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A noite da Embrocação



Certa noite chegou na sala de emergência-2, um jovem com ferimentos abrasivos no rosto, braços e tórax, ocasionado por agressões em uma tentativa de assalto. Depois de deitar na maca e seus ferimentos serem avaliados pelo médico de plantão, perguntou-nos preocupado:
-Será que vou ficar com cicatrizes pelo rosto?
-Não, as feridas são superficiais!- respondeu um dos colegas, aproximando uma mesa auxiliar para iniciar a desinfecção dos ferimentos.
-Então o que vão fazer em mim?- Perguntou preocupado.
-Somente uma *embrocação de rotina!- respondeu o colega.
O paciente levantou-se da maca com expressão de pavor e correu para a porta de saída gritando em seguida:
-Ninguém vai me furar com broca, não vão mesmo!
Esta história ficou conhecida por nós do plantão, da sala de emergência 2 no HPS-Poa, como "A noite da embrocação".


*embrocação:
É a aplicação de substancias anti-infecciosas (líquidos), em ferimentos com a finalidade de limpar, desinfetar feridas, com fim profilático.

Outra de Pronto Socorro, podem acreditar!

Era madrugada quando ele chegou na porta da emergência acompanhado por sua mãe. Corpo possante, voz grossa e meio infantil. Se percebia de longe que tinha algum retardo mental. A mãe, já idosa com cabelos brancos, logo que entrou na sala esticou o braço entregando-nos o boletim de atendimento.
-Oh Trouxe este traste que só me dá trabalho, para vocês darem um jeito!- disse enraivecida.-
-Mas o que houve?- perguntou o médico plantonista.
Os dois silenciaram-se olhando para o médico e para mim e depois a senhora voltou a falar.
-Olha doutor este traste engoliu um garfo!
-Um garfo? Como pode alguém engolir um garfo?-disse o médico mais que surpreso.
-Não sei doutor, mas com meu filho tudo é possível!- respondeu a senhora envergonhada.
-Então...- completou o médico enquanto solicitava exames no boletim -Leva-o no RX e depois me traga para avaliar.
Passado alguns minutos , a senhora retornou ao lado do filho com o exame na mão. Entregou para o médico que se surpreendeu com a foto do garfo no estômago do paciente.
-Nossa! Que horas ele engoliu o objeto?- perguntou o médico abismado com toda aquela história e a imagem na radiografia.
-Antes de ontem. Não é filho?- perguntou a senhora com ar de preocupação.
-Certo, ele terá de ficar aqui no hospital em observação até que se decida o que será feito!-concluiu o médico.
-Não precisa doutor!- interferiu o paciente orgulhoso.
-Já tô acostumado!.. Já engoli pregos, tampinhas de garrafas e outras coisas que não me lembro. Com o garfo ganhei dez reais na aposta!

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