Pra declarar minha saudade

Agora pela manhã, recebi no celular uma mensagem que me dizia: 
_Vem jantar aqui hoje à noite, não me abandonem... O amor não é suficiente para ficar sem amigos! _Confirma!..
Confesso que fiquei angustiado com o convite e com nós querendo sair da garganta, quando deveria ficar lisonjeado e feliz, mas os sentimentos por vezes, são tão tortuosos e estranhos dentro da gente, que confundem a nossa razão, nas atitudes mais simples e delicadas; Acho realmente importante a companhia de amigos, então confirmei. 
Existem outros nós de tristeza a me sufocar desde o inicio do mês, que não tenho encontrado uma forma de desata-los e transforma-los em pétalas. Ah!.., e esse novo toque musical no meu celular com Maria Rita cantando: "Pra declarar minha saudade", me põe ainda mais sensibilizado, quando ouço!

Indiferença

Hoje o dia foi daqueles, que não fazia nenhuma diferença se me oferecessem banana verde com pão d'agua, ou um enfeitado prato de salmão com alcaparras e vinho tinto; tudo me parecia tão igual e sem novidades.  E é incrível  como os dias se tornam mais longos nestes momentos em que os pensamentos parecem estar  tão longe (e livre), mas também não se fixam em coisa alguma.
O que eu lembro ao final do plantão, foi de um colega dizer para sua chefe ao ser cobrado por algo que não fez ou esqueceu de fazer:  _Mas se eu der tudo de mim, ficarei sem nada!..

Num corredor de supermercado.

Enquanto isto, agora à tarde no corredor do supermercado, fui abordado por uma senhora com uma garrafa de vodka na mão, me perguntando se a bebida era muito forte. Eu meio perdido com  a pergunta inesperada, disse  que achava que sim, mas...que; e ela sem me dar fôlego e  percebendo minha dificuldade em dar uma resposta objetiva, já foi complementando uma nova observação e uma nova pergunta em cima, fazendo comparações com a cachaça e a bebida em sua mão. Dali, esticou a conversa para falar sobre sua vida pessoal e a do seu companheiro para quem estava levando a bebida e que segundo ela se transformou numa outra pessoa depois que a conheceu num baile da terceira idade a seis anos atrás.
Ficamos conversando por mais de  quinze minutos sobre a sua vida, seu companheiro e filhos adultos, que num corredor apertado de supermercado, parecia uma eternidade de uma avenida engarrafada na hora do hach em que todos pareciam ter pressa. Na verdade eu a ouvia mais do que falava e me preocupava por estar obstruindo o fluxo das outras pessoas no corredor, o que ela não parecia  nem um pouco estar preocupada. Ela tinha os cabelos num tom avermelhado, estatura baixa, gordinha e do tipo que prendia as pessoas com sua simpatia e prosas pessoais, sem parecer inconveniente. Eu acredito que ficaríamos por horas conversando, se não fosse o local inadequado, com pessoas a todo o instante, pedindo com licença. Depois, antes de se despedir, desculpou-se  por ter tomado meu tempo e finalizou dizendo que eu era uma pessoa que lhe passava uma sensação de bondade e credibilidade, por isto teve vontade de parar para conversar.

Uma questão de gerenciamento

A U.P.A- Unidade de Pronto Atendimento na Lomba do Pinheiro, responsável por inúmeros atendimentos de emergência da região, passou por um longo período de reformas que por vezes  colocavam em risco a eficácia de seu funcionamento, em função da demora da obra que restringia  o espaço disponível para o atendimento dos pacientes. As equipes de saúde, também se queixavam da  falta de funcionários no seu quadro de serviços. Mas outra questão de importância  a ser abordada, é o  espaço inadequado para as ambulâncias do SAMU que não conseguem estacionar, durante o fluxo de chegada e saída de pacientes que necessitam serem atendidos ou removidos. O espaço alem de pequeno, serve como estacionamento para veículos particulares que ocupam e obstruem toda a área. Muitas vezes a ambulância é estacionada longe da entrada do posto e alguns pacientes precisam ser  transportados sobre as macas em terreno pouco seguro e desviando de carros e buracos. Em dias chuvosos, a situação se torna ainda mais complexa e constrangedora, uma vez que os pacientes são molhados pela chuva, ate serem levados para as dependências do posto ou para o interior das ambulâncias. Acho que esta ultima questão esbarra muito mais num problema de gerenciamento do que na disponibilidade de uma área física disponível. Inúmeras vezes foi colocado para as chefias imediatas do posto, sobre as dificuldades e riscos de se trafegar com pacientes no local, sem que fossem tomada as devidas providencias. Ontem, diante desta repetida situação, resolvi fotografar o local e postar  aqui no blog.

