugares interessantes da região. Estes passeios normalmente tem inicio por volta das 7 horas da manhã e com variadas durações. No centro da cidade tem um calçadão com uma variedade de restaurantes com comidas típicas a base de frutos mar já que a pesca é um dos produtos de subsistência da província, além do turismo. Outra opção interessante é visitar o centro de Interpretação de Paracas e o Museu Julio C. Tello localizado no centro da província.


Centro de Interpretação de Paracas - é um lugar destinado a dar informações sobre a fauna e flora da reserva, com exposição de esqueletos de animais existentes na reserva.

Museu Julio C. Tello - Pequeno Museu com exposição de restos humanos antigos encontrados na região e o famoso Craneo deformado de Paracas. O Museu também dá informações aos visitantes, sobre o antigo homem de Paracas, que habitou á região há mais de 2000 mil anos atrás.

Lhamas vicunhas e Alpacas

Uma das coisas que me deixou envergonhado e depois P.. da vida nesta viagem para o Peru foi que eu não sabia a diferença de uma lhama para uma alpaca. Só estava claro na minha cabeça que lhama eu havia comido e alpaca eu tinha vestido.
Falando agora, na diferença dos animais:
A alpaca: É menor que a lhama tendo uma pelagem mais longa e macia. É utilizada como fonte financeira do aproveitamento de sua lã (fibra de alpaca).
É tímida, gentil e pode aprender truques. O habito de cuspir é comum na alpaca, que utilia para mostrar sua agressividade ou metodo de defesa, mas é muito dócil.
Pode alcançar 1,20 a 1,50 de estatura dos pés à cabeça e seu peso pode variar de 45 a 90 kg.


A lhama: Tem pelagem longa e lanosa e é utilizada mais no transporte de carga, produção de lã, carne e couro. São mais irritáveis e considerado o oitavo animal mais irritavel do mundo. Medem de 1.40 à 2.40 com a calda e chega a pesar 150 Kg.


A vicunha: É o animal que possui o menor tamanho entre os tres animais andinos, chegando no máximo a 1,30 metros de altura e podendo pesar até 40 kg. Sua pelagem é muito fina e tem alto valor comercial; por esse motivo, a vicunha esteve à beira da extinção. As vicunhas são espécies selvagens, enquanto a lhama e a alpaca são domesticadas.


Agora numa proxima viagem quando alguem gritar: Olha uma lhama, uma alpaca ou vicunha eu saberei distinguir os bixos!

SALTA - ARGENTINA.



Depois de tantos passeios pelo sul do continente, eu não poderia deixar de falar sobre Salta, cidade argentina, no noroeste do país e que estrategicamente fica num dos caminhos de quem vai para a Bolívia ou norte do Chile, saindo do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Uruguaiana, Corrientes). Salta fica localizada a leste da cordilheira dos Andes, no fértil Vale de Lerma, à cerca de 1 187 metros de altitude. Minha experiencia na cidade foi de dois dias quando me deslocava até Santiago no Chile com um grupo de excursionistas realizado pelo Ton do Excursões Universitárias em Janeiro de 2010 e cuja a experiencia foi muito gratificante.


Salta é uma cidade colonial e percebe-se isto através do tipo de construção utilizada em seus prédios no centro da cidade, assim como na atitude de seus moradores e comerciantes locais, que ainda mantem o hábito de sestear depois do almoço até às 16 horas, quando voltam a abrir o comercio sem muita preocupação em satisfazer os turistas consumidores e deixando claro que este é um hábito cultural a ser respeitado. A cidade está longe de ser uma grande metrópole como Buenos Aires ou um centro cultural movimentado e de vida noturna como Córdoba, mas vem se destacando gradativamente no panorama turístico do país, oferecendo uma variedade de opções a quem à visita, além de uma excelente hotelaria, gastronomia, cassino, balneário municipal, museus e centros artesanais, entre outras atrações. Suas ruas são planas e divididas em quarterões, cujo o centro histórico não é distante, podendo ser feito à pé, com calma e sem pressa.


Cabildo de Salta: É o edifício colonial mais antigo da cidade e por sua vez, o mais completo e conservado da Argentina. Localizado no centro de Salta, na Caseros 549, em frente à Plaza 9 de Julio, o Cabildo, ou Municipal Hall, que datam do século 18, abriga atualmente dois museus em seu interior: O Museu Histórico do Norte na planta baixa e do Museu Colonial e das Belas Artes na planta alta. O "Museu Histórico del Norte", que exibe artes sacras e o conjunto de mobiliários modernos e históricos, alem de um variado acervo de utensílios que contam a história da cidade e da cultura local. 


