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ESTAÇÃO ASTRONÔMICA AUSTRAL ABANDONADA - URBEX


Foi em 2014 num passeio pela a Patagônia Argentina, que eu e mais dois colegas de viagem encontramos em plena Ruta 04, na província de Santa Cruz e os lagos Argentinos, esta instalação metálica, no meio do nada e que nos parecia ser uma Estação Astronômica.
Havia uma janela parcialmente aberta onde podia-se, com bastante dificuldade, ver seu interior vazio e em precárias condições.



Aparentemente, não existia uma porta de entrada o que também propiciou sua deterioração, como uma capsula de metal fachada recebendo todas as intempéries do tempo e possíveis predações de alguns visitantes.
O observatório começou a operar por volta de 1957, tendo na década de 70 o encerramento de suas atividades por dificuldades financeiras.


Fizemos muitas brincadeiras de apelação psicológicas, quando localizamos a estação no meio do nada, a uma longa distancia da estrada absolutamente vazia, onde estacionamos o carro e invadimos a área, cercada  por arames farpados.


Brincávamos que aquele objeto arredondado e metálico, que as vezes brilhava com a inserção do sol, poderia ser alguma plataforma espacial invadida por extraterrestres e que por isto estava abandonada naquele lugar e que talvez fossemos as próximas vitimas a serem abduzidas, por seres interplanetários e que nunca mais seríamos encontrados.


Em fim, estávamos completamente fora de nossas caixinhas e com uma imaginação tão fértil e  infinita, quanto o céu que apesar de claro como o dia, marcava 21 horas da noite. Coisas da Patagônia!..
Retornamos para Ushuaia sãos e salvos, com muitas fotos registradas no celular e historias para contar aos que não participaram da experiência.



Até o próximo passeio!

A SENZALA ESQUECIDA, EM PORTO ALEGRE. URBEX


Conheci ontem junto com meu colega, o que sobrou de uma antiga construção na Lomba do Pinheiro e que segundo alguns moradores das redondezas, possuía em seu porão uma senzala com instrumentos onde eram aprisionados os escravos nos séculos passados e que por esta razão o lugar é conhecido como a "Senzala da Lomba do Pinheiro". Na verdade constatamos que nada mais existe no local, alem de ruínas e um cofre destruído, que supostamente continha documentos de compra de escravos e que foram queimados, quando vândalos e ladrões invadiram esperando encontrar ouro e outros objetos de valor.


As ruínas na verdade, são vestígios de duas construções afastadas uma da outra e encrustadas no meio do mato: Uma com paredes feitas de pedra medindo mais de 50 centímetros de espessura, fazendo-me lembrar das antigas construções que conheci em Alcântara no Maranhão e a outra, que acredito ser menos antiga, com paredes de pedra e tijolos grandes e um tipo de reboro cujo os componentes são de difícil identificação pela ação do tempo e a minha falta de conhecimento técnico no assunto, mas visivelmente muito antiga.


Segundo o que nos contou dona Maria, uma das moradoras locais e cuidadora da senzala, o aumento do numero de pessoas e invasores, que iniciaram a construir suas casas naquela área antes quase deserta, a antiga casa e sua senzala, foi sendo destruída pelos novos moradores que ali foram se estabelecendo e saqueavam telhas, pedras, ferro e tudo que achavam reutilizável na construção de suas próprias casas, assim como outras pessoas que simplesmente depredavam por se tratar de uma casa velha e sem interesse. Mesmo com o seu pedido de conservação entre os moradores vizinhos, era sumariamente ignorada.

cofre pertencente a casa
Algumas vezes foi solicitado por ela a ajuda da policia, da prefeitura e de alguns meios de comunicação para que fossem criados algumas medidas no que se refere a proteção da casa e sua senzala, mas nada foi feito, até a sua completa transformação numa ruína sem qualquer registro histórico que se tenha conhecimento.
Conforme Claudio Garcia Teixeira, ex presidente da Associação de Moradores da Quinta do Portal, que me acompanhou nesta visita, de 1998 à 2002 a antiga construção ainda se mantinha preservada, com cobertura de telhas de barro, azulejos europeus em algumas paredes e uma enorme banheira de mármore que posteriormente foi roubada. No porão da casa haviam correntes com tornozeleiras de ferro onde possivelmente eram amarrados os escravos. Nos fundos do pátio uma espécie de tronco e também uma imensa gaiola de ferro sem cobertura onde acreditavam que os escravos eram mantidos encarcerados. Foi também neste período que ele como presidente comunitário, tentou buscar apoio junto a Secretaria Municipal da Cultura, RBS, Correio do Povo e Rede Bandeirantes que lá estiveram, fotografaram e nada mais foi feito.