Uma peça descartavel- Part 2


Hoje é o terceiro dia que passo na rua Leopoldo Machado Soares, do lado do edifício onde moro e vejo a peça descartada, ainda na caixa de plástico vermelha. Tenho preferido andar pelo outro lado da calçada, pois as moscas tomaram conta e o cheiro deve estar insuportável.
Muitas pessoas como eu, devem ter visto aquele cão morto, jogado por ali, mas ninguém quer tomar partido desta coisa tão cruel e desrespeitosa, nem mesmo o serviço de limpeza publica.
Eu pensei em colocar do lado dele, algum tipo de cartaz escrito: "Aqui um cão morto e abandonado por seus donos,  que não tiveram a dignidade de enterra-lo." - mas a chuva destes dias com certeza apagariam as letras. Eu talvez ainda me dê ao trabalho de fazer isto, antes de sobrar apenas seus ossos.
Ah! enquanto escrevia este texto, aqui no blogue, percebi da janela, que três homens de uniforme laranja, do serviço de limpeza publica, se  aproximavam do local. Certamente o levaram embora.

Andróides e bonecos de cera.

Eu fico sempre com pé atrás, com aqueles caras, que usam a barba cortada bem fininha, delineando o contorno da face e não usam bigode; O cabelo bem cortado e brilhante como se  faltasse alguma coisa de humanos neles, um tipo que me lembra um boneco de cera, ou um androide cujo o modelo saiu de circulação. Esta figura que considero estranha, me causa uma certa apreensão. Eu sinto uma vontade de jogar água sobre eles, para ver se entram em curto circuito.

Modificações pessoais necessarias

Resolvi modificar a forma de como escrevo os textos no meu blog. Acho que meus textos estavam muito politicamente corretos e isto fazia com que eu me sentisse um pouco afastado do que eu particularmente considero ser eu mesmo e do que acredito. Não acho que sou sempre correto e equilibrado, para escrever coisas politicamente corretas e que pareçam estar posicionadas no conforto das palavras que todos gostariam de ler. Acho que devo ser mais incisivo, mais profundo, mais duvidoso e contraditório nas minhas colocações do que atualmente tenho sido, sem medo de parecer emocionalmente doentio e mal resolvido. Afinal é tudo isto que somos, um amontoado de sentimentos  paradoxais a procura de uma verdade ou mentira incontestável. Na Sexta-feira quando recebi alguns amigos em minha casa, discutimos sobre essas questões. Por que esta necessidade de parecer-mos aquilo que não somos ou de tentar-mos esconder nossos ódios, rancores ou mesmo parecer-mos equilibrados neste mundo que nos dá tombos a toda hora? A  transcrição no papel ou em gestos e palavras de nossos medos, anseios, alegrias, burrices, futilidades e loucuras, nada mais é do que  a revelação corajosa  do que somos, como indivíduos únicos e com o objetivo de causar reações a quem as recebe mesmo achando tudo uma idiotice.

QUANDO É QUE EU FIQUEI MALUCO.

Eu lembro muito bem quando foi que eu fiquei maluco. Eu fiquei maluco, quando minha mãe me segurou pelos braços com medo e meu pai bêbado, me mijou na cara, um liquido quente e cheirando `a cachaça.
Daí por diante, eu também passei a mijar, só que nas próprias calças, até os seis anos de idade e virei piada em toda a família. Acho que eu intimamente, queria voltar a sentir aquele cheiro horrível de mijo em cima de mim. 
Depois passei a ter medo de aranhas e de um homem apelidado de João do Poço. A não dormir à noite e a falar com fantasmas. A acreditar que o correto era usar os calçados nos pés de forma contraria. A beber somente suco de uva, achando que era sangue e eu um vampiro imortal. A mastigar bagana de cigarros que encontrava na rua. A odiar minha mãe, por que ela gostava do meu pai. A não confiar na minha avó, após ela ter me convencido a colocar meu dedo na boca de um rato, preso numa ratoeira para testar minha masculinidade. A trancar minha irmão menor dentro do guarda-roupas, só para vê-la chorar. A ter raiva do professor de biologia, que um dia me passou a mão na bunda. A sentir vergonha quando meu tio descobriu que eu me masturbava no banheiro e contou para todo mundo na minha frente... 
Depois eu fiquei por um longo tempo calado, simulando sorrisos e vigiando meus gestos, para que acreditassem que eu era um ser absolutamente normal.

