sexta-feira, 18 de setembro de 2020

BEM FEITO

Nesta manhã de quarta-feira, 10/06/2020, o presidente da República Jair Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada,  em meio ao seus apoiadores, foi cobrado por uma mulher, que afirmou ser sua eleitora. Ela segurava um cartaz com o número de mortes por coronavírus no Brasil.
“Eu estou aqui fazendo cartazinhos só com números para o senhor ver. Porque não são 38 mil de estatística, são 38 mil famílias que estão morrendo nesse momento. São 38 mil pessoas que estão chorando!”, disse a mulher.
“Eu vim aqui de todo coração. Eu sinto que o senhor traiu a população!”.
A mulher ainda reclamou que o presidente estava entregando cargos para o Centrão, o que havia prometido que não o  faria, se eleito. 
O presidente Bolsonaro, ao ouvir as cobranças, perdeu a compostura e respondeu repetidamente e irritado: "Sai daqui, você já foi ouvida. Cobre seu governador!". .. Depois ignora a eleitora e desaparece entre seus apoiadores.
Fiquei angustiado a o ver aquela mulher sendo desrespeitada publicamente e diante das câmeras de TV, dizendo que sentia-se traída por alguém, que lhe pareceu  ser a solução dos problemas do país. Pensei, enquanto assistia a reportagem, no quanto é frustrante quando somos enganados com falsas promessas, principalmente no período pré-eleitoral. Por outro lado, o presidente da republica,  nunca fez questão de esconder suas intenções antidemocráticas, como também sua personalidade explosiva.
Pra terminar, esta é uma daquelas situações que sempre me divide: Um que se compadece com a ingenuidade de alguns eleitores e o outro que internamente grita um "Bem feito"

domingo, 7 de junho de 2020

O CAVALEIRO DO APOCALIPSE


Quando vive-se num mundo onde os valores humanos, de justiça e verdade, são desrespeitados por falta de carácter, ganancia por poder e corrupção a toda prova por governantes em todos os âmbitos políticos, que detêm o poder, tenho a impressão de que não há muito a ser feito. Como reverter este quadro dramático, que nos deixa absolutamente inseguros, afetando nossa segurança, o nosso modo de viver, pensar, reagir?
O Brasil virou uma grande piada internacional, as grandes discussões nos setores políticos, são irrelevantes e parecem briguinhas de adolescentes em busca de popularidade e poder. O presidente é desinformado, mal educado, preconceituoso e sem condições de ser um chefe de estado
Provou incompetência ao lidar com uma das mais avassaladoras  pandemias do século XXI, falhou no supervisionamento do desmatamento criminoso que destrói a maior floresta do mundo, não apresenta programas sociais como por exemplo,a (erradicação da pobreza, da criminalidade, da violência contra a mulher, do abuso infantil e etc...) 
Sua intolerância e desrespeito atinge não só os negros, mas também os índios que foram os primeiros donos dessa terra. Ignora protocolos institucionais como um ditador e não vivesse num país cujas as regras democracias devem ser respeitadas. Namora claramente com idéias fascistas, com a volta da ditadura militar e a restituição do AI-5, uma das fases mais violentas e obscuras que o pais já viveu. 
👀Golpe? Ou não golpe?..👀 O povo brasileiro já se desgastou a o mencionar ou ouvir esta palavra "golpe", que dividiu o país em dois, em 2016 e transformando-a num sentido jocoso.
 💬Ora, ora minha gente, não sejamos ingênuos. O risco de golpe de estado, não é delírio de alarmistas: ele é real e imediato. Desde que entrou pra politica, Bolsonaro não escondeu pra que veio e depois de conquistar seu lugar como chefe maior de estado, vem causando o caos por onde passa e retirando todas as conquistas sociais implementadas pelos governos anteriores. A pandemia e um prato exótico que veio a calhar num momento oportuno, aprofundando a recessão e eventuais escândalos de corrupção. Negar a pandemia é oportuno para o seu governo, que descarta desumanamente um significado numero de pessoas que oneram os cofres públicos por serem na maioria pobres, negros e velhos!..
Houve uma grande divisão de opiniões no país, quando a presidenta Dilma Russef, sob grande pressão, foi destituída do cargo, pelas "pedaladas fiscais" em seu governo e não aceitar fazer acordos, (se blindar politicamente) com o apoio do Centrão. Sua saída gerou varias discussões entre os cientistas políticos que analisavam: Foi golpe ou não foi golpe, lembram?
Para quem desconhece o Centrão, refere-se a um conjunto de partidos políticos no governo, que não possuem uma orientação ideológica específica e tem como objetivo assegurar uma proximidade ao poder executivo, de modo que este lhes garanta vantagens e lhes permita distribuir privilégios por meio de redes clientelistas.
👀E agora José?...👀
Agora o presidente Bolsonaro para não ser destituído do cargo, (impeachmado), por suas atitudes claras de um ditador, tenta com manobras anticonstitucionais, inviabilizar o poder do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal e suprimir-se de outros crimes de responsabilidade cometidos. Se alia ao Centrão, que é detentor de um vantajoso numero de votos, para adquirir blindagem, como um dos cavalheiros do apocalipse desfilando a cavalo nas proximidades da rampa dos três poderes. 
No livro bíblico de Revelação ou Apocalipse, os quatro cavaleiros são respectivamente: A peste, a guerra, a fome e a morte. Qual dos quatro o presidente representa?