É também no Plaza 9 de Julio, com seu amplo espaço a o ar livre, que se concentram a maior parte de bares e cafés e que no entardecer acontecem exposições de artesanato, artes plasticas, musica e outras manifestações artísticas locais. Neste horário também, alguns moradores se concentram nos Cafés para o bate-papo do final do dia. 


Igreja São Francisco: 
Caminhando pelas ruas de Salta é quase impossível cruzar diante desta igreja e não reparar sua grandiosidade e beleza. A Igreja São Francisco em estilo neoclássico do seculo 19, com sua fachada e muros de cores Vermelho, branco e dourado, lhe confere um aspecto de nobreza, ostentação e riqueza. 


Convento São Bernardo:
Seguindo pela rua Caseros esquina com a Santa Fé, o Convento São Bernado, uma das construções religiosas mais antigas de Salta, datada do final do seculo 16 e habitado por freiras que vendem uma variedades de doces. O prédio em pintura branca, possui até um hospital desativado e que funcionava no passado.



Museu de Arqueologia de Alta Montaña- (MAAM): É também outro dos atrativos do centro da cidade, onde são expostos elementos de um Santuário de Altura inca, que incluem as múmias de Llullaillaco, descobertas em 1999. 
São três crianças enterradas no topo de um vulcão à 6.739 metros de altitude, no norte argentino e chileno. Conta a história, que as crianças foram levadas até o alto da montanha sagrada por seus pais e lá foram embriagadas com chica, uma bebida à base do milho que existe até hoje. Depois de beber muita chica e ficarem em coma alcoólica, foram enterradas numa cova onde morreram de frio e asfixia.


Parque San Martín: Outra pedida é visitar o parque San Martin, localizado a 1.458 metros de altura, no Cerro San Bernardo, de onde se tem uma vista panorâmica de parte da cidade. O parque possui uma boa área física e é muito bem estruturado, com passeios pavimentados, jardins floridos, gramados aparados, bancas de artesanatos para compra de souvenires, restaurante, banheiros e um laguinho artificial entre a mata nativa e a beira do cerro. Para se chegar até o cerro, tem-se a opção de subir a pé ou através de um teleférico que vende os ingressos por $ 8,00 pesos (ida e volta) num de seus terminais.



Trem das Nuvens: Uma das tantas opções é fazer um passeio no Trem das Nuvens, considerado o trem mais assombroso do mundo e que leva seus passageiros a uma altura de 4.200 metros sobre as montanhas, num percurso de 217 quilômetros, cruzando por viadutos, tuneis e pontes, em grande velocidade e com duração de 17 horas. Nos dias em que estive por lá os passeio haviam sido suspensos, mas conforme informações, o trem, cruza por (29 pontes, 13 viadutos, 21 tuneis, 2 "cilindros" y, 2 ziguezagues) e conta com, vagão panorâmico, espetáculos folclóricos, consultório médico, áudio, vídeo e guias bilíngües. Este passeio oferece uma viagem incrível, cheia de emoções, onde é possível conhecer nos arredores numerosos povoados, além de monumentos e lugares históricos, como algumas ruínas de seu passado indígena.


Circuito dos Vales:
Outro lugar muito procurado pelos turistas que preferem passeios mais ecológicos é a Quebrada de Cafayate ou das Conchas, que são formações naturais, de rochas sedimentares (arenitos) avermelhadas e alaranjadas. Cafayate é o principal povoado dos Vales. Um dos lugares que podem ser visitados nos arredores é um moinho jesuítico de 350 anos que ainda está em funcionamento. Pela Rota N° 40, principal acesso, o percurso continua por outros pequenos povoados ricos em edificações coloniais, ruínas indígenas e artesanato têxtil. Vale a pena conhecer!