O passeio michou!

O passeio planejado pela Serra do Pinto, michou por conta da cara feia do tempo neste final de semana. Achei inadequado num dia encoberto de nuvens e chuvoso como o de hoje, subir a serra onde pouca coisa poderia ser vista. Oportunidade de dias melhores e ensolarados não faltará para conhecer-mos  este belo lugar e tirar muitas fotografias. Agradeço a presteza de meu colega que foi guarda florestal do lugar e teve a gentileza de desenhar um mapa com os principais pontos a serem conhecidos.

Uma peça descartavel.

Pela manhã, quando saí para o trabalho, encontrei um cão morto, dentro de uma caixa de plástico sobre a calçada da Rua Leopoldo Machado Soares, na Intercap onde eu moro.
A forma como ele estava acomodado, ainda deveria estar vivo quando foi largado ao relento e a própria sorte. As pessoas  não tem mais a dignidade de enterrar seus mortos; parece mais conveniente abandona-los na rua, em qualquer lugar, em qualquer situação como uma peça descartável e isto me revolta demais.
Algumas vezes eu penso em mudar-me da cidade para algum lugar mais rural, cercado de mato  e   tranquilidade, embora eu sinta um pouco de receio de morar isolado e ser assaltado ou morto por algum delinquente de plantão ou ainda morrer de depressão cercado de árvores e muito silencio. Não sei o que seria pior, mas ainda não desisti de tratar estes medos e providenciar alguma mudança neste sentido, mesmo que seja apenas experimental. Hoje decididamente me senti numa nova estação, este clima meio chuvoso, me deixa mais introspectivo e também menos cansado. O cansaço para algumas pessoas como eu, é mais mental do que físico, mais emocional do que muscular.

Meu inimigo mora do lado

Tem um cara que mora na pensão de estudantes aqui do lado de casa, que não gosta de mim. Eu sinto isto por que quando eu passo por ele, ele fica com aquele jeito camuflado de quem esta em vigilância, que é quando a pessoa te observa pelo canto do olho, embora pareça estar olhando na outra direção. Nós nunca trocamos uma única palavra, mas sei que não sou aceito por alguma razão que talvez eu nunca  venha a descobrir.  
No principio, ele nada significava para mim, apenas uma imagem comum, de alguém comum, fazendo coisas comuns, até o dia em que fixou seus olhos sobre mim e percebi sua  expressão de desaprovação, náusea e falta de simpatia. Eu agora estou no aguardo de reconquistar meus velhos poderes mágicos, chegar na sua frente e desintegra-lo com meus próprios olhos, por que me cansei de fingir ser correto.

Teoria da positividade

Hoje li no blog Canudos Coloridos, um texto escrito por Guy Franco, que eu chamarei de "receita pratica para a felicidade", embora não seja própriamente esta a função do texto, mas achei muito engraçado e diz o seguinte:

"_Sem medo de ser feliz, sem medo de ser feliz, sem medo de ser feliz. Repita isso umas cinco vezes até a expressão começar a fazer sentido na sua cabeça. Vamos lá. Em frente ao espelho, repita: Sem medo de ser feliz, sem medo de ser feliz. Entende do que eu estou falando?"

