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Antes Que Anoiteça


Assisti ontem a noite a emocionante historia de Reinaldo Arenas, escritor cubano de poesias, novelas e teatro. Era assumidamente gay e passou grande parte da sua vida combatendo o regime comunista e a política de Fidel Castro. Apesar de ter apoiado a revolução cubana nos seus primeiros anos, devido à extrema miséria em que vivia com a sua família nos anos em que Fulgêncio Batista governou o país, acabou por ser vítima de censura e da repressão, tendo sido várias vezes perseguido, preso e torturado e forçado a abandonar  diversos trabalhos (como conta na obra autobiográfica "Antes Que Anoiteça"), mostrando que o governo de Fidel Castro não havia trazido mais democracia à ilha. O filme mostra aos aficionados pelo regime Cubano o seu lado repressor, discriminatório e hipócrita, principalmente no que se restringe a perseguição aos homossexuais.
Durante a década de 1970, Arenas tentou, por vário meios, fugir da ilha, sem que obtivesse sucesso. Mais tarde, devido a uma autorização de saída de todos os homossexuais e de outras persona non grata e depois de ter mudado de nome, Arenas pôde deixar o país e passou a se estabelecer em New York, onde diagnosticaram o vírus da Aids. Nessa época, escreveu "Antes que anoiteça" (no original "Antes que anochezca"). Em 1990, terminada a obra, Arenas suicidou-se com uma dose excessiva de álcool e droga. Dez anos mais tarde, em 2000, estreou a versão cinematográfica da sua autobiografia, tendo Javier Bardem no papel do escritor. Entre os atores coadjuvantes, está o diretor brasileiro Hector Babenco, que interpreta Virgilio Piñeyro, um dos intelectuais homossexuais perseguidos na mesma época que Arenas, e o ator americano Johnny Depp, em dois papéis, um deles o de um travesti chamado Bon Bon.
Termino esta postagem com um poema de Arenas chamado Aquela Criança De Sempre e que faz parte da cena final do filme.

Sou esse menino desagradável,
sem dúvida inoportuno,
de cara redonda e suja,
que fica nos faróis,
onde as grandes damas tão bem iluminadas,
ou onde as meninas que parecem levitar,
projetam o insulto de suas caras redondas e sujas.

Sou uma criança solitária,
que o insulta como uma criança solitária,
e o avisa:
se por hipocrisia você tocar na minha cabeça,
aproveitarei a chance para roubar-lhe a carteira.

Sou aquela criança de sempre,
que provoca terror,
por iminente lepra,
iminentes pulgas, ofensas,
demônios e crime iminente.

Sou aquela criança repugnante,
que improvisa uma cama de papelão
E espera, na certeza,
que você me acompanhará.

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