Trensurb


Faz quase trinta anos que inaugurou o Trensurb aqui na cidade e somente agora, que vim conhece-lo como um usuário diário, em função de um curso que estou fazendo em Niterói durante os cinco dias úteis da semana. Ao contrario de alguns metrôs que conheço como o do Rio de Janeiro, Buenos Aires e Santiago, o de Porto Alegre não possui acesso de trens pelo subterrâneo e percorre a menor distancia das três capitais que mencionei. São 34 quilômetros de trilhos, intercalados por 17 estações com distancias de 2 quilômetros uma das outras, ligando a parte sul à parte norte da região metropolitana da cidade numa velocidade média de 46 à 90km/h., desafogando o trafego e reduzindo principalmente o tempo de locomoção de carro ou ônibus pela BR- 116. 


Não sei se foi por sorte minha, mas nunca peguei o trem com superlotação como acontece em outras metrópoles brasileiras, mas também percebi algumas deficiências no serviço, que julgo necessárias e importantes para o bom funcionamento e satisfação de seus usuários e que resolvi observar aqui.
Por exemplo: os condutores inúmeras vezes não informam a próxima estação em que o trem irá fazer sua parada, isto significa que tenho de contar as estações para saber onde descer. São raros os que informam pelo sistema de comunicação e o painel eletrônico fixado na parede do transporte que serve como identificador do itinerário com suas respectivas estações nunca esta ligado dificultando a o usuário a sua localização, com visão por vezes limitada dentro do trem. 
Não são dadas informações uteis e de segurança dentro do transporte e os passageiros terminam se aglomerando e apoiando-se nas portas que deveriam estar livres ao acesso de quem entra ou sai. Duas ou mais vezes retornando da aula, percebi usuários entrando com bicicletas dentro do trem como se fosse uma atitude normal, será que no trem é permitido? por que em outros coletivos é proibido. 
No metrô do Rio de Janeiro, as informações são claras e dadas em português e inglês, aqui mal se entende o que o condutor está falando. Por que aqui não acontece como nas grandes capitais, por acaso não circulam por aqui estrangeiros? Por que as coisas em Porto Alegre tem este ar provinciano, de quem nem está ai para o que acontece no resto do mundo e tudo vai se acomodando num total desinteresse?

Vida de gado.Povo marcado, povo feliz.

Eu preciso aprender a me ouvir mais, é isto; ficar mais atento a pequenas coisas que não me atenho na hora, por acha-las pouco importante, mas que depois caio em arrependimento por não ter me dado a devida atenção e respeitado uma regra que eu já deveria ter assimilado e pelo menos posto em pratica que é: Respeitar-me. 
Eu já tinha percebido que não gosto de pizza, mas mesmo assim insisto em come-la por simples desatenção ou embaraço diante de pessoas que gostam e ficam me olhando como se eu fosse um ser de outro planeta quando digo com cara de enjoo, que não a aprecio. Na verdade para os comedores  compulsivos de pizzas, assim como para os bebedores de cerveja, é inadmissível alguém lhes dizer que não curte cerveja ou pizza e eu como sabedor disto, me ponho sob a  relevância de querer ser normal e insistir ansiosamente até passar mal. Esta cultura de massa que faz a gente ir em busca de atitudes e gostos tão iguais aos dos outros, dentro dos valores da normalidade social, nos transforma  em seres medrosos e incapazes de assumir a nossa própria vontade e limitações, numa especie de vida de gado, povo marcado, povo feliz e estufado de pizza para não ser excluído...

Os Maias.

Vi uma vez e esta semana voltei a ver uma das miniséries que foi uma das obras primas da dramaturgia brasileira exibida em 2001 pela TV Globo e agora reprisada no Canal Viva. Os Maias. Tudo me parece perfeito: Atores, figurinos, cenografia, trilha sonora, reproduzindo com máxima fidelidade a estética e o comportamento da época. Eu já havia até esquecido que a excelente atriz Ariclê Perez que interpretou Maria da Gama já é morta, num acidente pouco explicado, que a fez despencar do 10 andar do edifício onde morava em 2006. Simone Spoladore, está perfeita no papel de Maria Monforte com sua voz grave e elegante. Maria Adelaide Amaral, parece ter a maestria perfeita na direção desses espetáculos de afinada inspiração.

Pequenos jogos de dispersão.

Esses dias eu estava pensando sobre as minhas dispersões mentais para coisas que tenho contra gosto e que me fazem navegar por outras estações mentais, me deixando meio que fora da casinha ou intertido com outras coisas menos importantes, como forma de me manter menos embaraçado ao que eu não tenho domínio ou dificuldades de assimilação. Volto a falar das aulas de geografia, que pra mim sempre foi uma via crucies, desde o período em que fui estudante dos cursos de primeiro e de segundo grau e que percebo agora que esta minha falta de interesse, que resulta em desatenção e desconforto, não e culpa do professor, mas da própria matéria que fico negando em aceita-la até o fim da minha vida. Fiquei aliviado ao perceber durante as aulas anteriores que outro colega, estava anotando num cantinho do poligrafo, quantas vezes o professor repetia a frase: "E então pessoal!.." Não sei se a atitude dele tem por objetivo desperçar-se da matéria que não gosta, como é no meu caso, já que me parece bem participativo durante as aulas.  Mas uma coisa é não gostar de massa e outra é aceitar o molho. 

Momentos inesquecíveis.

Minha colega de curso me disse num dia desses, que um dos momentos mais emocionantes e que marcou muito sua trajetória de viagens pelo mundo, foi um passeio que fez de balão sobre a Capadócia. Nossa, e eu fiquei imaginando em como seria.., não o voo em si, mas os sentimentos que tomou conta dela naquele momento mágico, independente da beleza que se incide particularmente a cada lugar, mas que também faz parte e completa  o sonho, a sensação de inesquecível. Acho que esses sentimentos são tão particulares que por mais esforço que façamos, não conseguimos atingi-los, pois ficam garantidos na impressão e sensibilidade pessoal de cada um. De qualquer maneira um voo de balão deve ser algo que deslumbra em qualquer parte do mundo, seja na Capadócia, Petra, Rio de Janeiro ou Pindamonhangaba.
Se esse é um dos seus sonhos, veja o preço aqui!, perfeitamente pagável.