Esta teoria da positividade fez eu lembrar de uma amiga, já falecida e que foi casada com um  cara muito magro. Ela depois de experimentar varias correntes filosóficas e espirituais com o objetivo de ter uma vida emocional mais centrada, encontrou uma que veio de encontro ao que ela chamava de (menos complexa e possível de seguir). Ensinaram-lhe um exercício, que segundo ela, era capaz de modificar o perfil emocional e energético das coisas não aceitáveis ou que produzissem energias negativas com o meio, interferindo-se nas boas relações de convivência. Através de pensamentos positivos era possível  provocar verdadeiros  milagres de transformação. Ela então repetia, inicialmente em voz alta, inúmeras vezes para o marido do qual ela não  aceitava que fosse tão magro: 
"_O  fulano é gordo, o  fulano é gordo, o fulano é gordo, ele é perfeitamente gordo!" E enquanto conversava com ele, interiorizava esta situação imaginaria repetindo pra si  em silencio. Na verdade ele nunca aumentou nenhum centímetro se quer do que era, somente a falta de paciência com ela.

A grande Lua.

Foi algo de encher os olhos no Sábado passado - dia 18, quando olhei para o céu da janela do meu quarto e percebi que a lua estava tão grande e brilhante que parecia antecipar situações de ordem sobre naturais. A lua deste Sábado foi a maior em quase 20 anos. Dados publicados por especialistas na Internet, informaram que este é um fenômeno raro, bem mais raro do que a Lua Azul que acontece uma vez a cada dois anos e meio. A última Lua Cheia tão grande e tão perto da Terra ocorreu em Março de 1993, foi o que informou Geoff Chester, do Observatório Naval dos EUA, em Washington.

Alguma armadilhas que não consigo lidar...

Foi uma surpresa encontrar o Jerson ontem, aquela hora da tarde tão chuvosa, numa das ruas da cidade que não parecia a nossa, mas outra cidade desconhecida de um lugar qualquer. Nos reconhecemos de imediato, eu de macacão azul, muitos quilos à mais e ele de jeans, camisa social e um suéter bege que não combinava com os cabelos de um amarelo queimado pelo Sol e muitos fios grisalhos.  
Acho que no primeiro momento, quando cruzamos nossos olhares, houve uma reciproca negação, como se não quiséssemos nos reconhecer depois de mais de 30 anos, com os aspectos físicos bem diferente do que fomos no passado aos 16 anos.
 _Nossa que coincidência, tu por aqui?.. Eu estava passando, quando esta senhora desmaiou e então decidi chamar a ambulância! Será que ela vai ficar bem? -Acho que foi isto que ele falou num meio sorriso...
_Eu já te informo assim que terminar!- respondi num tom de voz tenso e desajeitado, enquanto examinava a paciente sentada numa cadeira de plástico colocada sobre a calçada e protegida pela marquise.
Lembrei rapidamente que muitas e muitas noites em que varamos a madrugada jogando conversa fora, ele tocando musicas de Jorge Ben e Vinicius de Moraes no violão, enquanto tentávamos encontrar respostas para aquelas perguntas complexas guardadas em nós e que quando se é jovem,  se tem aos montes e  só são respondidas com a maturidade que mais tarde, exige novas questões urgentes. 
Ele estava parado na rua entre outras pessoas que amparavam uma senhora de rosto muito pálido e então levei alguns minutos para me localizar diante de toda a situação. 
Sua voz continuava a mesma, pontilhada, controlada, porém  tomada de uma timidez e nervosismo talvez  atribuída a toda a  situação incomum em que se encontrava.
Eu me achava em alguns momentos ausente do que estava fazendo e também incomodado, uma vez que me desconforto ao trabalhar sob olhares curiosos e mais ainda, com a armadilha que o destino  havia me provocado, sem eu estar preparado. 
Nunca imaginei este encontro e se tivesse que idealiza-lo não seria desta forma, num momento atribulado do trabalho e sob o olhar publico de desconhecidos.
Sua presença me inibia tanto quanto me causava um sentimento nostálgico. Inexplicavelmente não conseguia aceitar este encontro cujo o espaço de tempo nos roubou afinidades e agora nos posicionava um diante do outro de forma tão formal e distante. Fiquei sem ação. O que dizer naquele momento: É.., pois é..,vai continuar chovendo hoje?..
Depois de colocar-mos a paciente dentro da ambulância, ele posicionou-se na porta com  a expressão menos assustado e despediu-se agradecendo nossa atenção com um breve sorriso reticente. 
Depois que cheguei em casa, fiquei pensando no porquê coloquei a culpa em coisas tão subjetivas, me eximindo de responsabilidades. Era só apertar o botão, me desarmar, abrir um sorriso e depois contar uma outra história final.