ALTO HOSPÍCIO - CHILE

Da janela do ônibus em movimento, eu admirava toda aquela paisagem árida e vazia nas proximidades de Iquique. 
Quando o ônibus parou, dando passagem para uma locomotiva que vinha do nada em nossa direção, sobre um mar de areia e cruzando para outro lado do nada, eu ouvi alguém dizer, que existia por ali uma linha de trem do Chile para a Bolívia. Seria esta linha? -pensei com meus botões. Talvez não; me parecia mais um trem de transporte de cargas se deslocando "não sei de onde,  não sei pra onde..". Mais adiante uma placa meio apagada sinalizava para uma estrada de terra íngreme na direção de mais um outro nada com construções distantes sob o reflexo do sol nas montanhas distantes, onde eu li numa placa empoeirada: "El acceso a la Alto Hospício". O que seria aquilo, a indicação de alguma casa de doentes mentais, sobre uma ampla planice desértica, esquecida, isolada do resto do mundo?
Assim que pude fui consultar o sr. Google eu descobri: Alto Hospício é uma localidade da cidade portuária de Iquique e acreditem, concentrando hoje mais de 80.000 habitantes. Alto Hospício nasceu e cresceu à sombra de Iquique, sendo hoje uma grande cidade.

Conta a historia que trabalhadores que deslocavam-se das minas de Huantajaya à 30 km de Iquique, muitas vezes montados em mulas ou à pé, transportando minério de prata em mochilas de couro, aproveitavam-se deste lugar para descansarem e a seguir retomarem seu caminho, seguindo viagem. Alto Hospício passou a ser conhecido como um local de descanso destes trabalhadores que também faziam "Jornadas Interiores", (razão do nome alto hospício). Com o desenvolvimento econômico de Iquique nos anos noventa e consequente aumento populacional da metrópole, os trabalhadores começaram a se transferirem e fazer da localidade, uma cidade dormitório com aumento significativo de sua demografia. Alto Hospício, a partir de um pequeno grupo de casas e vilas que não excedia 2.000 habitantes no início dos anos noventa, passou para uma cidade enorme com milhares de habitantes. Com o crescimento, Alto Hospício passou a registrar altos índices de marginalidade e violência local. Tornou-se município em meados de Abril de 2004, quando aprovou uma lei separando-se de Iquique e tornando-se município.

Até a próxima viagem!



Sem pretensões desrespeitosas

Ontem uma cliente se aproximou de mim meio tímida e parecendo buscar alguma palavra apropriada me perguntou o que eu fazia para manter meus cabelos com aquele aspecto "À la louco" do qual ela achava muito interessante e gostava.
Eu normalmente trabalho com eles presos por um elástico preto e próprio para isto, mas depois de sua observação, percebi que tinha se soltado sem que eu notasse. A pergunta me pegou de surpresa, pelo tipo de palavras utilizada, que devo ter ficado desconsertado naquele momento. Meu colega que estava presente, pareceu inchar-se para não soltar uma explosiva gargalhada.
Hidratante, muito hidratante, foi o que pude responder na hora!
Não me ofendi de maneira alguma com o que ela havia dito, pois parecia haver alguma intenção de elogio em suas palavras mal colocadas, mas pensei em como algumas observações espontâneas podem se tornar despretensiosamente desrespeitosas sem que se perceba ou então somente fora da hora apropriada.

Frio na barriga

Já vivi dias piores, mas confesso que ainda sinto um certo receio e frio na barriga de lugares apertados, fechados ou mesmo ficar à deriva num lugar espaçoso, mas ainda assim restrito, por exemplo perdido no mar, numa pequena embarcação.
Esta semana, assisti na TV sobre o dilema dos 33 mineiros chilenos confinados numa mina à 19 dias sob a terra, numa profundidade de mais ou menos 700 metros no Atacama. Segundo informações, uma máquina de perfuração que está sendo montada para a retirada das vitimas, deve avançar a um ritmo diário de 10 a 15 metros. Portanto, serão vários meses de trabalho, onde poderão ficarem presos e sem ver a luz do dia até o Natal. Isto é verdade ou ficção?..
Enquanto isto, uma segunda sonda utilizada serve para o envio de oxigenio, alimentação e cartas de parentes.
Eles estavam, desaparecidos desde o dia 5 quando a mina onde trabalhavam desabou e abrigaram-se num refugio de 52 metros quadrados. Este tipo de noticia me causa calafrios e custo a acreditar que seja verdade!..

MACCHU PICCHU- PERU.