quinta-feira, 4 de junho de 2020

SENTINDO FALTA DE UM ABRAÇO!


A pandemia do corona vírus, tem obrigado as pessoas ficarem confinadas em suas casas, sem qualquer tipo de contato social ou físico com quem vem da rua, ou de outro ambiente, para evitar o contagio da doença que se prolifera assustadoramente pelos quatro cantos do planeta. Enquanto isto não passa, eu como qualquer mortal, no grupo de risco e que mora sozinho, tenho que manter meu isolamento na companhia da TV com filmes e programas repetitivos, das musicas selecionadas no celular e alguns livros que antecipadamente haviam me emprestado.
As circunstancias, criaram algumas rotinas necessárias, como limpar a casa, preparar as refeições, recolher o lixo, algumas coisas que já fazia, outras que era auxiliado, mas que agora parecem ter um novo peso e medida. 

Olhar o mundo pela janela ou por aquele retângulo de 52 polegadas, pendurado na parede, é como não estar no mundo real, me põe atrás de uma película transparente, numa posição estática de um expectador engessado que não interage integralmente com oque acontece, não me relaciona diretamente com meu interlocutor. O contato físico que antes era possível na demonstração dos sentimentos e afetos, foi vetado como medida de segurança. Meus sentimentos se introjetam e se perdem em algum lugar. Já estou sentindo falta de um abraço verdadeiro e não de um virtual!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

A GUERRA CONTRA O RACISMO

Será que é só eu, que me sinto cansado, desestimulado, desamparado, pensando que o mundo não tem mais saída e que as pessoas não vão melhorar e que qualquer promessa positiva de mudança é somente um engodo pra continuarem egoístas, preconceituosas, intolerantes, violentas e infelizes?.. Eu como cidadão brasileiro e negro, não aguento mais viver com tantas injustiças cometidas com seres humanos da minha cor.

Acontece que desde do dia 25 de maio de 2020, começou um protesto em varias cidades americanas, que já dura quase uma semana e promete não parar tão cedo, a menos que os governantes tomem medidas legais que não discriminem os cidadãos pela cor da pele no país, dando-lhes direitos igualitários na sociedade americana branca. A passeata iniciou-se em repudio a abordagem feita por um policial branco a um homem negro, George Floyd , em Minneapolis, que foi asfixiado, até a morte, mesmo depois de ser imobilizado. A passeata que tem adesão também de cidadães brancos, se espalha por outras cidades americanas e pelo mundo, de forma pacifica, tentando sensibilizar os governantes, quanto ao tratamento agressivo dado as camadas menos favorecidas nos EUA, como negros, latinos, gays, judeus e outros, o que não se diferencia daqui do Brasil.