Roendo ossos e lambendo os dedos

Num dado momento, tudo começa a ficar chato e repetitivo e então você passa a roer os ossos da relação, que foi somente o que sobrou.., mesmo estando noutra...
Enquanto você vai roendo, vai lembrando do que foi antes, do quanto saboroso e  prazeroso foi um dia, sem as queixas diárias de cansaço, de desafetos e perseguições no trabalho, da falta de dinheiro e de sexo, da solidão e tantas outras conversas que se tornaram  desnecessárias por que afinal, estamos noutra à lamber os dedos.
Eu gostaria antes de publicar esta postagem, de uma totalidade que esmagasse o prescindível!
Devo pedir desculpas quando uso algumas  palavras rudes para esclarecer o que estou sentindo? A franqueza por vezes é uma arma, não é um bom negócio também nas amizades, não mantém de pé a politica da boa vizinhança e isto provoca magoas. Eu sinto muito por não aceitar e deixar registrado em palavras o que me incomoda e que me abstém de leveza e tranquilidade.

Aproveito a musica gravada por Bethânia para completar minha idéia:
"Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser e de dizer coisas que podem magoar e te ofender mas cada um tem o seu jeito todo próprio de amar e de se defender.."

Perdendo referências

Somos cobertos por referencias que vamos enfileirando dentro de nós, a cada passo que damos e absorvemos da vida, através de gestos, atitudes, sons, imagens, compondo o que talvez somos  interiormente hoje. É a rua e a casa onde vivemos nossa infância, a árvore que subimos para colher o primeiro fruto com a própria mão, o botequim onde bebemos a melhor cerveja, o filme que mais nos emocionou ou nos deixou pensativos, a musica que lembramos de alguém, a viagem mais bonita e ai se vão uma infinidade de lembranças, que talvez sejam substituídas mais tarde  por outras, mas que num dado momento, são despertadas por algum fato marcante ou não, pois estavam apenas adormecidas dentro de nós e refazem a importância que tiveram sobre nossas vidas.

Desde a morte de Elis, Tom Jobim, Cazuza, Renato Russo, Cassia Eller e muitos outros que  tornaram-se referencia, contribuindo com sua arte na formação intelectual das pessoas, é que tenho percebido distanciar-se uma fatia do tempo tão rica e  que embalou emoções contribuindo na formação de opiniões e atitudes que se deslancharam  para as questões sociais, ecológicas e politicas. A morte destas pessoas publicas, que  num dado momento, serviram de sustentação em nossas vidas, quebram a ilusão de imortalidade, deixando claro para nós, que o que é eterno  foi o que deixaram como legado. Hoje pela manhã, quando soube da  morte,  aos 79 anos, de Elizabeth Taylor, uma das grandes lendas do cinema mundial e que ajudou através de suas atuações, em mais de 50 filmes, no questionamento e revisão de atitudes da época, fiquei pensando sobre isto.
Mesmo sem estar atuando a algum tempo, por questões de saúde, senti estar perdendo mais uma referencia da minha vida. Dos tantos filmes que assisti e me senti contribuído com sua atuação, lembro-me de: “Quem Tem Medo de Virginia Wolf?”  “Assim Caminha a Humanidade“, “Gata em Teto de Zinco Quente“, “A Megera Domada”  e o épico “Cleópatra“.

A pergunta cuja as respostas não me convencem

Por vezes penso estar vivendo num mundo que eu não gostaria de estar fazendo parte e não me refiro as  guerras, catástrofes ou acidentes naturais, mostrados constantemente na TV e que de certo modo, parecem estarem tão distantes de mim, separados por uma tela  com micro pontos luminosos, formando imagens surpreendentes. Nesta área de conforto entre meu sofá e a tela, sinto que nada pode me atingir. Existe uma onipotencia estruturada dentro de nós, seres humanos, que alimenta a falsa certeza de que  temos poder de suplantar fatalidades impostas e inclusive a própria  morte.
Num dia estamos felizes e sorridentes e no outro triturando magoas, decepções, desajustes que não temos controle e nem podemos modificar por serem ditadas pela vida. Existem muitas outras dores espalhadas entre nós e não divulgadas na tela da TV e que por  desatenção ou comodidade passam desapercebidas diante de nossos olhos que se negam a enxergar o que é duro de aceitar.
Tenho convivido com a perda de amigos, doenças graves em familiares de outros amigos, que parecem verdadeiros pesadelos e cuja a impotência  humana diante disto me desestabiliza  em incertezas. 
Algumas dores são inimagináveis para quem não esta diretamente envolvido e mesmo buscando através de uma simulada transferência,  se pôr no lugar, não é possível ter uma noção da sua verdadeira dimensão. 
Se somos colocados diante destas situações difíceis, para exercício e entendimento de nossas fragilidades, crescimento pessoal, emocional e espiritual, do qual temos tanta intuição mas pouco manejo, ainda assim  parece sobrar a simples pergunta "por que", cuja as respostas ainda não me convenceram de fato.

