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RELEMBRANDO PARIS.

Quando eu coloquei os meu pés em Paris pela primeira vez, eu não acreditei que estava lá. Pra dizer a verdade, em todos os outros lugares que visitei pelo mundo, fiquei incrédulo até que algo se identificasse pra mim fazendo-me ter certeza de que eu estava no lugar que escolhi para visitar. Era como se faltasse uma peça que não se encaixava no mosaico da minha satisfação, até eu encontra-la. 


Em Paris inicialmente, todas as sensações me levavam a acreditar que eu estava num lugar comum, andando por ruas cheias de carros e pessoas diferentes, falando em vários idiomas, algumas com roupas exóticas, ruas sujas, algumas com o esgoto correndo a céu aberto, ladrões e golpistas, o que poderia ter em qualquer lugar, menos na Paris que eu havia idealizado.


Eu estava hospedado em Crimée, na 19ª arrondissement, que me parecia uma localização difícil, quando não se domina o idioma e também não se está acostumado a andar em metrôs, que trafegam no subterrâneo e daí não visualizamos pra onde estamos indo. Também me faltava alguma referencia visual que eu não sabia dizer o que era, para que eu e a cidade fossemos enfim apresentados. Uma estranha sensação de desconforto, que durou uns dois dias, até surgir a primeira identificação.


Numa tarde, passeando com alguns amigos por uma das ruas que levam a Champ de Mars, localizei um dos pés da torre de ferro, que aparecia pela metade e logo sumia por de traz de alguns prédios antigos, criando alguma coisa meio inexplicavelmente assustadora, dentro de mim. 
Este jogo de esconde esconde, durou alguns minutos, até chegarmos diante daquele gigantesco monumento, que me deixou quase paralisado, com toda a sua estrutura apoteótica. 


A tarde já estava acabando e com o sol se pondo, quando decidimos subir na torre, que naquele dia e horário, havia pouquíssima concorrência de turistas. Quando a noite chegou e as luzes da torre foram acesas, a visão lá do alto mostrava, o por quê Paris é chamada de A Cidade Luz.
Enxergávamos o belo desenho da cidade, o rio Senna,  o Palácio de Chaillot, o Trócadero, o Arco do Triunfo e tantos outros monumentos espetaculares, que a cidade podia mostrar iluminados e que ainda iriamos conhecer nos próximos dias.


Mesmo sendo uma estrutura segura, subir na torre não deixou de me dar aquele friozinho na barriga que eu não sabia dizer se era por causa da altura, ou por estar sobre algo que representa tanto na cultura e historia mundial e de um país como a França.
Naqueles momentos em que estive diante dela e sobre ela, pensei comigo em silencio; Agora sim, cheguei em Paris!

PÉRE-LACHAISE


E já que eu estou neste clima de admiração a arte tumular, nesta semana, embora eu já tenha uma paixão secreta e mal compreendida, que tal  se você for a Paris, incluir em seu roteiro uma visita ao Pére-Lachaise, situado no 20º arrondissement de Paris, considerado o maior cemitério da cidade e um dos mais famosos do mundo. Nele estão sepultadas  uma imensa lista de celebridades como, Alan Kardec, Edith Piaf, Modigliane, Chopin, Maria Callas, Jim Morrison, Oscar Wilde, Sarah Bernhardt, Honoré de Balzac, Molière, Yves Montand, Proust, Isadora Duncan, entre outros e sua visitação é gratuita.


Mesmo parecendo estranho escolher um cemitério para passear, eu posso garantir que há ótimos motivos para passarmos um tempinho neles. Alguns são verdadeiros bosques onde o clima fresco da vegetação, o silencio nos reporta para uma paz interior muitas vezes não conseguida em outro lugares agitados e barulhentos, são cheios de belos e enigmáticos epitáfios, esculturas que são verdadeiras obras de arte construídas em pedras, metais e madeiras, com a diferença de estarem expostas a céu aberto, garantindo o contato intimo e direto com a natureza.





