"A minha dor é enorme,
mas eu sei que não dorme quem zela por nós.
Há um Deus, sim, há um Deus, e esse Deus lá no céu há de ouvir minha voz!..."
Quando eu ouvia Zira, (apelido entre familiares), cantar esta e outras músicas, era para mim a abertura de outros mundos, mesmo ainda sendo um menino. A minha dor, também era enorme, pensava eu ao ouvi-la.
Sentada em volta de uma mesa ou num palco de madeira alto, improvisado nas festas de família e amigos, eu pensava que sua dor era realmente tão enorme quanto sua voz.
Tinha a voz rouca, parecida com a de Maria Bethânia, e o olhar tristonho como o de Zilah Machado. Cantava com paixão, sempre acompanhada dos irmãos e marido, músicos de fim de semana, de festas entre os mais chegados. Afinal, durante a semana eram feirantes, pedreiros da obra civil.
Portava-se como uma verdadeira dama e artista que era. Uma dama interpretando emoções de rasgar a alma das pessoas que a assistiam e a sua própria.