Memorial Livraria do Globo


Em meio às comemorações do aniversário de 240 anos de Porto Alegre, com espetáculos espalhados entre pontos culturais conhecidos da cidade, como os shows de Maria Rita, Armandinho entre outros artistas, o centro da cidade mudou de cara com uma iluminação especial sobre o prédio da Prefeitura à noite, que o tornou muito apreciado e que eu acho que deveria ser mantido. Alias eu acho que todos os principais predios do centro histórico, deveriam receber o mesmo tratamento, com esta iluminação especial. Mas a cidade alem dessas mudanças por estar em festa, foi presenteada com a inauguração das lojas Renner, no prédio que por anos abrigou a Livraria do Globo, conhecidíssima por ter influenciado na educação e cultura dos porto alegrenses. Com um investimento de R$ 10 milhões, a nova Loja Renner na Rua dos Andradas, respira história e beleza nas paredes de tijolos antigos e propositalmente descascados nesta nova tendencia arquitetônica e decorativa. Em meio aos lançamentos da nova estação que já mostra sua cara, o Café-Memorial, instalado no terceiro andar do prédio numa especie de mezanino, apresenta além de fotos que documentam a época da livraria e grafica, um breve histórico deste periodo que marcou a vida dos gaúchos e do centro de Porto Alegre, além de painéis que lembram de Erico Verissimo e as lendárias capas da Revista do Globo. A unica coisa que senti falta, foi de um elevador para facilitar o acesso aos cinco ou seis andares, que segundo um dos vendedores, ainda não ficou pronto e em breve será instalado. Vale a pena uma visita e conferir!

Os meninos dançam.

Dizer um "Não", significa muito mais do que pronunciar a palavra com energia para o que não concordamos ou para atitudes que tem por objetivo indigesto e proposital nos causar mal, mas voluntariamente, introjeta-la de modo a não nos permitirmos aquilo que não merecemos e que não aceitamos como imposições adversas e que por vezes acreditamos nos serem forçadamente debitadas. 
Este "Não" deve ser dito principalmente para nós mesmo em som audível, transformador e em nosso positivo beneficio. Não, eu não devo aceitar isto, por que isto não me pertence e também não sou merecedor disto e ponto final. Estas barreiras algumas vezes são necessárias em nossa própria defesa.
Há muito tempo um amigo meu, cantou um pedacinho da musica do Caetano para um grupo de conhecidos sentados num bar e eu fiquei pensando naquele profundo estrofe que dizia em divisíveis interpretações, o seguinte:
Pinta uma estrela na lona azul do céu. Pinta uma estrela lá.
Pinta um malandro e no malandro, outro malandro.
Flutua angelical...
...Naquele espaço azul, naquele tempo azul, naquela tudo azul
Eles dançam, eles dançam, eles dançam, todos eles dançam
Dança-moenda. Dança-desenho, dança-trapézio, dança-oração
Moenda-redenção.

O meu cabelo rastafári duro...

Marcos Rasta ficava pelas ruas de Trindade cantando esta musica que ficou pelo menos até hoje na minha cabeça. Nossa!.. Isto é que eu chamo de penetração da cultura popular. "O meu cabelo longo, rastafári duro e você fica me olhando por cima do muro. Eles não vê o que deveriam ver. Eles só vê o que se passa na TV. Vocês vão vê...".

AS FERIDAS DO MORRO SANTANA


Semana passada ao passar pela rua Mãe Apolinária, no bairro Jardim Ipu em Porto Alegre, fiquei namorando o morro e suas duas pedreiras que hoje recebem o apelido de "As feridas do Morro Santana" cujo o nome é mais do que apropriado, por se tratar de um enorme buraco feito pela mão do homem alguns anos atrás sem a preocupação com a preservação ambiental e que hoje parece ser assunto da moda e todo mundo se preocupa e fala com a boca cheia de razões. Pouco se tem de informações a respeito deste lugar que a décadas atrás, serviu de exploração de pedras como objetivo de talvez...(calçar as ruas da cidade)?...Não sei, e não encontrei ninguém que soubesse me dizer.


As feridas ou cicatrizes, do qual uma delas recebeu o nome de seu explorador Asmuz, ficam no Morro Santana, o mais alto de Porto Alegre, de frente para a movimentada Avenida Protásio Alves, numa espécie de cartão postal para quem quiser ver o estrago ambiental. Os acessos até lá sofrem algumas dificuldades e alguns impedimentos como: Ruas estreitas e sem calçamentos por dentro de uma pequena vila, cujos próprios moradores informam para se ter cuidado com relação a assaltos já ocorridos no local. Algo do tipo: "Peça para subir e reze para descer". Outros caminhos foram fechados com algumas cercas de arames em função de um condomínio residencial em construção na base do morro, além de um portão em cima do morro sob os cuidados da UFRGS que proíbe a entrada de curiosos e cuja a liberação é somente para pessoas autorizadas pela instituição.


O Morro Santana é o ponto mais alto da cidade, com 311 metros de altitude, ocupando uma área de 1000 hectares, sendo 600 pertencentes a UFRGS. Localizado em uma área bastante urbanizada, o bairro Morro Santana, está rodeado por grandes avenidas como a Av. Bento Gonçalves, a Av. Protásio Alves e a Av. Antônio de Carvalho, ocasionando problemas de ocupação irregular e falta de segurança. Representa um dos últimos remanescentes naturais da cidade, onde vivem em harmonia campos, lagos, cachoeiras e cascatas. Além disto, tem grande importância histórica por ter abrigado, em 1740, uma sentinela de propriedade de Jerônimo de Ornelas, o fundador da cidade de Porto Alegre.

UM POUCO DE HISTÓRIA:
O início da ocupação da região do Morro Santana está ligado à doação da sesmaria a Jerônimo de Ornellas e à fundação de sua fazenda. Em 1762, Ornellas vendeu sua propriedade. Dez anos mais tarde, o governador da capitania da Vila de Porto Alegre desapropriou a fazenda com o fim de renovação da demarcação para assentamento de famílias açorianas. Esta partilha gerou as chácaras produtivas que
ocupavam o Morro Santana até meados do século XX.
CASA BRANCA NO MORRO SANTANA


Um dos principais sítios do Morro Santana eram as terras onde se situava a Casa Branca. Esta casa foi ponto de encontro de políticos e intelectuais. Durante a Guerra dos Farrapos, a morada serviu de quartel-general para as forças rebeldes. 
Localizada onde é hoje a confluência das avenidas Protásio Alves e Antônio de Carvalho, a casa foi demolida em abril de 1972, mesmo com apelos e esforços do poder público no sentido da preservação do prédio como Patrimônio Histórico. Mesmo com a demolição, a Casa Branca ainda é lembrada pelos habitantes do bairro.