Acreditando em mudanças

A vinda do presidente Barack Obama ao nosso país, me causou além de surpresa, uma pontinha de contentamento e isto esta ligado ao fato de emocionalmente eu ter torcido por sua vitoria na eleição presidencial americana e desta forma ter sido o primeiro homem negro a conquistar o comando de um pais tão racista quanto os USA. Isto indiscutivelmente criou-se uma linha de esperança e a expectativa de que certas coisas estagnadas e incompreensíveis nas politicas e filosofia dos pensamentos mundiais, tenham grandes possibilidades de um dia mudarem seu perfil para melhor.
Bom não estou aqui tentando discutir politica internacional, assunto que não domino, como também não sou tão inocente para acreditar que sua visita, não tenha sido de cunho politico e económico, por que afinal das contas é  esta a função dos governantes, como é disto que depende todas as mudanças que ocorrem no mundo e interferem em nossas vidas até quando damos descarga no vaso sanitário. 
Debaixo dos sorrisos, abraços, poses para fotos e cerimonias protocolares ou não, existem interesses paralelos entre os dois governos em prol de favorecimentos mútuos. O que quero na verdade, é colocar minha esperança e credibilidade nas alianças que tem sido discutidas e que trata de Democracia, Direitos Humanos, Igualdade Racial, e Inclusão Social. Decisões importantes para que possamos deixar aos nossos filhos e netos um mundo mais digno, justo e menos hostil.
Quanto a minha simpatia por Obama, vai alem da sua cor de pele, postura simples de comunicar-se e atitude menos austera de fazer politica, algo  que inegavelmente aproxima-se do referencial  que nos brasileiros conhecemos, a tentativa e esforço de acertar na raça.

Relações necessárias

Fiquei três dias sem Internet, isto serviu para testar minha dependência, minha paciência e também  abstinência neste vicio que fiquei dependente a pelo menos uns quatro anos. 
Bom já que estou aqui, evidencia que sobrevivi, por que afinal das contas, sobrevivemos a tantas coisas que não nos dá prazer, imagina as que dão?.. Nos faz correr atrás para não ficarmos com aquela desagradável sensação de que falta superfície em baixo dos pés.
Mas hoje alem de recuperar meu vício, ganhei um grande abraço, com direito a uma declaração de amor, fraternal, e isto me deixou tão pra cima, me fez sentir tão importante, tão indispensável que agora me faltam palavras para explicar estas relações de aféto que se fazem tão necessárias a o brilho da alma, sem garantias impostas.

Um dia diferente

Sabe aqueles dias em que você parece estar diferente e que tudo a sua volta também?.. E eu quero dizer diferentemente bem! O dia não foi como na maioria dos outros, pesado, cansativo, embora estivesse chuvoso e eu diante das maiores atrocidades e desgrasseiras humanas que meu trabalho é capaz de mostrar e sem qualquer alteração emocional que me deixasse incomodado. O dia parecia orvalhado e eu  me sentia no mesmo clima.
No final do plantão, pensei que hoje é Sexta-feira e eu até poderia me sentar  num boteco de rua, beber alguma coisa, olhar a lua que estava magnifica, falar com alguem sobre coisas fúteis etc.. e tal, mas não é sempre que se encontra companhia disponível para estas coisas e que esteja no mesmo clima e vibração que a gente, então resolvi ir  para casa. O celular até que tocou, mas decidi não arriscar em atende-lo com a possibilidade de outros programas. Eu não poderia nem pensar na possibilidade de receber algum convite que não fosse o que idealizei  hoje, mesmo que seja somente em minha própria companhia.