As manifestações que tomam as ruas dos EUA pelo oitavo dia seguido, em protesto a morte de George Floyd, não somente é legitima quanto justa, num país de primeiro mundo e visibilidade global. 
A imagem do policial com o joelho sobre o pescoço da vítima, que, deitada na rua e imobilizada, dizia "não consigo respirar", foi o gatilho da onda de indignação que tomou o país após divulgação da imagem gravado por algum transeunte, nos meios de comunicação.
O manifesto virou num caldeirão que protesta não só contra o racismo, mas as agressões da policia americana, e a segregação do estado contra negros, gays, imigrantes, judeus e católicos, que sofrem humilhações da supremacia americana branca por anos. 
E quando se fala em supremacia branca, devemos pensar em uma forma de racismo centrada na crença (e na promoção desta crença) de que os brancos são superiores a pessoas de outras origens raciais e que, portanto, os brancos devem governar politicamente, economicamente e socialmente, os não-brancos são considerados uma sub-raça sem nenhuma garantia de direitos.
Manifestações semelhantes ocorreram  em 2014 no Estado do Missouri, onde o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, havia sido morto por um policial branco. O presidente do país era Barack Obama e em 1968, após o assassinato do líder de direitos civis Martin Luther King Jr.
No Brasil, em Maio de 2020, João Pedro Matos Pinto, um menino negro, de 14 anos, foi baleado e morto dentro da casa de seu tio, em São Gonçalo-RJ, pela policia federal em ação com a policia civil, é a prova de que o alvo da policia, são na grande maioria jovens/adolescentes e crianças negras/inocentes, que sofrem violência por sua condição e cor de pele.

terça-feira, 2 de junho de 2020

O INIMIGO INVISÍVEL



É Inacreditável  constatar que muitas pessoas, nestes últimos meses, não acreditam que estamos vivendo dias de caos, atingidos por uma epidemia onde milhares de pessoas perdem suas vidas por falta de recursos no sistema de saúde, em franco colapso. Faltam, hospitais, respiradores, medicações eficientes para combater o covid-19, protagonista desta guerra que faz vitimas fatais no mundo inteiro.
São noticiados diariamente, dezenas e centenas de pessoas morrendo e outras sendo contaminadas a todo momento, num assustador painel de números com baixas, que não param de crescer. Já passamos das mil mortes por dia, é como se oito aviões caíssem a cada 24 horas no Brasil e mesmo assim, com esta triste realidade e a orientação de confinamento em suas casas, como medidas protetivas, as pessoas ignoram, saem para as ruas desprotegidas, sem mascaras, com o intuito de se divertirem em praias, passearem nos shoppings, levarem seus cãezinhos para tomar sol nas praças publicas, alimentando visivelmente aquele sentimento de negação ao que está acontecendo. Passamos a usar novas palavras, no nosso dia a dia, que até então desconhecíamos do nosso dicionario: Covid-19, Lockdown, hidroxicloroquina.


Na contramão desta luta contra a pandemia, que já dura três meses, vivemos dias de instabilidade politica, com discussões absurdas, desmandos e quedas de braço, onde o presidente da Republica desrespeita as medidas de prevenção estabelecidas pelas comunidades cientificas mundiais e trata a pandemia como se fosse uma gripe comum. Politicamente articula medidas e decisões antidemocráticas para mobilizar o país e assim conduzi-lo de acordo com os seus próprios interesses duvidosos.
Estamos vivendo um período critico, que nos faz questionar o modo como vivemos e as regras politicas sociais e econômicas que nos são impostas. A cada dia evidencia-se a necessidade de um nova plataforma de viver e de nos relacionarmos com o mundo a nossa volta, respeitando o meio ambiente e a cada individuo, sem discrimina-lo pela cor, crença, gênero, status quo. 
Que tenhamos força para vencer o inimigo invisível e que ele sirva de lição para que nos tornemos seres humanos melhores!


sexta-feira, 29 de maio de 2020

MOVIMENTO


Devo ter algum parentesco com aqueles crustáceos que vivem no mangue fétido e lamacento do Sergipe, escondido entre as raízes submersas, na lama negra e gorda que sustenta outros seres invisíveis. Tenho esta camada externa dura, que parece uma armadura, mas por dentro, sou molinho, molinho, qualquer coisa me arrebata, qualquer coisa me arrebenta!.. Por fim, não sou nada, apenas movimento de fragmento na lama!

MULHERES NEGRAS QUE FIZERAM HISTÓRIA - CAROLINA DE JESUS.

