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NOITE DE VENTO, NOITE DOS MORTOS

Ontem quando choveu por aqui, uma forte ventania quase derrubou arvores e foi arrancando galhos que varreram  ruas e calçadas. 
A cidade não só parecia vazia, mas singularmente transformada em outra.
Estes ventos que sopram forte por aqui, me jogam nas paginas de Érico Veríssimo, me fazem lembrar dos gestos duros das mulheres do interior, do seu silencio, do amargo dos seus chás, da doçura no olhar que guarda a esperança por tempos e ventos de possíveis mudanças.


"E de novo o povoado ficou quase deserto de homens. E outra vez as mulheres se puseram a esperar. E em certas noites, sentada junto do fogo ou à mesa, após o jantar, Ana Terra lembrava-se de coisas de sua vida passada. E quando um novo inverno chegou e o minuano começou a soprar, ela o recebeu como a um velho amigo resmungão que gemendo cruzava por seu rancho sem parar e seguia campo afora. Ana Terra estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia, nas noites de ventania ela pensava principalmente em sepulturas e naqueles que tinham ido para o outro mundo. Era como se eles chegassem um por um e ficassem ao redor dela, contando casos e perguntando pelos vivos. Era por isso que muito mais tarde, sendo já mulher feita, Bibiana ouvia a avó dizer quando ventava: "Noite de vento, noite dos mortos..."
Érico Veríssimo - O Tempo e o Vento

O DIA QUE NEVOU EM PORTO ALEGRE

Amanheceu um lindo dia ensolarado nesta terça-feira, cujo o inverno aqui no sul tem sido um dos mais rigorosos das ultimas décadas. Poucos estavam acordados para sentir, mas a cidade registrou na manhã de sábado, 25 de Julho, o frio mais intenso dos últimos dez anos, informado pelo Instituto Nacional de Meteorologia, localizado no Jardim Botânico, zero graus.

Lembro-me de 24 anos atrás, quando eu, com 26 anos, abri a porta da cozinha da casa de minha mãe, em Viamão e deslumbrei a paisagem mágica da neve caindo sobre o pátio e pomar e a fumaça da chaminé do fogão à lenha se misturando entre os flocos de gelo que caiam e flutuavam no ar. A neve caiu por aproximadamente uma hora.
Era 24 de Agosto de 1984, data que eu me esforcei para não esquecer, dado a um evento incomum desses. No outro dia, para provar que não foi historia de pescador, saiu a reportagem com as fotos no jornal ZH, mostrando aos leitores, esta bela manifestação da natureza e também para os incrédulos que estivessem alimentando alguma dúvida sobre o ocorrido. 
Até então o jornal informava que desde 1909 não caia neve na cidade. Foi a primeira vez que vi neve na minha cidade e na minha vida, a segunda vez, foi em Gramado, depois em Nova Iorque e Buffalo nos EUA muitos anos depois...


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Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...