Caminhar por suas alamedas, nos transporta para uma viagem ao passado, através da arte cemiterial, que em seus detalhes podemos perceber as transformações sociais, econômicas, políticas e culturais ocorridas ao longo do tempo na história do mundo. Alguns se destacam por sua suntuosidade e outros pela simplicidade como o de Isadora Duncan, de Edith Piaf e Jim Morrison,


O Pére-Lachaise, impressiona não só por seu tamanho e sua rica arquitetura neoclássica, criada por um arquiteto no século 18, chamado Alexandre Théodore Brongniart, mas também pela quantidade de gente famosas que lá estão sepultados.





O cemitério recebeu a sua denominação em homenagem a o padre , confessor do rei Luís XIV da França. padre François d'Aix de La Chaise. O cemitério foi oficialmente aberto em maio de 1804 os parisienses não aceitavam de bom grado a necrópole, localizada distante do centro, numa zona de difícil acesso. Esta situação só mudaria quando para lá foram transferidas ossadas de importantes personalidades, apaziguando as críticas da elite.

DICA:
Como o cemitério é enorme, você precisa comprar o mapa, pra encontrar o túmulo dos famosos que quer visitar, caso contrario poderá correr o risco de ficar perdido.

COMO CHEGAR:
Como referencia usei o Champs-Élysées  como ponto de partida até o Père Lachaise Cemetery, utilizado o metrô num tempo aproximado de 30 a 40 minutos. Veja no mapa:

QUANDO PARIS SE TORNOU VERDADEIRAMENTE PARIS PRA MIM:


Sou daqueles que só acredito que estou realmente num lugar que nunca estive antes, quando encontro alguma coisa que me  sirva de referencia visual. Meu cérebro funciona assim. Ponto!
Por exemplo: Quando fui a Paris, eu não me sentia em Paris, até eu ficar de frente com a Torre Eiffel e com o Arco do Triunfo. Estes foram os dois objetos chave, que me provaram que eu estava no lugar certo. Aquela cidade movimentada, com pessoas falando em francês nas ruas, não me convencia e poderia ser qualquer outra cidade, menos a Paris que eu idealizei na minha cabeça,


Alguns lugares eu consigo ter uma rápida identificação, mas outros, eu sinto bastante dificuldade, até a ficha cair de vez e eu acertar o meu radar de localização e buscar a emoção.
Descobrimos a Torre Eiffel depois de muito bater perna pelo centro da cidade e mesmo com um pequeno mapa em mãos, já estávamos desanimados e nos sentindo quase uns fracassados,  energúmenos, dando voltas e mais voltas.
De repente num entra e sai de ruas perpendiculares e muita correria e sabendo que a torre não sairia do lugar, avistamos uma parte dela, entre alguns edifícios e arvores, nas proximidades da Rua Rapp, em direção a Champ de Mars, deixando-nos boquiabertos com o tamanho da estrutura de ferro.
Abrimos um largo sorriso, mesmo ainda meio que distantes do nosso destino e então pensei com os meus neurônios ansiosos: Agora sim, estou em Paris!


O espaço gramado com largas calçadas onde ela está localizada, é bem amplo, para poder acomodar toda aquela estrutura gigantesca. Os parisienses, fazem até piqueniques por ali em dias de Sol. Como era um dia de semana e final de tarde, já quase escurecendo, o que encontramos mesmo, foram muitos japas com suas maquinas de fotografar potentes, se batendo uns nos outros para fotografa-la.
A torre que é considerada o simbolo maior da cidade, é absolutamente bonita, tem três níveis para os visitantes e os ingressos podem ser adquiridos nas escadas, ou elevadores do primeiro e do segundo nível, de acordo com a curiosidade e disposição de cada visitante. O terceiro e mais alto nível, só é acessível por elevador, mas do primeiro andar já se pode ver a magnifica vista da Cidade Luz, incluindo o Sena, o Trocadero e bem ao fundo, La Defense.