Dona Maria acredita que talvez não tenha buscado o apoio necessário para a salvação do lugar, por não ter conhecimento sobre os meios adequados para isto, já que possui pouca instrução.
Claudio Garcia disse que depois de informar a Secretária da Cultura, a mesma informou que a área se tratava de uma propriedade particular e passava por especulações imobiliárias cujo o dono de sobrenome Chaves Barcelos, morava nos Estados Unidos.
Ao questionarmos se o abandono e a falta de interesse na proteção deste patrimônio por parte dos órgãos públicos, seria pelo fato de estar localizado, num área distante e pobre da cidade, afastando o interesse em sua conservação e divulgação, dona Maria se posicionou positivamente:
_Quem viria do centro da cidade até aqui para ver um senzala?.. Só o senhor mesmo!.. disse-me sorrindo e meio sem graça. Quanto ao fato da área pertencer a alguma família de posses, ela negou conhecimento.



Como chegar onde foi a senzala:
A senzala, ou melhor dizendo o que sobrou dela, fica localizada no Bairro Lomba do Pinheiro-parada 6, seguindo pela Estrada Afonso Lourenço Mariante, na segunda entrada à esquerda, no Beco das Oliveiras que é sem saída. No final do beco, cruza-se por uma clareira sombreada à direita, seguindo por uma pequena trilha, (caminho de motociclistas adeptos do rally), uns 200 metros à frente, escondida no matagal. Esta área coberta pelo mato, faz divisa com um pequeno loteamento chamado Quinta do Portal e Estrada do Rincão no Bairro Belém Velho.
Dona Maria também nos contou que uma forma de ver e apreciar como era antes este casarão e sua senzala é assistindo o antigo filme de Teixeirinha, "Coração de Luto", onde muitas tomadas foram feitas no local. Eu dei uma olhada no filme e nada identifiquei do local.

IVOTI A CIDADE DAS FLORES




Era uma bela manhã de sol quando levantei da cama, olhei pela janela e decidi pegar o carro e sair para conhecer alguma cidade perto de Porto Alegre. Olhei no mapa e escolhi Ivoti à poucos quilômetros da capital.
Ivoti é uma cidade de colonização Alemã, com inicio em (1826) e posteriormente imigração japonesa nos meados de (1966), localizada à 54 quilômetros de Porto Alegre- no vale do Rio dos Sinos. 
São mais ou menos 50 minutos de carro por estradas asfaltadas e bem sinalizadas. 

Significado do nome:
O nome Ivoti é derivada da língua Tupi-Guarani,(ipoti-catu), que significa flor. Sua entrada principal é composta de um elegante pórtico com dois pilares de pedras de arenito à vista, com 10 metros de altura e uma torre onde foi instalado um relógio de mármore nas duas faces. Toda a estrutura do pórtico é estilizado as construções enxaimel, arquitetura colonial alemã da época. 

Casas em estilo enxaimel: 
As casas, são construções com estruturas aparentes de madeira, fixadas por encaixes e pregos de pau (tarugos). As vedações eram feitas de barro amassado ou de alvenaria (pedra ou tijolos) e os telhados de tábuas arredondadas na ponta.


Outra característica, são os tetos baixos e assoalhos em madeira maciça e larga, normalmente de uma grande durabilidade, que resistiu ao tempo até nossos dias. Entrar no interior destas casas é como retornar ao passado e conferir de perto todos os objetos e utensílios usados por seus colonizadores, tudo muito simples e conservado, no Museu Municipal Cláudio Oscar Beckerda, no bairro histórico.


O maior aglomerado de casas construída com esta técnica, está na localidade da Feitoria Nova (Buraco do Diabo), considerado o maior núcleo deste estilo arquitetônico no país. O local é conhecido por este nome, pois os primeiros imigrantes se assustavam com os animais da fauna brasileira, chegando a confundir um Tamanduá com o coisa-ruim. Quanto mais distante do centro da cidade, em direção à áreas rurais, mais encontramos este modelo arquitetônico, que por vezes nos faz lembrar uma casinha de boneca enfeitada com jardins floridos.


Casa Amarela:
Ainda no bairro histórico, encontra-se uma construção de alvenaria antiga e de cor amarela e aberturas branca. A casa em estilo eclético foi construída em 1907, como um importante ponto comercial da região. Foi restaurada, com recursos recebidos do Consulado Alemão em 2007. Atualmente, serve de espaço gastronômico, para quem deseja provar a típica comida alemã nos fins de semana. 