Nesta semana, navegando pela Internet encontrei o blog Porto Imagem, que traz um artigo escrito por Ricardo Haberland e que faz uma avaliação interessante sobre os 240 anos de Porto Alegre e seu crescimento como metrópole, baseada em alguns pontos positivos como: "A capital com um dos melhores índices de qualidade de vida entre as metrópoles brasileiras, a mais verde do pais, pelo numero de arvores plantadas, vida cultural rica, índices econômicos satisfatórios e alto poder de compra em consequência de uma renda alta perante outras capitais". Porem outro ponto a se considerar e desta forma entender como negativo, é que existe muita coisa a ser melhorada radicalmente nesta capital como por exemplo, a imensa orla do Guaíba a tantos anos ociosa do convívio social dos porto alegrenses, que receberam apenas um pequeno pedaço da imensa orla, como tira gostos, que é a Praia de Ipanema, sempre lotada e de acesso congestionado por veículos que ali circulam. Outra coisa que ele menciona no texto e eu concordo plenamente:
"..Porto Alegre é uma cidade privilegiada por ter morros altos. Toda cidade numa condição dessas, possui alguma estrutura para que as pessoas visitem o morro, todas cidades com morros têm mirantes – como Belo Horizonte, Florianópolis, e outras. – e muitas também têm opções de lazer nas alturas, e tudo isso com preservação e cuidados. Já Porto Alegre ignora solenemente seus morros, e o pouco que tinha, como o belvedere no Morro Santa Tereza, a cidade abandona. Vivemos como se não tivéssemos morros, como uma cidade plana qualquer..."
Um exemplo de desatenção dado aos morros de Porto Alegre, é o Morro da Policia, localizado no bairro Glória, onde se tem uma vista maravilhosa da cidade e que pode ser lido AQUI no Blog.

PARATI

Meu passeio à Parati, ocorreu um dia após meu retorno de Cuba, aproveitando um restinho de dias que sobraram das férias de verão, entre (24/02 e 01/03/2012).
Me acompanharam nesta empreitada de prazeres os amigos: Rosane, Cristina e Beto, que também ficaram encantados com toda a beleza que dispõe o litoral carioca, em especial a vila de Trindade, onde ficamos hospedados por seis dias e postei aqui no Diário de Bordo.
Desta forma, separamos dois dias para conhecer a cidade histórica Parati,  localizada à 30 km de onde estávamos e realizar um dos diversos passeios de barco que disponibilizam as agencias de turismo local.
Em primeiro lugar, Parati é um show de cores e estando por lá, eu ficava me perguntando quando é que ela fica mais bonita; se de dia sob a claridade do Sol, com suas casas com fachadas coloridas e barcos ancorados em sua baia de águas verdes, ou de noite, quando as luzes de seus lampiões se acendiam para enche-la ainda mais de poesia e suas ruas de pedra transformam-se em becos alagados e cheios de reflexos e sombras.


Parati é cheia de encantos e sem duvidas uma viagem ao passado, cuja a rica cultura ficou impregnado nas ruas de pedras e faxadas de arquitetura colonial. 
Diante da Igreja de Santa Rita, temos a sensação de estarmos vendo uma pintura cuja a tela em tamanho natural, parece estar exposta magicamente diante da praça, transformando todo aquele ambiente num clima de romantismos e introspecção. 
Em cada cantinho respira-se cultura, beleza e nos conta historias que a cada momento é acrecida de um pequeno detalhe que esqueceu de ser contado, um ponto, um paragrafo a mais
A origem de seu nome vem do termo tupi, homônimo que significa "peixe branco" (referindo-se a uma espécie de tainha, que ainda existe na região). Ao longo dos anos, a grafia teria mudado de Pira'ty para Paraty e finalmente, Parati.


Conforme nos informou um dos guias da cidade, Parati diferencia-se das outras cidades coloniais do Brasil, por ter sido planejada pela corte europeia que via nela uma cidade de grande importância portuária, desta forma, tudo foi planejado no sentido de protege-la de possíveis invasões, definindo sua estrutura arquitetônica, onde seriam sua ruas, igrejas, praças, câmera, cadeia, fortes e áreas residencias. 


Todas as construções das moradias eram regulamentadas por lei, podendo pagar com multa ou prisão, quem desobedecesse as determinações. As casas foram construídas acima do nível da rua por causa da invasão das águas das marés, previstas para entrar através de ductos e limpar a cidade, principalmente dos estrumes de cavalos, burros de cargas que constantemente passavam pela cidade e também da própria população que não possuía esgoto e desprezava seus dejetos na rua. 


Atualmente estas mesmas ruas estreitas e fechadas por grossas correntes, para impedir a circulação de veículos, contam com dezenas de bares, museus, atelies, cachaçarias, pousadas, restaurantes, lojas de artesanato e operadoras de turismo, oferecendo passeios não só em seu centro histórico, mas por recantos paradisíacos e dando a sensação de estarmos num lugar magico e repleto de encantos. Parati adquiriu hoje o privilegio de possuir uma agenda cheia de eventos o ano todo, fazendo de seu atrativo principal que é o turismo, uma das cidades mais procuradas do litoral carioca por brasileiros e estrangeiros.


Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1958, o Centro Histórico de Parati tem o charme de ser um monumento vivo, dedicado à gastronomia e às artes. Em poucas horas, a história do Brasil colonial pode ser revelada nos detalhes de suas ruas, praças, igrejas, casarios coloridos, num city tour guiado ou não, revelando influencias árabes, europeias, maçônicas e indígenas. 


Na parte histórica da cidade é proibido o trafego de veículos, objetivando é claro, a preservação dos calçamentos cujas as pedras já foram alteradas de posição, em função da implantação de redes elétricas subterrâneas e de esgotos. 
Conhecido como pé de moleque, o calçamento com pedras irregulares começou em Parati no seculo XVIII, feito por mãos de crianças escravas, no auge da efervescência causada pelo ciclo do ouro e mais tarde pelo ciclo do café. As pedras eram necessárias porque as tropas de mulas, carregadas com ouro ou café, provocavam grandes atoleiros nos dias de chuva e nuvens de poeiras nos dias de sol.
Parati conta atualmente com eventos permanentes como: O Carnaval, o Festival da Pinga a Festa Literária Internacional de Parati,  Reveillon, Festa do Divino, Semana Santa, Festa de São Pedro, Festa de Santa Rita, Festa de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, Festa de Nossa Senhora dos Remédios, Procissão de Corpus Christi, Oficina de Idéias, entre outros, tornando suas ruas, bares e restaurantes movimentados diariamente.



