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UM NOVO CENÁRIO PARA CONTINUAR.


Viver, trabalhar, relacionar-se na obrigatoriedade do dia a dia, pode se transformar numa rotina repetitiva e estafante, cujo o final é uma bomba-relógio, que te põe doente e sem outras perspectivas, então é necessário olhar pros lados na busca de energia em pequenas coisas ao redor, trocar de canal, cantarolar aquela musica que gostamos de ouvir, transformar historias comuns em poesia, reinventar-se para que a vida tenha fundamento e a morte não seja apenas uma fatalidade, um passo sem explicação.
Hoje pela manhã, depois de inúmeras investidas para trazer um homem de volta à vida e nada conseguir, enormes pedras cercadas por margaridas, num jardim em sua residencia, roubaram-me a atenção por alguns minutos; A grandiosa beleza e delicadeza das flores, me fizeram pensar nas dualidades de se estar vivo, diante de todas essas imposições morais e sociais que imprime nossa identidade, nosso caráter...
E ai, que por vezes é necessário que nossa mente saia desses campos minados de armadilhas, para um novo cenário de silencio e de contemplação, que nos faça  ouvir a  própria voz, que nos remeta novamente a alegria e a aceitação de viver neste mundo de duras regras, sem muitas explicações.


Futuro incerto.

A morte faz a gente repensar na vida, avaliar valores e conceitos pessoais nesta dicotomia que nos deixa tão às escuras do porque serve nascer, viver e morrer.
Eu particularmente nunca consegui me satisfazer com respostas de que existe vida depois da morte e que vamos para um lugar melhor do que este em que vivemos, ja que temos chances de construir um mundo melhor aqui mesmo. Uma outra vida depois da morte é pra mim tão duvidoso quanto a existência de ETÉS em outros planetas. Mas a morte de minha amiga, está me fazendo refletir sobre o hoje, mesmo com pouca esperança neste futuro incerto.


Um velho poliglota viajante.

Há poucas horas, soube da morte de Rubens. Ele era meu vizinho e com quem eu gostava de trocar alguns dedos de prosa, quando nos encontrávamos pela rua, no mercadinho, na padaria onde costumava tomar o seu café, olhando os carros rodarem com velocidade na Avenida Ipiranga. Ficamos conhecidos, depois que lhe prestei um atendimento de urgência na ambulância e ele passou a me confundir com um vereador que nunca lembrava do nome.
Aos 82 anos de idade, morava sozinho num quarto de pensão, perto da minha casa e tinha problemas cardíacos sérios. Seu quarto era apertado e úmido, com amontoados de livros e revistas que costumava ler e reler durante a noite quando perdia o sono.
Era conhecido na vizinhança por falar vários idiomas e de ter rodado o mundo e conhecer cidades de dar inveja a qualquer principiante à aventureiro. Me falava sobre Londres, Alemanha, Bélgica, Itália e muitos outros lugares que conheceu e tinha saudades, nas suas longínquas vivencias da juventude. Me falava  com certa elegância  de ter decido viver sozinhos e por vezes de sua solidão e da família que não mais o via. _Tudo segue o seu destino!.._ costumava dizer seguido de um discreto sorriso.      Hoje quando me falaram de sua morte, lembrei de suas palavras e pensei: Ele seguiu o seu!

A morte não lhes cai bem

Acordei às 10 horas e quando percebi, magicamente já tinha passado do meio dia. Gostaria de não estar em casa neste Sábado quente e sugestivo de lazer, mas levantei fraco de "boas ideias" e por fim desanimei. Queria num estalar de dedos estar num desses paraísos apresentados pelo Globo Repórter com muito verde e muito céu azul sem ter que pegar carro e programar rotas. Às 19 horas, fui na missa póstuma para Iolanda que emocionalmente pra mim, não parece ter partido. Algumas amigos mesmo mortos parecem somente não estarem presentes nos nossos dias, na nossa rotina. É como se a morte não lhes caíssem bem e a gente ficasse se esforçando para acreditar no que parece ser apenas uma mentira.

Conjugar o verbo morrer

Eu sei, tu sabes e acho que todo mundo sabe que um dia iremos morrer embora seja difícil conjugar este verbo no "nosso tempo" e de que forma acontecerá. Abandonaremos esta carcaça velha e partiremos para algum lugar com nossa alma, espírito ou sei lá como chamar, intacto, jovem, como se nenhuma alteração tivesse sofrido com o decorrer do tempo, ao contrario do nosso corpo que vem perecendo dia após dia. Mas fico pensando também, que se depois de mortos, não tivermos mais esta consciência dos dias em que vivemos por aqui, na terra, perderemos toda a referência, as lembranças boas e más, os amores, os amigos e aí que graça tem?... É como ganhar o prêmio Nobel sem nunca sabermos que ganhamos, ser reconhecido por algo somente depois de morto, como os pintores do século passado que nunca souberam que viraram gênios de suas obras. Será que o premio final é isto, a inconciência de tudo que somos e que vivemos? Ontem à noite quando atendi um homem atropelado na avenida e percebi que não havia mais vida naquele corpo, jogado sobre uma poça de sangue e que uma de suas pernas fora amputada e arremessada do outro lado da calçada, percebi também a fragilidade das coisas e a rapidez com que se transformam em outras. Ali estirado, não parecia ser gente, era um pedaço de carne ensanguentada e imóvel. Cobri seu corpo com um lençol e afastei-me repetindo pra mim mesmo que era um homem e que talvés nem percebera que havia chegado a sua hora.

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Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...