QUANDO JOÃO GILBERTO MOROU EM PORTO ALEGRE



Vocês sabiam que João Gilberto morou em Porto Alegre? Bom eu também não sabia e só soube disto lendo um trabalho de mestrado, cujo o tema tratava-se da influencia da Bossa Nova no Rio Grande do Sul.
Apesar de ter sido por pouco tempo, ele morou sim, aqui na capital gaúcha, antes de se tornar o grande Ícone que por décadas revolucionou a musica popular brasileira.
Foi em 1955 que João Gilberto ainda um jovem de vinte e três anos e poucos meses, desembarcou por aqui na capital, depois de tentar a vida artística no Rio de Janeiro sem muito retorno. 
Foi através do porto-alegrense Luiz Telles (1915-1984), radicado no Rio de Janeiro e líder do quarteto vocal Quitandinha Serenaders, que preocupado com o declínio emocional e financeiro de João, o convenceu, a passar uns tempos com ele na capital gaúcha.


Em Porto Alegre, hospedado no Hotel Magestic, hoje Casa de Cultura Mario Quintana, João foi apresentado como “cantor de rádio do Rio de Janeiro” cantou e tocou em emissoras gaúchas, e em restaurantes como o (Treviso, Farolito), boate Cote D’Azur e clubes sociais (Comércio, Leopoldina Juvenil).
Luiz Telles também apresentara João a o advogado gaúcho Alberto Fernandes, no Rio de Janeiro, que a o reencontrar João em Porto Alegre, o levou a casa de sua mãe, Dona Boneca Regina no bairro Cidade Baixa. Dona Boneca Regina, era casada com um crítico de arte e fazia de sua casa um entra e sai de gente ligada à cultura, o que não foi difícil receber João e rapidamente transforma-lo num membro da família.
Apesar de discrepâncias, João morou por aqui, em Porto Alegre, cerca de oito meses, ate seguir viagem para Diamantina, Salvador e Rio de Janeiro em 1957.



FELIZ DAQUELE QUE SABE SOFRER:

Nelson do Cavaquinho compositor carioca (29/10/1911#18/02/1986) tinha toda razão a o escrever estes versos: "Se eu for pensar muito na vida, morro cedo amor, meu peito é forte nele tenho acumulado tanta dor. As rugas fizeram residência no meu rosto, não choro pra ninguém me ver sofrer de desgosto. Eu que sempre soube esconder as minhas magoas, nunca ninguém me viu com os olhos rasos d'água. Finjo-me alegre pro meu pranto ninguém ver. Feliz daquele que sabe sofrer".


SOBRE A SEDUÇÃO:




Na minha infância, uma tia muito querida, que já mencionei aqui no blog, disse-me certa vez no meu ouvido, que eu seria, uma pessoa sedutora. Lembro-me deste momento como se fosse hoje, eu deitado do lado dela, com a cabeça apoiada em seu peito, aproveitando o calor do seu corpo numa noite fria, como a de hoje.

Aquela revelação me deixou assustado e pensativo, por que inicialmente não compreendia do que ela estava falando exatamente. 
A sedução que eu entendia era a de induzir a o mal ou a um erro por meio de artifícios, de desencaminhar ou desonrar valendo-se de encantos e promessas mentirosas. Ela, no entanto, referia-se a conceitos empíricos, mais amplos e no sentido da minha personalidade apresentar certas características que levariam algumas pessoas a minha volta, estabelecerem  algum tipo de encanto,  fascínio, atração por minhas ideias e atitudes, quem sabe diferentes, da maioria. Talvez, uma falsa ideia! ..
Demorou um bocado, pra mim entender do que ela estava falando e não me tornar quem sabe, um vaidoso. Quando percebo isto acontecendo, puxo o freio de mão, na esperança de diminuir as expectativas alheias num ser, que em parte, não sou eu.

EM QUALQUER LUGAR:


Onde tudo vai dar? me perguntou o menino de apenas seis anos de idade, me deixando absolutamente temeroso do que lhe responder. 

Fiquei temeroso sim! Primeiro porque é incomum uma pergunta dessas vir de alguém tão jovem e eu tomado de surpresa, não tinha nenhuma resposta pronta para lhe dar. Eu também até hoje nem faço ideia onde tudo irá dar. 