Há também diversos roteiros pela Baía de Parati, sempre com paradas para o mergulho e banho de mar. O mais tradicional circula pelas ilhas próximas e pelas praias Vermelha e da Lula à R$ 25,00. O barco possui serviço de bordo com almoço, lanches, bebidas, musica ao vivo e um bufe de frutas que é servido de cortesia.


Alguns lugares interessantes para se conhecer nas imediações da cidade:
Sobrado dos Bonecos e Passos da Paixão - localizado à Rua Tenente Francisco António, nele se destaca o beiral em telhas de louça. 
Cadeia Pública: Atualmente, sedia a Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes do município. 
Igreja de Santa Rita de Cássia.
Rua do Fogo: É uma das poucas ruas da cidade que conserva o seu primitivo nome. 
Rua Dona Geralda: Geralda Maria da Silva nasceu em Parati em 1807. Benemérita, herdou de seu pai grande fortuna, que a lenda local associa à descoberta de um tesouro de piratas.
Mercado do Peixe: Localiza-se à beira-mar, comercializando verduras e frutas.
Rua da Praia: Comunica o Mercado do Peixe à beira do rio Perequê-Açu. Em determinadas luas, é inundada pelas águas da maré alta, que refletem o seu casario, espetáculo que atrai a atenção dos turistas.
Rua Fresca: Outrora denominada Rua das Dores (por abrigar a Igreja de Nossa Senhora das Dores), Rua Alegre e Rua do Mar, nela, se destaca o Sobrado dos Orleans e Bragança, próximo à Igreja de Nossa Senhora das Dores.
Igreja de Nossa Senhora das Dores
Praça do Imperador.
Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios
Sobrados coloniais.
Forte Defensor Perpétuo e Casa da Pólvora: O forte abriga o Centro de Artes e Tradições Populares de Parati.
Capela da Generosa: Localiza-se no Beco do Propósito, à margem do Rio Perequê-Açu, onde morreu afogado Teodoro, um ex-escravo liberto, que ali se atreveu a pescar em uma sexta-feira santa. Em memória do fato, uma senhora de nome Maria Generosa, aí, fez erguer a capela, sob a invocação da Santa Cruz, que recebeu o nome da benfeitora.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Oratório de Santa Cruz das Almas: Também conhecido como Oratório de Santa Cruz dos Enforcados, localiza-se no antigo caminho para o pelourinho.
Bom para dar cabo final a esta postagem, Paraty é o tipo de lugar que parece agregar praticamente tudo  que o interesse turístico procura: Praias limpas, de águas claras e temperatura ideal para diferentes esportes e lazer, montanhas com exuberante mata nativa repleta de trilhas e cachoeiras, muitos polos históricos e culturais, aliada a vasta opção gastronômica local e internacional e simpatia dos moradores. Paraty é também um dos poucos lugares que consegue agregar muita agitação dada a sua agenda de acontecimentos culturais sempre lotada e ao mesmo tempo resguardar alguns recantos isolados para o puro descanso e contemplação da natureza.

exercícios emocionais.

Na disciplina de Relações Interpessoais no Trabalho, a professora reuniu toda a classe num semi circulo, onde instruiu para que cada um dos alunos dissesse seu nome, onde trabalhava, enfim o que cada um se permitisse falar e depois escolhesse um animal pelo qual se identificava naquele momento, justificando  depois numa unica palavra o motivo de sua escolha. 
Bom, entre tantos gatos, cachorros, pássaros, cavalos e um único urubu que surgiu inesperadamente, escolhi o camaleão que achei mais parecido com meu momento atual, por sua polivalência e facilidade de modificar-se com as diversidades naturais apresentadas pela vida. Claro que a palavra escolhida por mim e que justificava a escolha do animal, foi polivalência, o que me veio a cabeça naquele momento. "Camaleão-polivalência", não sei se combinaram pois nem tudo aparenta ter sentido nas nossas escolhas...
Entrando no terreno das analogias, cada um de nós possuímos interiormente, uma  fauna a nossa disposição e que pode ser comparada e modificada aleatoriamente de acordo com o nosso momento. Se hoje me sinto um pássaro, amanhã quem sabe uma formiga, um tigre, um peixe, um abutre... Gosto desses jogos emocionais, que dão aquela sacudidela necessária no nosso interior por vezes deixado de lado e que voltam a despertar nesses exercícios prazerosos em forma de uma grande brincadeira. Lembrei depois de um pensamento de Charles Darwin que aprecio muito: "Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente. É aquele que se melhor adapta as mudanças". 

Aula de geografia.

Hoje durante a aula de geografia, matéria que eu detesto e acho tão ruim quanto analise sintaxe e regra de três composta, percebi uma barata adolescente correr pela sala de aula, entre os pés de algumas alunas concentradas nas explicações do professor. 
Acho que a barata era adolescente mesmo, por que não era grande como uma adulta, nem tão pequena quanto uma filhote, mas meio gorda e de movimentos incertos, como quem se alimenta de salgadinhos e outras guloseimas do gênero, como os adolescentes. Eu fiquei observando-a naquele vai e vem, preparando meus ouvidos para o momento em que fosse descoberta entre gritos de pavor e histeria coletiva, já que a grande maioria dos alunos eram mulheres. 
Depois de alguns minutos foi percebida por uma delas, que elegantemente se levantou absolutamente controlada e comentou com descrição: _Uma barata!.. O colega sentado do seu lado, contorceu-se até alcançar o inseto com o pé e ponto final, tive de voltar para a aula geografia!

Acertei na mosca

Pois não é que eu estou gostando mesmo do curso?.. Acertei na mosca em aceitar o convite de uma amiga para faze-lo. O tema principal é sobre o que eu mais gosto de fazer: viajar, viajar, viajar e viajar. E este clima de escola, pesquisas, leituras, discussões, trabalhos em grupo, pesquisa de campo, colegas de aula, está me fazendo um bem, melhor do que eu esperava que fosse me fazer realmente. Acho que definitivamente acertei na mosca, quer dizer, no curso.

HAVANA.



