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NOITE DE VENTO, NOITE DOS MORTOS

Ontem quando choveu por aqui, uma forte ventania quase derrubou arvores e foi arrancando galhos que varreram  ruas e calçadas. 
A cidade não só parecia vazia, mas singularmente transformada em outra.
Estes ventos que sopram forte por aqui, me jogam nas paginas de Érico Veríssimo, me fazem lembrar dos gestos duros das mulheres do interior, do seu silencio, do amargo dos seus chás, da doçura no olhar que guarda a esperança por tempos e ventos de possíveis mudanças.


"E de novo o povoado ficou quase deserto de homens. E outra vez as mulheres se puseram a esperar. E em certas noites, sentada junto do fogo ou à mesa, após o jantar, Ana Terra lembrava-se de coisas de sua vida passada. E quando um novo inverno chegou e o minuano começou a soprar, ela o recebeu como a um velho amigo resmungão que gemendo cruzava por seu rancho sem parar e seguia campo afora. Ana Terra estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia, nas noites de ventania ela pensava principalmente em sepulturas e naqueles que tinham ido para o outro mundo. Era como se eles chegassem um por um e ficassem ao redor dela, contando casos e perguntando pelos vivos. Era por isso que muito mais tarde, sendo já mulher feita, Bibiana ouvia a avó dizer quando ventava: "Noite de vento, noite dos mortos..."
Érico Veríssimo - O Tempo e o Vento

LEMBRANDO DE ANA TERRA.



Até as onze da manhã ninguém atendia o telefone móvel ou fixo. Caixa de mensagens vazia. Talvez todos estivessem offline. Será que todos resolveram levar flores no cemitério e enfrentar aquele engarrafamento de pessoas tristes com flores nas mãos, saudosas e silenciosas?
Este ano não ventou, não aconteceu o conhecido vento característico do Dia de Finados, a o contrario, veio um Sol forte, bom para quem está na praia, tomando um banho de mar e neste momento fazer uma pequena introspecção para lembrar o quanto seria bom a companhia daquela pessoa que partiu se estivesse ali juntos, compartilhando alegrias da vida, aproveitando este belo dia. Desta forma é possível avaliar a morte, vivendo a vida.
Agora, penso na inexplicável relação que tenho com o vento e sei que no Dia de Finados, ele sempre se apresenta deixando a própria marca, rara exceção ao de hoje, então passo a lembrar-me de Ana Terra, do Livro "O Continente"- de Érico Veríssimo cujo um trecho diz o seguinte:

"E de novo o povoado ficou quase deserto de homens. E outra vez as mulheres se puseram a esperar. E em certas noites, sentada junto do fogo ou à mesa, após o jantar, Ana Terra lembrava-se de coisas de sua vida passada. E quando um novo inverno chegou e o minuano começou a soprar, ela o recebeu como a um velho amigo resmungão que gemendo cruzava por seu rancho sem parar e seguia campo afora. Ana Terra estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia, nas noites de ventania ela pensava principalmente em sepulturas e naqueles que tinham ido para o outro mundo. Era como se eles chegassem um por um e ficassem ao redor dela, contando casos e perguntando pelos vivos. Era por isso que muito mais tarde, sendo já mulher feita, Bibiana ouvia a avó dizer quando ventava: "Noite de vento, noite dos mortos..."

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