Mas eu não poderia deixa-lo sem uma resposta e pensava  na responsabilidade de falar a verdade não lhe dizendo mentiras. Mas quando se vive num mundo de incertezas, qualquer informação pode ser falsa. Eu deveria ter lhe mostrado esta foto quando me fez a pergunta.


NA VELOCIDADE DO TEMPO:

Me submeto a ter algumas atividades para não cair em rotinas que  me leve a seguinte equação: (ansiedade + tédio = depressão). Então, rabisco em folhas de papel, digito frases sem sentido, fotografo imagens, pessoas, canto algumas composições que me emocionam, para ocupar o tempo que é de ouro, que é frágil e veloz. 

Eu acredito não ser deste tempo em que vivo, então me sinto dividido entre o ontem e o hoje, num tempo intermediário há apenas um passo, uma piscada de olhos, no marco zero da porta gigante que separam o passado do presente. 

Vivo disfarçando estar num tempo seguro em que nos roubam tudo, inclusive a alma já negociada por algumas garantias prometidas e não cumpridas. 

Finjo sorrisos, simulo gestos de aceitação pra que as dores sejam menores. Me debato convulsivo sobre paredes finas de gesso, se eu chorar, a lágrima a desmancha, se eu bater, a raiva a quebra em mil pedacinhos. Um grande risco!

CHICO FURDUNÇO E SEUS ATAQUES OUSADOS



Chico Furdunço, tem crescido a olhos vistos, Inacreditávelmente o seu tamanho em apenas poucos dias dividindo o mesmo ambiente comigo, duplicou de tamanho. Será que é a ração? Além de já reconhecer a casa e lugares onde não pode entrar e aprontar, suas patifarias também cresceram proporcionalmente. Corre pela casa inteira, pula sobre a cama e quase sobe as paredes acima, em busca de insetos que nem eu consigo enxergar.

Sua melhor diversão e criar guerrinhas de ataque contra mim, onde num único pulo se lança sobre uma das minha mãos e começa a arranhar e morder com cara de selvagem. No inicio suas lançadas na minha mão, eram leves, mas agora tem deixado marcas visiveis.
Acho bom que seja assim, afinal trata-se de um felino e felinos permissíveis, bonzinhos e fofinhos, a o meu ver, não se parecem com felinos.
As brincadeiras de corre-corre, esconde-esconde sob as cobertas, são cheias de estratégias de ataques, olhares curiosos e ousados e movimentos habilidosos que somente os gatos são capazes de fazer.

AS CORRELAÇÕES:

Ontem enquanto conversávamos, eu e um amigo, chegamos num momento em que percebemos o quanto a vida é cheia de fatos que se correlacionam, sem que se possa explica-los de fato.
Por exemplo: Contei que o primeiro marido da minha avó materna, do qual ela teve um filho e mais tarde, se tornou viúva, foi funcionário da Prefeitura de Porto Alegre durante anos. Após a morte do primeiro marido, ela voltou a se casar com outro que também era funcionário da Prefeitura de Porto Alegre, os dois, mesmo sendo colegas, funcionários da mesma estatal, não se conheciam. Com este segundo marido ela teve dois filhos, um menino e uma menina. Esta menina mais tarde veio a ser minha mãe. Viuvando mais uma vez, minha avó, não bem vista por alguns de seus parentes, casou-se pela terceira vez, com um homem que já era viúvo e tinha uma filha adulta que era funcionaria da prefeitura. Com este homem minha avó, ja uma mulher bastante madura, não teve filhos e que conheci como avô.
A correlação de que falo é que, os dois maridos da minha avó, foram funcionários da mesma empresa publica e seus filhos, do primeiro e do segundo casamento, também, com exceção da minha mãe, que tomou outros rumos. 
A filha do terceiro marido de minha avó, coincidentemente também era funcionaria do mesmo estabelecimento.
Naquela época se entrava no serviço publico por indicação, não havia concurso publico. Mais tarde foi minha vez de entrar e fazer parte desta coincidente lista, assim como minha prima, filha do primeiro filho de minha avó, que adivinhem, trabalha na Prefeitura de Porto Alegre.
Mas eu não acredito nas coincidências, essas correlações me parecem apresentarem uma certa lógica que nós simples mortais, temos pouco conhecimento e compreensão.
Outras correlações acontecem em nosso dia a dia e que por vezes, nem percebemos a sua presença. Vamos percebe-las dias, meses, anos depois!