Eu não poderia falar do país que visitei nesta segunda quinzena de Fevereiro de 2012, minhas férias, ao lado de sete companheiros de viagem que foram: (Ton, Barbara, Salésio, Claudete, Marta e Leonardo), sem antes consultar o senhor Google, à respeito e ficar mais informado.


Cuba é chamada oficialmente de República de Cuba e é um país insular do Caribe e isto quer dizer: estado independente cujo território é composto de uma ilha ou grupo de ilhas, geralmente sem fronteiras terrestres. A nação de Cuba consiste na ilha principal de Cuba (incluindo a Base Naval da Baía de Guantánamo), além da Isla de la Juventud e de vários arquipélagos menores chamados de Cayos.


LOCALIZAÇÃO GEOGRAFICA:
Havana é a maior cidade de Cuba e a capital do país e que Santiago de Cuba é a segunda maior cidade. Ao norte de Cuba se encontram localizados os Estados Unidos e as Bahamas; a oeste está o México; ao sul estão as Ilhas Cayman e a Jamaica; enquanto que a sudeste estão situados a Ilha de Navassa e o Haiti. (Wikipédia, a enciclopédia livre).





Cuba tem uma população de mais de 11 milhões de habitantes e é a nação-ilha mais populosa do Caribe. Seu povo, sua cultura e seus costumes foram formados a partir de povos diversos no período que foi uma colônia do Império Espanhol, até a introdução de escravos africanos e a sua proximidade com os Estados Unidos. O resultado disto é uma população extremamente eclética, formada por 51% de mulatos, 37% de brancos, 11% de pretos e 1% de orientais. 



Foi no ano de 1952 a chegada ao poder do general Fulgencio Batista, que estabeleceu uma forte ditadura a serviço dos interesses americanos. Entretanto, um movimento revolucionário iniciado por Fidel Castro e "Che" Guevara, começou a ganhar força e em 01 de Janeiro de 1959, a revolução triunfou. Fulgencio Batista foi deposto do poder e Fidel assumiu a governância do país. Ernesto “Che” Guevara (um comunista argentino e um dos conselheiros mais próximos de Fidel) conseguiu persuadi-lo a se afastar dos elementos liberais da revolução e a fazer uma aliança com os comunistas (a União Soviética). Como represália, os Estados Unidos impuseram um embargo econômico à ilha que a fez fechar suas portas ao resto do mundo, tornando-se o único país comunista das Américas. Décadas de ostracismo perante os olhos do resto do mundo, fizeram-na se tornar um exemplo de resistência ao imperialismo imposto pela grande nação. E talvez seja esta palavra que melhor defina Cuba até os dias de hoje: "Resistência".



Cuba tem hoje uma taxa de alfabetização de 99,8%, uma taxa de mortalidade infantil inferior até mesmo à de alguns países desenvolvidos e uma expectativa de vida média de 77,64. Não existem analfabetos e 70% de sua população possui nível universitário e isto por incrível que pareça está trazendo um certo problema na medida em que quase não existe mais a mão de obra campesina para trabalhar nos campos de produção. Cuba é hoje referência no Saneamento Básico, Educação e Medicina Social, já que a saúde lá é publica e de ótima qualidade.


Em 2006, Cuba foi a única nação no mundo que recebeu a definição da WWF- World Wide Fund for Nature -Fundo Mundial para a Natureza de desenvolvimento sustentável; ter uma pegada ecológica de menos de 1,8 hectares per capita e um Índice de Desenvolvimento Humano de mais de 0,8 em 2007.


Mas quem vê cara, não vê coração. A grande maioria dos prédios no centro de Havana estão em péssimas condições por falta de manutenção, alguns inclusive com a aparência de grandes cortiços, com janelas caindo, roupas penduradas nas sacadas de ferro enferrujadas, soltas, algumas paredes apoiadas por madeiras, dando a sensação de que vão a qualquer momento desabarem sobre a cabeça dos transeuntes. Ainda assim, a capital cubana guarda sua imponente beleza arquitetônica nos palacetes e sobrados mal conservados e que vão sendo redescobertos num acervo natural à céu aberto que parece ter parado no tempo, junto com seus cadilacs coloridos que trafegam pelas as avenidas.


Contrário a este panorama aparentemente de desleixo, justificado por dificuldades financeiras e prioridades para manter o pais de pé, Havana Velha (centro histórico), tem recebido atenção especial, assim como um tratamento minucioso de restauração e investimentos a olhos vistos por quem caminha por suas ruas. Com dinheiro injetado pela comunidade internacional, se sobressai do resto da cidade em relação a beleza e bom gosto para atrair os turistas do mundo todo. As ruas planas, limpas, bem calçadas, arborizadas, a iluminação por lampiões antigos e de luz amarela, fazem Havana Velha reviver o barroco cubano. Todo o centro histórico foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1982, que também vem à frente na administração deste trabalho de recuperação da nobreza dos melhores tempos de Cuba. 


Algumas vielas apresentam ambientes sofisticados, com mesas ao ar livre e decoradas com velas coloridas, flores, musica, provocando um clima romântico e nostálgico, cuja o modelito, passa-nos a sensação de que estamos numa Cuba requintada, com ares europeus e sem as dificuldades que sabemos existir no dia a dia da maioria dos cubanos que por ali não tem autorização de trafegarem livremente pelo país. E por falar em "autorização", esta é uma palavra comum que se ouve com frequência, sendo trocada entre os cubanos não autorizados que se agrupam nas entradas dos hotéis, bares, calçadas, pontos de táxis, locais com grande concentração de turistas, onde existe a possibilidade de gorjetas fáceis, e os cubanos autorizados que já são beneficiados, principalmente por trabalharem no setor de turismo favorável a economia do país.


Muito mais do que algumas restrições e proibições percebidas por mim no curso dos dias, Cuba passou-me a ideia de um país complexo, com seus extremos desdobramentos sociais e paradoxos, onde é possível constatar algumas feridas ainda não cicatrizadas desde que o país se fechou para o resto do mundo e implantou regras ao seu povo que para nós parecem absurdas e inconcebíveis.


É inacreditável pensar que os cubanos não podem conhecer o seu próprio pais, não podem desfrutar dos mesmos espaços que os turistas sem previa autorização do governo, ferindo o direito a liberdade de ir e vir, o que para nós seria uma atitude absurdamente descriminatória.