"A COR DA FOME É AMARELA." Disse certa vez, Carolina Maria de Jesus, uma mulher de origem pobre, negra, favelada, que com suas lutas e sensibilidade, foi capaz de criar seus filhos e ainda perpetuar seu nome, na historia literária do país.
Seu cotidiano de dificuldades na favela, a fez escrever um diário, que virou um livro "QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA", que ganhou o mundo, com um milhão de exemplares e foi traduzida em quatorze línguas, tornando-se um dos livros brasileiros mais conhecidos no exterior.
Uma pergunta que eu me faço, é:
Como um livro desta grandeza e que rodou o mundo, se tornou desconhecido pela maioria dos brasileiros?



Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, numa comunidade rural, de pais negros analfabetos. Era filha ilegítima de um homem casado e foi maltratada durante toda sua infância. Aos sete anos, sua mãe a obrigou a frequentar a escola, depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar seus estudos, mas ela interrompeu o curso no segundo ano, tendo já conseguido aprender a ler e a escrever e desenvolvido o gosto pela leitura.
Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer material que pudesse encontrar. Saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.
Em 1947, aos 33 anos, desempregada e grávida, Carolina instalou-se na extinta favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, num momento em que surgiam na cidade as primeiras favelas. Ao chegar à cidade, conseguiu emprego na casa do notório cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini, médico precursor da cirurgia de coração no Brasil, o que permitia a Carolina ler os livros de sua biblioteca nos dias de folga. 
Em 1948, deu à luz seu primeiro filho, João José. Teve ainda mais dois filhos: José Carlos e Vera Eunice, nascidos em 1949 e 1953 respectivamente.
Ao mesmo tempo em que trabalhava como catadora, registrava o cotidiano da comunidade onde morava, nos cadernos que encontrava no material que recolhia, que somavam mais de vinte. Um destes cadernos, um diário que havia começado em 1955, deu origem ao seu livro mais famoso, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960.
O livro veio a publico, quando o jornalista Audalio Dantas, visitando a favela, conhece Carolina e fica encantado com seu diário, promovendo e auxiliando na publicação da obra.
Quarto de Desejo foi um sucesso de vendas no Brasil e no exterior, levantando até suspeitas acerca de sua composição, ou seja que o próprio jornalista teria forjado a obra para alcançar sucesso comercial
Publicado em 1960, a tiragem inicial de Quarto de Despejo foi de dez mil exemplares e esgotou-se em uma semana. Desde sua publicação, a obra vendeu mais de um milhão de exemplares e foi traduzida em quatorze línguas, tornando-se um dos livros brasileiros mais conhecidos no exterior. Depois da publicação, Carolina teve de lidar com a raiva e inveja de seus vizinhos, que a acusaram de ter colocado suas vidas no livro sem autorização.
Em março de 1961, uma reportagem afirmou que a publicação de Quarto de Despejo havia rendido a Carolina seis milhões de cruzeiros em direitos autorais, contudo a quantia exata variava, de acordo com a reportagem.
Depois da publicação de Quarto de Despejo, Carolina mudou-se para Santana, bairro de classe média, na zona norte de São Paulo. 
Em 1963, publicou, por conta própria, o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios. Posteriormente, em 1969, Carolina acumulou dinheiro suficiente para se mudar de Santana para Parelheiros, uma região árida da Zona Sul de São Paulo, no pé de uma colina. Próxima de casas ricas, local de algumas das mais pobres habitações do subúrbio da cidade, com impostos e preços menores, era lá que Carolina esperava encontrar solitude. 

domingo, 24 de maio de 2020

MULHERES NEGRAS QUE FIZERAM HISTÓRIA - LAUDELINA

Um documentário sobre a história de vida da líder sindical Laudelina de Campos Melo, foi lançado em 2015. Parceria entre o Museu da Cidade e o Museu da Imagem e do Som (MIS), ambos de Campinas, o filme Laudelina: Lutas e Conquistas combina interpretação da atriz Olívia Araújo (Tempo de Amar), que dá vida à Laudelina, e trechos de uma entrevista com a ativista feita em 1989. Assista no player abaixo:




A Proposta de Emenda Constitucional 66/2012, a PEC das Domésticas, foi aprovada em 2013. Por meio dela, a categoria passou a ter uma série de direitos garantidos, incluindo carteira assinada, FGTS, seguro desemprego, férias remuneradas e adicional noturno. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), existem hoje no Brasil cerca de 7,2 milhões de trabalhadores domésticos. Desse total, 93% são mulheres. E dessas mulheres, 62% são negras.