FÉRIAS PARA A PANDEMIA:

Depois de 425 dias, eu já não sinto mais falta de muita gente a minha volta, por que me cerco das melhores que posso ter, mesmo on-line, assim, meio que artificial. Sinto falta de outras coisas e da minha cidade que sempre achei bucólica, mas infinitamente acolhedora.
De caminhar por suas ruas, algumas estreitas, de portas altas, janelas amplas e trameladas que traziam mistérios. Ruas sombreadas e de um passado não tão longe. Dos pés de plátanos nas calçadas e suas folhas coloridas que marcavam páginas.
Páginas de alguns livros de histórias contadas por alguém. Páginas que envelheceram como eu e sumiram as letras no amarelado do tempo...
Cidade de um porto aberto ao nosso sorriso e que poucos ainda se lembram. De um tempo que tudo era mais simples, menos burocrático, menos perigoso.
Sinto falta de algum sentimento que senti, de algumas conversas que ficaram perdidas lá pra traz, num tempo em que pandemias estavam de férias.

UM SUJEITO DE SORTE



Eu sou um cara de sorte! Eu sou um cara feliz e satisfeito!.. _ Repito isto pra mim mesmo todas as manhãs quando me acordo e levanto da cama. Um rápido ritual antes de escovar os dentes e tomar meu café escorado na janela do quarto. É somente, quando começa a movimentação de pessoas nas calçadas, indo para o trabalho, é que volto a me questionar sobre esta minha felicidade e prazer, que nem sempre funciona
Lembro-me daquela canção do Belchior que diz: 
"Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte, porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte. E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado, E assim já não posso sofrer no ano passado. Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro...Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro!" Esta letra é de uma grande profundidade, profundidade Belchioriana.

DEPOIS DA ADOÇÃO

Cinco horas da manhã, doze horas após sua adoção, o gato começou a miar alto dentro do quarto. Saiu do seu esconderijo, (meu guarda roupas com portas de correr) e começou a caminhar pelo quarto com ar de insatisfeito, miando cada vez mais alto e olhando na minha direção.
Andava de rabo em pé, o corpo por vezes em forma de U, procurando por onde entrava a luz da manhã que já dava sinais, na janela. Subiu na minha cama, deu uma bela mijada e continuou reclamando da vida por longos minutos. Percebi que seu objetivo era dar no pé, como dizem. Depois que subiu algumas vezes na cama, começou a brincar com as cobertas e os movimentos que eu fazia com os pés. Percebi então que sua aparente revolta não era comigo, mas com o ambiente onde se sentia preso.
A adoção foi muito rápida, não dando tempo pra eu providenciar algumas necessidades como areia, ração e cama pro bichano.
Ao que parece, aos poucos vamos nos conhecendo e nos entendendo, eu espero!

CHICO FURDUNÇO



A pandemia me fez adotar um gato. Na verdade não foi bem assim, o saco de ficar sozinho e eu já vivia sozinho antes dela se espalhar pelo mundo, me fez tomar uma medida preventiva contra uma possível depressão.

Desde o dia que ele chegou na minha casa, trazido de carro numa gaiola, por seu doador, tenho postado no Face book sua façanhas de gato que não é bebezinho, mas ainda é infantil por suas atitudes serelepes.

No primeiro dia alojei-o em meu quarto pois não estava preparo para espera-lo. A adoção aconteceu num único dia. Alguém me falou, liguei para seu ex dono que fez contato rapidamente e me entregou-o no portão do edifício.

Sem caixa de areia e ração para felinos, só pude disponibilizar de imediato um pratinho com agua e uns farelos de pães, pra ele ir se virando.

Ficou pelo menos dois dias no meu quarto escondido, no guarda- roupas, dentro de um tênis vermelho e de olhos arregalados quando eu o localizava.

Enquanto tentava firmar amizade com ele, pedi para amigos que me sugerissem um nome. Veio muitas sugestões, mas acabei me decidindo por Chico Furdunço, nome que mais se parece com sua personalidade agitada e cara de doido.

Passou por vários estágios de adaptação como greve de fome, miar alto as 4 horas da madrugada com ar de insatisfeito, até ir se acalmando e fazer amizade comigo.

INSPIRAÇÃO

A inspiração é como uma visita surpresa, que bate inesperadamente na tua porta e quando vai embora, não faz promessa de quando vai voltar. Tudo pode acontecer nestes momentos de pura sensibilidade, de encontro marcado ou de puro acaso.

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Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...