HELADERIA COPPÉLIA
Para se ter uma ideia, no dia em que resolvemos experimentar um sorvete que chamam de "helado", na famosa "Heladeria Coppélia", administrada pelo estado e conhecida mundialmente à partir do filme cubano premiado "Morango e Chocolate" que rodou o mundo, havia uma fila tão grande de cubanos aguardando para serem atendidos, que fez um dos meus colegas de viagem impaciente, desistir de esperar. Alguns minutos depois ele retornou cheio de surpresa, nos informando que a entrada da sorveteria para turistas era do outro lado. Ou seja; Para turistas eram oferecidos sorvetes de vários sabores e evidentemente com preços e moedas diferenciados. Nós ate pensamos em experimentar o sorvete vendido aos cubanos, que é de um único sabor, vanilla e enfrentam uma fila infindável para teremos o prazer de saboreá-lo, mas certamente não aceitariam a nossa moeda que é de uso apenas para turistas. 
MOEDAS QUE CIRCULAM EM CUBA:
Para que você entenda melhor, existe em Cuba no mínimo três moedas em circulação: 
A dos turistas estrangeiros (dólares ou euros), o peso cubano (de uso interno por cubanos locais e praticamente sem valor) e o CUC moeda que serve de cambio na troca por euros ou dólares e de uso apenas por turistas. Um CUC vale mais que o dólar, cerca de 0,70 euros.



A escassez de bens de consumo obriga os cubanos cada vez mais, a importunar os turistas para adquirir camisetas, sabonetes, creme dental, papel higiênico e assim por diante; E isto não é mito, inúmeras vezes também fui abordado por alguém, me oferecendo rum, charutos que diziam serem legítimos, mas sem nenhum selo, talvez produzidos em algum fundo de quintal e isto sem falar na ousadia de um vendedor de chapéus, que me ofereceu droga na beira da praia, em plena Varadero vigiada por câmeras de TV e funcionários que não disfarçavam a sua função de coibir indesejados.


Ainda caminhando pelas ruas de Havana, percebi inúmeras câmeras de vigilância penduradas em postes, esquinas, marquises de edifícios velhos, que aqui no Brasil me parecem tão comum nas avenidas, mas que lá, por vezes me inibia e dava-me a sensação de que qualquer atitude comum minha, poderia estar sendo vigiada e vista como uma atitude suspeita, pelos olhos do regime. Acho que me bateu por alguns minutos, algumas dessas inseguranças bobas que somos acometidos, aliado a o preconceito de estar num outro pais e este país se chamar Cuba, o único país comunista das Américas. Senti o mesmo quando na chegada ao aeroporto José Martí, fui fotografado por pequenas câmeras no setor de identificação, antes de receber o visto de entrada no país, dando a impressão de que estava chegando em algum centro de detenção, mesmo com os funcionários sendo muito educados. Em seguida recuperei meus sentidos de auto-confiança ao ser liberado e cruzar a porta para fora do clichê.




Cuba me pareceu um país de incógnitas, de divergências sociais gritantes onde é possível perceber nos olhos de seu povo insatisfações sufocadas pelo silencio necessário e o sorriso de uma esperança que parece inesgotável. Diante disto, não é possível associar tudo o que se aprendeu teoricamente sobre comunismo com aquilo que se vê em Havana. O regime cubano está longe da ideia utópica de que todos vivem de maneira igual, com as mesmas condições e salários. Muitos cubanos não ganham além do necessário para sobreviverem e quando fala-se de necessário, subentende-se, que é aquilo que o governo considera necessário; apesar disto, não lembro de ter encontrado ninguém sentado nas ruas pedindo esmolas ou batendo carteiras. Mas se politicamente Cuba me passou a ideia de eu estar pisando em areia movediça e certa austeridade militar, não foi o que senti com relação a o seu povo.



O melhor de Cuba é sem duvidas a batida inspiradora de sua musica e o povo cubano por sua alegria, simplicidade e senso de humor. Eles parecem buscar uma alegria não sei de onde, reconhecer nós brasileiros numa simples troca de olhar ou numa rápida palavra dita por nós para iniciarem um dedo de prosa, como se tivessem um radar que nos reconhecesse à distancia. São muito amáveis e curiosos. Puxam assunto sobre tudo e em particular sobre futebol, carnaval, o ex presidente Lula e novelas da Globo que lá chegaram e fazem até hoje, o maior sucesso de audiência.


Come-se por lá arroz cozido com feijão preto que chamam de congris, aipim que chamam de yuca, dançam salsa que de certo modo lembra o molejo e movimento de quadril ao dançarmos samba, e ainda tem a "santeria" (culto dos orixás), que é mais um ponto de afinidade com a cultura brasileira, que pode ser apreciada na Casa da África em Havana Velha. Quer coisa mais brasileira que isso? Existe uma simpatia e descontração, que às vezes pensamos que não saímos do Brasil.


Além disto Cuba pode ser um destino caro ou barato e isto vai depender do que cada um espera que o país lhe proporcione. Os turistas consumistas e que exigem tratamento diferenciado por excelência, podem significar pequenos cofres ambulantes para a economia cubana, espremida pelo embargo econômico americano e o fim do auxilio de 580 milhões de dolares enviada pela extinta União Soviética. 


HAVANA VEJA:
Existem muitas coisas interessantes para se fazer e conhecer em Cuba, sem custos elevados como por exemplo, conhecer Havana Velha, onde se concentra o maior numero de exemplares da arquitetura colonial cubana e neoclássica e isto vai depender do interesse pessoal de cada um, sem a necessidade de desembolsar fortunas. Claro, que a grande maioria dos restaurantes em Havana velha, com grande concentração de turistas, oferecem pratos internacionais sofisticados e típicos por preços exorbitantes, acompanhados de uma surpreendente latinha de coca-cola gelada, isto mesmo, "coca-cola", mas o jeito é sair sem cerimonias e ir à procura de lugares mais em conta, normalmente na periferia central de Havana; onde o cubano esperto sabe que a moeda brasileira possui menor valor diante do dólar e do euro, desta forma vale apena a tentativa de alguma pechincha normalmente concedida.


CASAS PARTICULARES P/ HOSPEDAGEM
Uma forma mais acessível economicamente de se hospedar em Havana, pode estar nas chamadas casas particulares onde o quarto custa em media U$ 25 por noite. Quando a revolução tomou conta do país em 1959, alguns cubanos que eram mais ricos na época, permaneceram com suas moradias transformando-as em hospedarias, conhecidas em Cuba como "casas particulares" uma opção de hospedagem com melhor custo-benefício para turistas que não procuram luxo e buscam um turismo mais cultural.