A aprovação da emenda foi motivo de comemoração para milhares de trabalhadoras, que passaram a ter condições mais dignas de trabalho. Do outro lado, os empregadores se sentiram ameaçados com que chamaram de "encarecimento do serviço".
Para além desse embate, importa ressaltar a conquista de direitos de todas as domésticas passa fundamentalmente pela história de uma mulher negra.

Criadora do sindicato das domésticas de Campinas, em 1936, o primeiro do Brasil, fechada durante o Estado Novo, e voltando a funcionar em 1946. Laudelina teve uma trajetória que combinou, de forma singular, a resistência pela valorização do emprego doméstico, o feminismo e ativismo pela igualdade racial.
Nasceu em Poços de Caldas, Minas Gerais, em 1904. Sua mãe era empregada doméstica e doceira na cidade. Ela perdeu o pai, que era lenhador, aos 12 anos em um acidente de trabalho e teve que abandonar a escola ainda no primário para cuidar dos cinco irmãos menores e ajudar a mãe nas lidas domesticas e nos preparos dos doces.
Antes de completar 18 anos, Laudelina teve sua primeira experiência como empregada doméstica, nesse momento nasceu a indignação com o cotidiano marcado pelo racismo dos patrões, além da exploração e más condições do trabalho doméstico.
Aos 20 anos, Laudelina se mudou para São Paulo, e casou-se, com Geremias Henrique Campos Mello. Em 1924 mudou-se para a cidade de Santos, onde teve seu primeiro filho. Junto do marido, Laudelina participou da agremiação Saudade de Campinas, grupo que valorizava a cultura negra em Santos.
O casal se separou em 1938, com dois filhos como resultado da união. Laudelina passou a atuar de forma mais intensa em movimentos populares, de cunho político e reivindicatório, especialmente depois de se filiar ao Partido Comunista Brasileiro, em 1936. 


Neste mesmo ano, Laudelina fundou a primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país, fechada durante o Estado Novo, e voltando a funcionar em 1946. Laudelina também trabalhou para a fundação da Frente Negra Brasileira, militando na maior associação da história do movimento negro, que chegou a ter 30 mil filiados ao longo da década de 1930.
Em 1948, a família para a qual Laudelina trabalhava a convidou para ser gerente do hotel fazenda que possuíam em Mogi das Cruzes, onde permaneceu por três anos. Com a morte da matriarca da família, Laudelina foi para Campinas, cidade que dava preferência às empregadas brancas, o que levou Laudelina a protestar junto do Correio Popular por veicular anúncios preconceituosos. Integrou-se ao Movimento Negro de Campinas, participando de eventos que visavam levantar a autoestima da comunidade negra, com teatros e palestras, inclusive promovendo, em 1957, um baile de debutantes (Baile Pérola Negra) para jovens negras, no Teatro Municipal de Campinas.


A Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas esteve em diversas frentes e lutas, em especial contra o preconceito racial. Mil e duzentas empregadas domésticas estiveram no ato da inauguração da associação, em 18 de maio de 1961. No ano seguinte, foi convidada para participar da organização de diversos sindicatos da categoria em outros estados, participando também de movimentos negros e feministas.
Em 1988, a associação se tornou Sindicato das Empregadas Domésticas e continuou a lutar em favor do direito das empregadas domésticas, combatendo a discriminação da sociedade em relação às empregadas domésticas, exigindo melhor remuneração e igualdade de direitos sociais.
Laudelina Campos de Melo morreu dia 22 de maio de 1991, em Campinas. Dois anos antes foi criada a ONG Casa Laudelina de Campos Mello, que busca honrar o legado da líder sindical. A entidade promove ações focadas no empoderamento, na autonomia econômica, na produção e troca de conhecimentos e também formação e qualificação profissional de mulheres negras.

**As informações apresentadas neste post 
foram pesquisadas retiradas dos sites:

Você também pode gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...