Saímos na manhã do dia 17 de Julho de 2010 da capital gaucha, numa viagem de 4 dias, mas que acabou em 5 por problemas técnicos e mecânicos no ônibus, com destino à Macchu Picchu no Peru, totalizando 13 dias. Estávamos de volta dia 29.
Esta viagem, havia sido programada em fevereiro passado, quando foi impedida pela enchente ocorrida naquela região e anunciado em todos os meios de comunicação. Foi uma viagem cansativa e demorada, mas que valeu o esforço de chegar até lá e conhecer tantas belezas naturais e a cultura do um povo. A viagem foi promovida pelo Ton da Excursões Universitárias do qual viajei anteriormente para o Chile e Buenos Aires e que foi uma experiencia muita bacana.
O roteiro foi mais ou menos o seguinte: Porto Alegre, Uruguaiana, Corrientes, Salta, Calama, Iquique, Arica, Tacna, Arequipa, Juliaca, Cusco. De Cusco, alguns vilarejos e ruinas locais, Aguas Calientes, Macchu Picchu, Ollantaytambo, retornando por Puno, Jujuy, Uruguaiana, São Gabriel e Porto Alegre.


A CIDADE:
Cusco é a cidade ponto de partida de quem vai conhecer M. Picchu. Com 3400 metros de altitude e considerada a mais antiga cidade da America Latina, seu nome significa "umbigo", no idioma quíchua. Era o mais importante centro administrativo e cultural do Império Inca. Depois do fim do império, os espanhóis invadiram e saquearam a cidade. A maioria dos edificios incas foram arrasados pelos católicos, com o objetivo de destruir a civilização inca e construir com suas pedras e tijolos as igrejas cristãs e predios administrativos, desta forma impondo sua pretensa superioridade européia cristã.


IGREJA SAN BRAS:

AEQUITETURA:
A maioria dos edifícios construídos depois da conquista é de influência espanhola com uma mistura de arquitetura inca, inclusive a igreja de Santa Clara e San Blas. Freqüentemente, são justapostos edifícios espanhóis sobre as volumosas paredes de pedra construídas pelos incas.

Praça das Armas/Cusco

AS RUAS DE CUSCO:
São estreitas e de pedras irregulares, lembrando de alguma forma, porem com suas peculiaridades, as ladeiras de Ouro Preto em Minas Gerais. Tudo que olhamos, nos remete a um passado de lutas, conquistas, culturas milenares, religiosidade e um povo com suas carências econômicas, beirando a muita pobreza social e riqueza cultural.


O TRANSPORTE EM CUSCO:
Não vi ônibus circular pela cidade, a não ser os de excurssões. O meio de transporte por lá, parece ser mesmo o taxi, sem taximetro e na base do grito mesmo. Voce explica para onde quer ir e combina o preço antes de entrar. Existem todos os tipos de taxis: Pequenos, grandes, novos, velhos, caindo aos pedaços que oferecem seus serviços através de buzinassos enlouquecedores. O transito é muito conturbado, lembrando segundo algumas pessoas com quem conversei, as ruas no centro de Nova Deli.


O ALBERGUE:
O albergue: em que nos hospedamos, localizava-se a algumas quadras acima da praça da igreja de San Blas, uma rua tão estreita que impossibilitava a passagem de carros e ainda tínhamos de vencer as longas escadarias. Mesmo numa região centralizada, parecia ser o ultimo albergue do alto do morro, vencendo-nos pelo cansaço provocado pela sua distância e altitude. Apesar de um pouco deficiente no que se refere a os serviços prestados, o albergue tinha um aspecto alegre, com paredes coloridas e patio amplo onde tomavamos o café da manhã. De qualquer forma, estávamos em Cusco e o que menos importava eram as estrelas do albergue.

Albergue em Cusco


O PACOTE TURÍSTICO:
Neste mesmo albergue, compramos o pacote turístico por US$ 120, para visitar Macchu Picchu que incluia, passagem num micro ônibus com três refeições, passeios pela serra peruana, (Vale Urubamba, Ollantaytambo, Abra Malaga, Santa Tereza, Santa Maria onde almoçamos, Hidroelétrica até a estação de trem para Águas Calientes, cujo o ingresso era por nossa conta. Em Águas Calientes, cidade que é porta de entrada para a ruína, passaríamos uma noite num albergue com jantar incluído e ingresso para Macchu Picchu na manhã do dia seguinte. Vale ressaltar, que o albergue em Águas Calientes era muito superior ao que ficamos em Cusco.