MEIO DE TRANSPORTE:
Os meios de transporte por exemplo, podem estar também entre as melhores possibilidades de economia. Apesar de Havana não ser uma grande metrópole e abrir chance para caminhadas, pode se tornar cansativo conhecê-la por completo à pé. São muitos pontos de interesse e isso gasta tempo para ser apreciado e principalmente nos deslocamentos. Sugiro o uso de táxi popular, como os coco-táxis que são triciclos motorizados feitos de fibra de vidro, com bancos para acomodarem três passageiros e têm formato de um coco (por isso o nome). São relativamente ágeis e divertidos de se andar, além do que podem ser barganhado no preço, já que não possuem taxímetro. Uma corrida do centro de Havana ao Centro Histórico custa em média 6 CUCs. (uns R$ 12,00) 


Os táxis convencionais são os mais procurados por turistas, oferecem mais conforto, mas por sua vez, são bem mais caros do que os engraçados coco-táxis de cor amarela. O mesmo serve para as charretes, muito comuns no bairro de Havana Velha. O passeio nos veículos puxados por cavalos custam no mínimo 25 CUCs e ainda têm o problema da lentidão e não poderem se afastar do perímetro do Centro Histórico. Quanto a o sistema de transporte urbano em Cuba, é bastante deficitário e por isto, percebemos inúmeras pessoas em pontos de ônibus que buscam carona para se deslocarem pelo país. A carona é portanto, um habito institucional bastante utilizado.


Como quarta opção, existe um ônibus de turismo, o "habana bus tour", que voce paga 10 CUCs, e ele te leva pra conhecer Havana inteira, passando por todos os pontos turísticos que são informados por uma funcionaria do próprio ônibus através de um alto-falante. O ônibus é de dois andares, sendo a parte superior descoberta para melhor apreciar a paisagem. Você pode pega-lo em qualquer ponto de ônibus que tenha sua placa, descer onde quiser e retoma-lo novamente sem custos adicionais desde que seja no mesmo dia. Pode inclusive conhecer lugares mais afastados do centro de Havana e Havana Velha indo e voltando com ele. Existem duas linhas diferenciadas, com mapa dentro do ônibus, que você pode escolher a rota e realizar-la numa segunda oportunidade se sentir necessidade. Mas lembre-se que o valor pago vale por um dia apenas.


Quanto a alimentação, evitamos os restaurantes de hotéis, eles são diretamente administrados pelo governo e por isto mais caros. O Habana Libre onde ficamos hospedados com café da manhã incluído, cobrava em torno de 28 CUCs o almoço que poderia variar para 32 CUCs dependendo da escolha de acompanhamentos. Diferente dos Risortes com serviço inclusive em que nos hospedamos em Varadero, os hoteis em Havana, cobram até por um suspiro mais longo dado pelos clientes estrangeiros.


PALADARES:
Preferimos sair à pé por Havana à procura de restaurante tipicamente cubanos que chamam de paladares e experimentar temperos mais caseiros e com preços mais modestos; O que não nos arrependemos pois ganhamos no preço e no sabor! O nome paladar, dado aos restaurantes é consequência do sucesso da novela "Vale Tudo" da Rede Globo, (1988 à 1989) assistida por lá, onde bateu recordes de audiência. A protagonista "Raquel" vivida pela atriz Regina Duarte, que após perder tudo ao ser roubada pela filha "Maria de Fátima"- Glória Pires, se reergueu vendendo sanduíches na praia, depois ao abrir um restaurante chamado, Paladar.


Os paladares são restaurantes de comida tipicamente caseiras-cubanas, administrados por cubanos comuns, que ganharam autorização do governo para terem seu próprio negócio.
O restaurante só pode funcionar na casa próprio dono licenciado que não pode contratar gente de fora. Tanto o chefe, cozinheiro, como garçons, têm que ser da própria família, o que propicia a conhecermos uma família cubana com seus hábitos, satisfações e quem sabe se firmar laço de confiança, suas queixas.
Os paladares têm poucas opções no cardápio pela falta de capital do dono do estabelecimento e da escassez de produtos no mercado, mas todas são muito bem preparadas e gostosos diferenciando-se em sabor dos pratos padronizados oferecidos nos restaurantes dos hotéis que parecem sempre com o mesmo gosto. A carne de acompanhamento mais comum é a de porco ou de galinha, assada ou frita e porções de saladas normalmente cruas e de arroz e feijão preto misturados, tipo baião de dois. 


O prato feito, que evidentemente é diferente do nosso, sai em média, por 7 à 9 CUCs ( R$ 15,00 à R$ 18,00 por lá) e que acompanhados de um cerveja Cristal geladíssima ou uma Tukola, a cola consumida em Cuba, torna-se muito apreciável. Apesar disto, como dá para perceber, mesmo em lugares populares a alimentação não é tão barata assim, mas se compararmos com os valores cobrados nos restaurantes dos hotéis, fica mais econômico. 


SUGESTÃO DE ALGUNS LUGARES A SE VISITAR EM HAVANA:
 
HAVANA VIEJA Centro histórico declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1982 e que vem sendo restaurada com dinheiro da comunidade internacional. Toda Havana Vieja é um museu a céu aberto, cercada por uma muralha datada do seculo XVII, onde existem vários pontos de interesse arquitetônico, histórico e cultural como:


A CATEDRAL DE HAVANA: Oficialmente Catedral de la Virgen María de la Concepción Inmaculada de La Habana, é uma catedral Católica da cidade, sendo da sede da Arquidiocese local. O templo foi construído pelos jesuítas entre 1748 e 1777 no local de uma antiga igreja.
A catedral faz parte do sítio Cidade antiga de Havana e suas fortificações considerado patrimônio mundial pela UNESCO e é considerada pelo povo cubano a mais importante construção da Plaza de la Catedral.



CONVENTO DE SANTA CLARA: Foi o primeiro convento estabelecido em Havana, devido a falta de uma instituição que permitisse aos endinheirados uma educação formal e religiosa a suas filhas. 

Em 1610 o governador Pedro de Valdés foi responsável pela coleta e de pedir licença do rei para a construção do edifício. Em 1638 que a construção começou. Em 1643 a igreja foi consagrada e no ano seguinte o convento e a residência das freiras franciscanas foram abertos. O edifício é gigantesco e possui um claustro, câmaras mortuárias no centro, alem de um amplo pomar. O Convento ocupa quatro blocos na parte antiga da cidade. Hoje em dia é o lar do Centro de Restauração, Conservação e Museologia.