A torre é também servida por dois restaurantes chiques e caros: O 58 Tour Eiffel, no primeiro andar e o Jules Verne, no segundo, que sinceramente pra nós estava fora de qualquer cogitação. Ouvimos falar que um jantar no Jules Verne, por exemplo, pode chegar a fortuna de mais de 500 euros, pode?.. É neste momento que podemos sentir, o quanto somos praticamente uns miseráveis perto de outras realidades. Mas a vida também me ensinou, que podemos sentir prazer comendo escargot, ou um pastel de carne moída, sem com isto, deixar de viver e apreciar o que realmente importa nesta vida, VIVER!!. e viver significa conhecer, aprender e ter prazer pondo em pratica em nossas vidas estes aprendizados.


Eu e meu colega, só pra debochar e fazer piadas de nós mesmos, tomamos um expresso no primeiro nível da torre, por 9 euros, uns (R$27,00) que já era caro para um simples café, cruzamos nossas pernas e levantamos um brinde na direção do Sena.
Ficamos por ali um bom tempo, admirando tudo o que podíamos ver, até o anoitecer, quando a torre fica iluminada e ainda mais glamourosa, com toda Cidade Luz aos nossos pés.
Até o próximo post!

NO METRÔ DE PARIS.

 
Eu e Tom estávamos sentados dentro do metrô em Paris, retornando a o hostel, depois de passarmos quase o dia inteiro batendo pernas pela cidade. Havíamos planejado isto, andar pela cidade sem um rumo definido, visitando ruas, becos, praças, entrando e saindo de ônibus, trens e metrôs, pois havíamos comprado um daqueles tickets especiais, que possibilitam o uso durante o dia todo, em todos os tipos de transportes públicos e queríamos, por que não, descobrir a cidade até nos perder e foi o que aconteceu; Em algum momento, percebemos que estávamos perdidos e até pegamos o uma linha de metrô errada, tendo de ir ate o final do trajeto e depois voltar a o ponto de partida.
Quando conseguimos enfim tomar o metrô certo, eu olhei para ele e percebi o quanto estávamos cansados e eu estressado e louco para ficar pelo menos meia hora quieto e debaixo de um chuveiro quente, e então desabafei: 
_Sabe de uma coisa Tom, quando eu retornar ao Brasil, a primeira coisa que irei fazer é pegar este mapa do metrô e ler até entende-lo de cabo a rabo- disse eu num tom meio irritado.
Então um dos passageiros, uma mulher negra, que eu diria até bonita, sentada na mesma fileira de bancos em que estávamos, esticou o pescoço em nossa direção e falou num português tão claro, nítido e sem sotaques, que nos causou surpresa: 
_Mas não é difícil, está tudo sinalizado aqui e com com cores diferentes, não tem como se perder. -disse ela mostrando o folheto explicativo do metrô em mãos e com um largo sorriso simpático.


_É brasileira?.. -Perguntamos quase que a o mesmo tempo.
-Não, nigeriana! -Respondeu ela prontamente. 
Bom, daí pra frente a conversa fluiu. Contou-nos que já morava em Paris a mais de dez anos e com filhos na escola, que teve muita dificuldade de se adaptar aos costume do país e ao idioma e a quase tudo.
Saiu de seu país em função da pobreza e falta de oportunidades, sentia saudades, mas não gostaria mais de voltar. Seu lugar agora era ali.
Fiquei pensando em sua historia, historia de muitas pessoas, de uma vida e que me causou introspecção e certa angustia.
Historia de lutas, derrotas e conquistas em busca de uma vida digna.
Enquanto estive em Paris, os franceses, africanos e indianos, me passaram a sensação de uma relação de distância confortável que se estabelece entre patrões e empregados, entre vizinhos sobre a lei do silencio, como água e azeite colocados num mesmo recipiente, mas que não se misturam por suas diferenças.

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