ALPES PERUANOS:
Saímos bem cedo do albergue, no outro dia, num micro-ônibus, para conhecer os alpes peruanos. Depois de muitas voltas, subidas e descidas íngremes em estreitas estradas de terra sobre penhascos e mascando folhas e mais folhas de coca, percebemos que estavamos nos aproximando da montanha gelada.


Chegamos até o ponto mais alto, onde as vans e micro-ônibus podiam deixar os passageiros. A partir dali, somente a pé, de bicicleta ou a cavalo e possivelmente com auxilio experiente de um guia. A estrada nos trechos mais altos era muito pedregosa e estreita, dificultando a passagem de veículos que por vezes encontrava um outro vindo sentido oposto nos deixando muito temerosos.


Mesmo assim, percorriam em alta velocidade na beira dos penhascos com o propósito de nos provocar emoção e medo, acho que muito mais medo, sem a preocupação com possíveis acidentes naquela altura das montanhas.


O ABRA MALAGA: 
Tem 4.350 metros de altitude e de longe enxergava-se a sua imponência e o topo coberto de gelo entre outras montanhas. Alguns ciclistas cruzavam por nós em alta velocidade e isto causava uma certa tensão. Depois de admira-lo e fotografa-lo em diversos ângulos, descemos até um vale que lembrava aquelas selvas dos filmes de Indiana Jones, com estradas de terra batida, muitas arvores, poeira, cascatas que desciam morros, mata encrava entre montanhas e abismos; Acredito que era o Vale Urubamba com o rio de mesmo nome. Quando chegamos num mirante natural para admirar a beleza da montanha gelada, nos posicionamos para a famosa fotografia com a bandeira brasileira esticada.


Na verdade quem vai para aqueles lados pela primeira vez como eu, fica meio sem referencia e perdido com relação a ordem dos lugares que visitou e fez anotações. Tudo parece meio complexo entre subidas e descidas e com nomes estranhos e lugares fantásticas para se ver. Em alguns momentos, fica difícil documentar tudo o que se quer e a o mesmo tempo curtir o que tem para curtir, sem ficar escravo da maquina fotográfica e do caderninho de anotações.


RIO URUBAMBA:
Depois do magnífico passeio pelas montanhas e vales, descemos para almoçarmos num vilarejo chamado Santa Maria e após caminhamos algumas horas para fazer a digestão, seguimos para a estação de controle na entrada para Aguas Calientes ao entardecer, quase noite, uma vez que tudo por lá é muito longe e parece demorar horas para se deslocar de um lugar para outro. Neste ponto da estação, concentra-se turistas de todos os cantos do mundo que querem conhecer a velha montanha, criando uma muvuca de emoções em vários idiomas. As pessoas pareciam estar com suas emoções à flor da pele e muito excitadas.


O Posto de Controle fica localizado num local, que parece não haver muita estrutura e conforto para os turistas que chegam para embarcarem no trem em direção a Águas Calientes. Ao menos não vi se quer uma lancheria ou banheiro e a medida que foi escurecendo, se tinha iluminação, era muito precária. O lugar é simples e parece ser utilizado com o único proposito de identificar os passageiros que embarcam no trem as margens de um rio turbulento, possivelmente o Rio Vilcanota. No balcão de atendimento, apenas um funcionário peruano.

Estação de trem em Aguas Calientes


O trem: faz umas manobras estranhas, uma hora anda num sentido, depois parece fazer outro, dando a impressão de que está se deslocando de ré. Na verdade é uma manobra de praxe para subir em direção à Aguas Calientes. Este deslocamento é rápido e de muita integração entre os passageiros e quando nos damos por conta, já estamos dentro da cidade que fica num vale cercado de lindas e gigantescas montanhas tropicais cheirando à mato orvalhado. Chegamos à noite para o jantar incluso no pacote e com o tempo cronometrado para conhecermos a vida noturna da cidade. Deveríamos levantarmos cedo para visitarmos a velha montanha e desta forma, fomos para a cama cedo, conhecendo de fato Águas Caliente, no retorno da montanha no outro dia para almoçar.