Ponte do Imperador: 
O acesso à Feitoria Nova, se dá cruzando a Ponte do Imperador, outra atração histórica turística de Ivoti. Esta ponte foi construída em pedra Grês, na forma de arcos em estilo romano. As pedras são encaixadas e sem o uso de cimento nos encaixes, somente na parte submersa. Cruza sobre o Arroio Feitoria, construída em 1855 onde recebeu este nome em homenagem à D.Pedro II que destinou 14 contos e 317 réis para sua construção. A ponte localiza-se a 2 quilômetros do centro da cidade e é patrimônio histórico nacional.


Buraco do Diabo:
Todo seu calçamento são de pedras irregulares e por ali circulam veículos que se deslocam do centro da cidade (parte alta), para visitarem o bairro histórico na (parte baixa). Outro motivo para a conservação das casas no local, além da resistência do material empregado, foi justamente o abandono, uma vez que a área é conhecida pelas freqüentes enchentes, recorrentes até os dias de hoje. O local acabou sendo abandonado e a cidade "subiu o morro". Ivoti se desenvolveu onde hoje fica o centro da cidade e o Buraco do Diabo - (Feitoria Nova), acabou ficando abandonada, quando iniciou-se a restauração do conjunto e após as ameaças da construção de uma represa no local.
Hoje é a principal atração turística da cidade, e local onde acontecem vários eventos culturais.


Igreja Abandonada:
Outra atração que chama a atenção dos visitantes, no centro da cidade, é a Igreja Matriz de São Pedro, que os moradores chamam-na de Igreja Abandonada. Contam que o primeiro de outros incêndios que ocorreram, surgiu por ocasião de um menino ter subido em sua torre, com um lampião aceso, na intenção de observar o ninho de um passarinho, deflagrando a destruição do prédio. 


Sua pedra fundamental foi lançada em 1869 e serviu à comunidade, mesmo depois do grande incêndio, ocorrido em 1924. O templo foi tombado pelo Estado em 1986. Seu interior completamente abandonado, dá a sensação de um enorme mausoléu com paredes grossas e corroídas pelo tempo. Eu particularmente fiquei surpreso de encontrar um patrimônio histórico-cultural deste, em total abandono e desinteresse pelas autoridades locais. Encontrei nesta manhã um homem também fotografando a igreja com uma câmera profissional, que se dizia ser o tataraneto do homem que a construiu.


O QUE ACONTECEU:
Em novembro de 1924, a igreja incendiou. Conta-se que o incêndio ocorreu quando alguns meninos quiseram ir ver os ninhos de pássaros no alto da torre, à noite, e levaram consigo um lampião. Naquele mesmo ano, iniciou-se a reconstrução da igreja, que, com as reformas feitas em 1944, tomou a forma atual.
Em 1986, novamente o fogo destruiu a antiga igreja, que não mais foi reconstruída. Suas janelas quebraram e seu telhado desabou. Não se sabe o que exatamente causou esse segundo incêndio. Em 2004, o telhado foi refeito, por meio de recursos do Ministério da Cultura.

Para quem curte história, casas antigas e natureza, visitar o município é uma boa opção. Há um mirante, com vista para a Panela do Diabo, uma antiga igreja que passou por dois incêndios, estradas rurais, cachoeira e uma cachaçaria. Mas, o principal atrativo é o Núcleo de Casas Enxaimel, onde nos segundos e terceiros domingos de cada mês, ocorre a Feira Colonial de Ivoti.

Bem, havia mais coisas para se olhar e conhecer na cidade, mas como tinha a intenção de seguir viagem por outras localidades da serra, me despedi de Ivoti. Tão bela quanto as flores que ornamentam seus canteiros, a cidade das flores, conta hoje com cerca 18 mil habitantes numa área de 75 km², onde são mantidas as tradições de uma cidade pequena, alegre e festeira. 




A Cascata de São Miguel é formada pela queda d’água do Arroio Feitoria e possui aproximadamente 50 metros. Para chegar à cascata, basta cruzar o Núcleo de Casas Enxaimel e seguir por aproximadamente 4 km de estrada de chão. Uma escadaria de 300 degraus, dá acesso à parte alta da cascata.

A Cascata São Miguel abriga uma das primeiras hidrelétricas do Rio Grande do Sul, construída em 1914. Ela era responsável pelo fornecimento de energia para as cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti e Dois Irmãos, sendo desativada em 1971.



COMO CHEGAR EM IVOTI: 
De Porto Alegre pela BR- 290, acesso para a BR- 116, passando por Canoas, Esteio, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Ivoti à esquerda.

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Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...