LA BODEGUITA DEL MÉDIO: O mais popular bar de Habana Vieja, localizado na California Avenue - 463, por ter sido frequentado pelo escritor Hernest Hemingway, onde se toma o conhecido Mojito e muitos outros drinks como: o Hemingway, o Cuba Libre, o El Presidente, o Sunrise Havana, o Cuba Sidecar e o Daiquiri Floridita. Os preços são salgados, bem acima da média dos outros bares, mas vale a experiencia de entrar, provar uma dessas bebidas e fotografa-lo. Suas paredes estão cheias de assinaturas e fotografias de gente famosa, além de uma coleção de aquarelas, desenhos e pinturas a óleo.


El FLORITA: Bar e Restaurante localizado na esquina das ruas Obispo com Monserrate. O local ainda preserva muito da atmosfera dos anos 40 e 50. Além dos coquetéis, o lugar é conhecido por oferecer frutos do mar (com preços tambem salgados). Alem disto, possui uma sala privada onde clientes podem apreciar os mais elaborados e caros charutos feitos á mão. Também se tornou famoso pela presença de Heminguay, que em uma de suas visitas, deixou um bilhete elogiável ao serviço prestado pelo bar. 


PRAÇA DA REVOLUÇÃO Principal ponto de atração dos turistas que visitam Cuba e que surpreendentemente nada tem haver com uma praça, mas uma grande esplanada de concreto com sua particular beleza, onde no passado foi palco de decisões politicas e manifestações populares.

MEMORIAL JOSÉ MARTI: Imponente monumento da Praça de Revolução, em forma de torre de 109 metros de altura, representando uma estrela de cinco pontas, onde embaixo existe uma estátua de José Martí, em mármore branco. Por um elevador, chega-se ao ponto mais alto da torre, onde é possível ter uma vista panorâmica de toda a cidade. É o ponto mais alto de Havana. 


EL CAPITÓLIO:  Prédio semelhante e inspirado no Capitolio em Washiton. Em Havana, foi a sede do governo de Cuba após a Revolução em 1959, e atualmente é a sede da Academia Cubana de Ciências. O prédio foi o edifício mais alto de Havana na década de 50 e também a terceira maior casa parlamentar do mundo. Com quase 92 metros de altura, a cúpula foi o ponto mais alto na cidade de Havana vencido atualmente pelo Memorial José Martí com 109 metros.


CASTILLO DE LA REAL FUERZA:É a fortaleza mais antiga do país. Foi erguido no século XVI como armazém dos tesouros que as colônias centro e sul-americanas eram obrigadas a pagar em impostos para a Espanha. Localizado de frente para a Baia de Havana, na Plaza de Armas, o castelo é imponente e cercado por fossos e grades. No seu interior relíquias como moedas que circulavam na Cuba colonial e placas enormes de prata e ouro. Várias peças foram encontradas no fundo do mar a partir de 1980 e pertenciam a embarcações que naufragaram. A entrada é grátis, mas os atenciosos guias cubanos esperam uma gratificação no fim da visita.


HOTEL NACIONAL: De arquitetura Art Decó, inaugurado em 1930, abrigou desde estrelas hollywoodianas, políticos importantes e até mafiosos, no período pré-revolução. O Hotel Nacional não perdeu seu charme. No hotel, o gangster Charles Lucky Luciano promovia reuniões e chamava Frank Sinatra para animar as festas da máfia.

Existem túneis e trincheiras do hotel, utilizados para proteção e refúgio durante a Crise dos Mísseis de 1962, o momento mais tenso da Guerra fria.


MUSEU DA REVOLUÇÃO: Inaugurado em 1920, serviu de residência dos poderosos, inclusive Fulgêncio Batista que foi deposto pela revolução. No seu interior o turista tem contato com um grande acevo de obras de arte, documentos e fotografias que documentam a luta armada pela independência de Cuba.

MEMORIAL GRANMA: Pavilhão envidraçado que fica nos fundos do palácio e destaca-se principalmente pelo iate que trouxe Fidel Castro e alguns de seus companheiros do México para Cuba, em 1956, para iniciar a luta armada contra Batista.
Em seu acervo, ainda aviões, carros e misseis soviéticos do período da Guerra. 
O ingresso para visita ao museu e ao memorial custa pouco mais de R$ 10.
Visitar à Universidade de Havana, ao Hotel Habana Libre, ao cinema Cine Yara.



ALGUMAS SUGESTÕES DE SUVENIRS:

Os charutos cubanos, tanto os que são vendidos em Havana Velha, quanto no centro da cidade são muito caros, principalmente se forem feitos à mão. Se não deseja desembolsar muitos dólares, prefira os industrializados e de nomes menos conhecidos, os preços são mais acessíveis e são acomodados em embalagens com cinco unidades. Perfeitos para se presentear.

O Rum é outra opção de souvenir. Existem pequenas garrafas de 350 ml, fáceis de acomodar na bagagem por 6 CUCs cada. As garrafinhas são vendidas em casas especializadas em Havana Velha. Se preferir garrafas grandes, Lembrar que cada pessoa só pode sair do pais com no máximo duas.

Os perfumes cubanos podem ser adquiridos nas perfumarias e pequenas lojas nas entradas dos hoteis. Não são caros e possuem bom fixador. Os mais conhecidos são: O Coral Negro e Magnólia de fragrância feminina e o Vegueros de fragrância masculina . 

Outra opção são os CDs de Salsa, vendidos em cada esquina, em cada entrada de hotel ou restaurantes com musica ao vivo que se entre. São CDs artesanais, sem selo de industrialização, gravados pelos próprios músicos que o comercializam de forma direta o produto, como é feito por aqui.

Cédula de Três Pesos com a imagem de Chê Guevara, muito disputada entre os turistas. Alguns cubanos vendem esta cédula ou moedas em Havana Velha na porta de hotéis em Havana por 1CUC como um souvenir.


Pois bem, Havana tem muitas coisas para se ver, ouvir, sentir, aprender e muitas outras historias para se pensar, contar quando voltamos para casa que em apenas um post neste blog, seria insuficiente para se traduzir em simples e poucas palavras. Por mais que não se tenha tempo ou sensibilidade suficiente para entendê-la, senti-la por um dia, uma semana, um mês, com certeza resultará numa memória de experiência única; por que afinal a principal atração de Havana é a própria cidade e seus moradores.


Até a próxima viagem!

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