Praça Central em Aguas Calientes

AGUAS CALIENTES:
É composta por praticamente duas avenidas, uma igreja e uma praça principal com uma estátua de Pachacutec a o centro. Com jeito de povoado e uma infinidade de restaurantes, bares, hotéis, pousadas, albergues, lojas de artesanato, é margeada pelo Rio Vilcanota que espalha no ar o ruido de suas águas sobre as pedras espalhadas no seu leito o tempo todo, causando um clima zen na região. Saindo da área mais central em direção à parte mais alta da cidade, encontramos fontes de águas termais do qual originou-se o nome da cidade. Só existe duas formas de chegar à cidade: De trem ou a pé pelo meio do vale numa caminhada exaustiva entre a mata montanhosa.


HUAYNA PICCHU:
Nesta noite em Águas Calientes, nos reunimos na praça principal depois do jantar, para decidir quais pessoas do grupo subiram até o templo sagrado, por Huayna Picchu (montanha vizinha à Macchu Pucchu). O pico de Huayna Picchu é de cerca de 2.720 metros acima do nível do mar, cerca de 360 metros mais alto que Macchu Picchu proporcionando de seu pico uma visão global de todo a cidade Inca.


A subida é de dificuldade alta e não encontrei ninguém que me falasse ter sido fácil chegar até lá em cima depois de retornarem. O aventureiro tem de dispor de muita resistência, paciência, roupa apropriada, água para hidratar-se e folhas de coca para evitar o mal da altitude.


MACHU PICCHU:
Segundo a informação de alguns guias, no topo desta montanha era a residência do sumo sacerdote. Todas as manhãs, antes do nascer do sol, o sumo sacerdote, com um pequeno grupo ia a pé para Machu Picchu para assinalar a chegada do novo dia. O número de visitantes diários autorizados à subir o Huayna Picchu é limitado à 400 pessoas. Uma subida exaustiva leva ao seu cume. Algumas partes são escorregadias e protegidas por cabos de aço. Às vezes, durante a estação chuvosa, por questões de segurança, os passeios ficam temporariamente suspensos.


Evidentemente eu não subi o Huayna Picchu, por estar conciente de minhas condições fisicas e reações provocadas pela altitude. Acho que algumas situações na vida devem ser feitas com conciencia e reconhecimento de nossos limites e não somente por paixão, sem avaliar consequencias.


De qualquer forma, os que escolheram subi-lo se comprometeram de levantarem cedo, (2 h. 30 min.), para garantirem suas vagas dentro dos 400, que é o limite máximo de pessoas permitidas. Eu e o Ton levantamos as 6 h. 30 min. e fomos de Van com ingressos disponibilizados no pacote. A Van nos deixou no portão principal de Macchu Picchu e assim mesmo senti o tranco em alguns percursos mais íngremes durante a subida. Alguns membros da excursão haviam se separado, mas aos poucos começaram a chegar e reunirem-se em alguns pontos da grande ruína para contar a experiencia de terem subido a montanha vizinha.


Encontramos algumas lhamas que pastavam soltas em Macchu Picchu, elas nos olhavam com curiosidade e por vezes cuspiam em nossa direção. São animais mal humorados e não gostam que invadam o seu espaço. Havia muitos grupos de estrangeiros com seus guias, que falavam em inglês, português francês e espanhol, dando dando todas as informações sobre tudo. Isto quer dizer, que mesmo não tendo um guia próprio, você não ficará sem informações; certo?


Bom, Macchu Picchu é linda e estando lá em cima, começamos a questionar como é possível tudo aquilo ter sido planejado e construído com tamanha perfeição de engenharia, de modo a permanecer quase intacto por tanto tempo. Ficamos pensando também sobre o modo e filosofia de vida deste povo que respeita a natureza de uma forma inigualável. Eu aconselho a quem tiver a oportunidade de conhecer esta "Sétima Maravilha", não desperdiçar, pois é uma experiencia pessoal incrível e com certeza, enriquecedora.


Para voltarmos à Águas Calientes, tomamos um micro-ônibus na entrada do parque. Decidimos procurar um lugar para almoçarmos e escolhemos um restaurante que servia peixe ao molho com purê de batatas e uma gostosa cerveja peruana.


As três horas da tarde eu e o colega de viagem (Adilson), compramos passagens de trem até a estação de Ollantaytambo, num delicioso passeio por estradas montanhosas e selvagens e de lá, retornarmos numa van compartilhada com outros turistas até Cusco ao final da tarde, antes do anoitecer. Pela manhã cedo, tomaríamos um táxi e embarcaríamos no ônibus de volta ao Brasil.



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