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UMA MÃE EMPRESTADA.

Lembro-me que gostava mais da tia Maria, do que da minha própria mãe e de todo o resto da família que a vida me apresentou e hoje por alguma razão, voltei a sentir sua falta, do calor de seus braços que me aninhavam nas noites solitárias de inverno, quando cobertores eram poucos e cães uivavam nas esquinas da minha rua.
Tia Maria era vista por alguns parentes e conhecidos, como uma andarilha. Depois do trabalho, saia a visitar parentes que a acolhiam em suas casas, em função de algumas privações pela qual passava. Caminhava grandes distancias, arrastando sacolas que mal conseguia carregar. 
Embora tivesse um marido, preferia muitas vezes pousar fora de casa. Talvez quisesse fugir de sua dura realidade.
Lembro-me de vê-la chegando na minha casa, carregando suas sacolas, do seu silencio, do seu sorriso, da paciência para me ouvir e de me contar histórias, da sua sensibilidade que às vezes a fazia chorar e a lamentar as dificuldades e pobreza em que vivia, do seu visível carinho por mim e de me ter como a um filho.
Curioso lembrar dela, neste momento, nesta noite chuvosa em que o vento dobra as arvores, sentir sua falta, do seu café com leite e pão torrado, do seu lenço preso na cabeça, do seu vestido presenteado por alguma patroa, do seu cheiro de mãe emprestada e que agora, me causa esta saudade apertada.
Se eu pudesse, eu a traria de volta, lhe serviria o mesmo café, com pão torrado e falaríamos dos velhos tempos. Ouviríamos o vento soprar lá fora, dormiríamos juntos e abraçados.

Canção de Amor


Minha mãe cantava esta musica ao pé do meu ouvido, enquanto fazia as lidas da casa, alinhavada com lembranças de sua juventude e desabafos pessoais. Dizia-me que não era feliz no casamento e que muitos sonhos deixou para traz por ter assumido a responsabilidade de criar decentemente a mim e meus irmãos. Cresci e por muito tempo sentia culpa por te-la impedido de voar sobre os mares de sua vida. Hoje eu sei que mesmo sendo uma criança eu era o único disponível para ouvi-la.

Saudade, 
torrente de paixão
Emoção diferente
Que aniquila a vida da gente
Uma dor que eu não sei de onde vem
Deixaste o meu coração vazio
Deixaste a saudade
Ao desprezares aquela amizade
Que nasceu ao chamar-te meu bem
Nas cinzas do meu sonho
Um hino então componho
Sofrendo a desilusão
Que me invade
Canção de amor, saudade

(
Elano de Paula/Chocolate).


RECANTOS DA CIDADE, ILHOTA.


Trafegar pelas ruas da cidade, me deixa cada vez mais intimo de Porto Alegre e também apaixonado por seus cantinhos pouco visto, menos explorados e até desconhecidos por mim. Hoje quando passei em frente da Redenção, o parque Farroupilha, fiquei observando aquelas árvores frondosas e antigas que embelezam há tanto tempo o parque e me lembrei de quantas vezes em minha infância brinquei ali, corri pelas estradinhas de terra e rolei pela grama.



Depois, me desloquei para a Travessa dos Venezianos, rua estreita de paralelepípedos antigos e habitada no passado por tipos populares como boleiros, prostitutas, jornaleiros, carvoeiros, pais de santo, boêmios, consertadores de guarda-chuvas, imigrantes italianos. Também famosos como Lupicínio Rodrigues, mestre Borel e Custódio José de Almeida, o Príncipe Negro que morava nas redondezas e que hoje é tombada como patrimônio histórico da cidade.


Estas casas originalmente eram ocupadas por pessoas de renda muito baixa, em regime de aluguel, que com o passar dos anos seus ocupantes passaram a ser os proprietários. Sua denominação deriva do antigo nome da rua Joaquim Nabuco - Rua dos Venezianos - sendo que esta travessa era um beco que a ligava à Lopo Gonçalves. 
Fiquei alguns minutos sem entender ao certo a razão do meu saudosismo e desejando intimamente que tudo fique protegido, como o pai preteje o filho e o filho a o avô e que mais nada desta importância histórica e cultural, não seja engolido por conta do progresso da cidade, como grande parte já foi. Que tudo permaneça no seu lugar, respeitado e preservado.
A "Travessa Venezianos" é um conjunto de 17 bens tombados pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre

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