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QUEM CALA MORRE CONTIGO. QUEM GRITA VIVE CONTIGO.


Noite passada, depois de duas taças de vinho para tentar acelerar o sono e nada conseguir, me dediquei a assistir videos de Elis Regina, disponibilizados na Internet e que considero a maior interprete da musica popular do país e que é impressionante o quanto eu ainda me emociono a o vê-la cantando tão viva, com aquela voz afinadíssima e tão cheia de recursos técnicos que lhe era peculiar. 
Comecei assistindo alguns pedaços de shows como "Falso Brilhante", "Transversal do Tempo", "Essa Mulher" e "Saudade do Brasil"- de 1980, cujo o repertório me parece tão atual aos dias de insatisfações que estamos vivendo hoje. 
Neste show, tem uma musica em especial, que sempre me chamou a atenção por sua sonoridade agressiva e força empostada na voz de Elis, que me emocionava demais e fazia-me perguntar com angustia em função de sua beleza, dramaticidade dos arranjos e letra, que musica era aquela cuja a dor era evidente e o que estava querendo dizer?..
A musica a que estou me referindo é "Menino", autoria de Milton Nascimento, que foi escrita em homenagem ao estudante Edson Luis assassinado no dia 28 de Março de 1968, num confronto com a policia Militar no restaurante Calabouço no Rio de Janeiro, em plena Ditadura Militar. O estudante de apenas 18 anos, foi morto com um tiro certeiro no peito, disparado a queima-roupa por um oficial da PM. A bala, segundo laudo pericial, perfurou seu coração alojando-se na espinha. 
Seu corpo foi conduzido em passeata por amigos e estudantes, até o prédio da Assembleia Legislativa, sob cerco de polícias civis e militares, onde foi realizado a autópsia e aconteceu o velório. Ironicamente no dia de seu enterro, os cinemas da Cinelândia indicavam em seus cartazes os seguintes filmes: “A noite dos Generais”, “À queima-roupa” e “Coração de Luto”. 


O assassinato de Edson Luís foi o estopim para o que seria um dos piores momentos políticos e sociais vividos no Brasil, gerando a Passeata Dos Cem Mil, no dia 4 de abril do mesmo ano, com a adesão de inúmeros artistas e intelectuais como:
Cacá Diegues, cineasta. Caetano Veloso, cantor e compositor. César Benjamin, político. Chico Buarque de Holanda, cantor e compositor. Clarice Lispector, escritora. Dilma Rousseff, política e economista. (atual presidente) Edu Lobo, cantor e compositor. Fernando Gabeira, político. Gilberto Gil, cantor e compositor. Grande Otelo, ator. Hélio Pellegrino, psicanalista, poeta e escritor. José Dirceu, líder estudantil. Luís Travassos, líder estudantil. Marieta Severo, atriz. Milton Nascimento, cantor e compositor. Nana Caymmi, cantora. Nara Leão, cantora. Norma Bengell, atriz e cineasta. Orestes Quércia, político. Paulo Autran, ator. Tancredo Neves, político. Tônia Carrero, atriz. Vera Silvia Magalhães, líder estudantil. Vladimir Palmeira, líder estudantil. Wellington Moreira Franco, político. Zuenir Ventura, jornalista.
A musica foi composta por Milton Nascimento em 1968, que ficou receoso de que achassem que ele estaria se aproveitando do acontecido pra lançar a música, que só foi gravada em 1976. 
A letra, forte, segue abaixo:

            "Quem cala sobre teu corpo
     Consente na tua morte
      Talhada a ferro e fogo
             Nas profundezas do corte
              Que a bala riscou no peito
                                Quem cala morre contigo
                                    Mais morto que estás agora
                                 Relógio no chão da praça
                                 Batendo, avisando a hora
                      Que a raiva traçou
                                          No incêndio repetindo
                                         O brilho de teu cabelo
                                             Quem grita vive contigo."

Trastevere

A cidade é moderna
          Dizia o cego a seu filho 
                    Os olhos cheios de terra
                              O bonde fora dos trilhos 
                                     A aventura começa no coração dos navios
                                                                Pensava o filho calado
                                                                           Pensava o filho ouvindo
                                                                                       Que a cidade é moderna
                                                                                             Pensava o filho sorrindo
                                                                                                     E era surdo e era mudo
                                                                                                                Mas que falava e ouvia.




Milton Nascimento

Cais

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar.


"Acordei preso a esta musica, então logo que levantei e saí para trabalhar, ela se fixou de tal forma na minha cabeça sem que eu pudesse retira-la. Cantei-a o dia todo. Até que tentei substituir-la por outras, mas foi impossivel, ela se manteve soberana até o meu retorno para casa!"

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