Rosa Passos


Rosa Passos é cantora baiana, compositora e violinista, talves pouco conhecida da maioria dos brasileiros. Sua voz afinadissima e de rara beleza interpretando "Dunas", faz a gente pensar  na delicadeza das pequenas coisas exibidas pela natureza e nos presenteando  com dias melhores na delicadeza de sua voz.
Rosa estreou no mercado fonográfico com o disco "Recriação". Mais tarde lançou Curare, onde gravou clássicos da musica popular brasileira, em 1993 o CD "Festa", interpretando parcerias com Fernando de Oliveira e Aldir Blanc, entre outros, e três anos depois, gravou o CD "Pano pra manga", predominantemente autoral.
Em 2002, lançou somente para o mercado americano o CD "Me and my heart" com Paulo Paulelli (baixo acústico e percussão de boca) e participou de diversos festivais de jazz, acompanhada por vários músicos de renome internacional, como Toots Thielemans e Paquito D'Rivera. No mesmo ano, lançou o CD "Azul", contendo composições de Djavan, Gilberto Gil e João Bosco.
A fama de Rosa Passos cresceu a partir do CD Curare (1991), quando se aproxima definitivamente do repertório de bossa nova, gravando temas de Tom Jobim como "Dindi", "A felicidade" e "Só danço samba". Desde então vem realizando turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão com um extenso repertório de temas próprios e interpretações de clássicos como Gilberto Gil, Djavan, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Edu Lobo, etc.

Entre fases e fezes


Foram apenas 72 horas de plantões para que a ficha caísse e eu percebesse estar de volta a dura realidade dos dias, que parecem estar do mesmo jeito que deixei, com a mesma rotina absurda e incomoda, parecendo estar me aguardando do retorno das férias.
É curioso perceber que nos arrastamos longos meses com esses entraves provocados pelo trabalho e problemas pessoais de toda a ordem, até tirarmos alguns dias de merecido descanso; Levamos  algum tempo a nos adaptarmos ao novo modelo de vida relaxado, com os problemas sendo postos de lado e em busca de coisas que nos dão alegria e prazer...Estes dias maravilhosos passam tão rápido que quando percebemos, acabaram...
Na volta, as mesmas caras feias, os mesmos problemas crônicos, os mesmos nós não desatados...
Hoje pela manhã (no termino do plantão), assistindo uma entrevista de uma jovem na TV que falava sobre sua reabilitação física e emocional após ter ficado tetraplégica, recebi uma dose terapêutica de ânimo que eu talvez estivesse precisando.  
Entre tantas coisas que ela falou na sua entrevista, algumas frases ditas, ficaram na minha cabeça servindo-me como uma verdadeira lição de adaptação as controvérsias da vida e é bom ouvir isto.
_Eu não nasci tetraplégica, entrei caminhando no hospital para uma consulta e sai  algumas semanas depois, numa cadeira de roda!..
_A cada momento de aceitação a minha nova condição de vida, fui aprendendo a valorizar as pequenas coisas que antes não valorizava, por simplesmente não dar importância para elas. Hoje sei da importância que deve-se dar a cada dia e não tentar viver o passado que se foi e o futuro que é incerto!..
_Nossa vida é cheia de altos e baixos e somos pressionados a aceitar a "ditadura da felicidade". Não acho que deva ser assim. Precisamos é viver com intensidade cada momento apresentado. Afinal vivemos entre fases e fezes!..

Fagocitose

Eu fiquei observando disfarçadamente aquele casal que já conheço de muito tempo, tão próximos um do outro e de mãos entrelaçadas, enquanto todos conversavam no grande grupo de pessoas em volta da mesa com doces, bebidas e salgados. Eles pareciam retratar a equilibrada relação que todos esperam de um casamento, uma cumplicidade de gestos e olhares, sem qualquer expressão  de reprovação ao que o outro falava. A resposta de um, parecia a permissividade silenciosa do outro que finalizava tudo  numa ideia unilateral, de simetria cuidadosa. 
As frases pareciam consentidas, pré aprovadas, politicamente corretas, equilibradas nas normas que envolvem o enlace e suas regras do bem viver a dois.  
Não pareciam dois indivíduos com pensamentos independentes, mas uma só pessoa, uma única personalidade em dois corpos com liberdade de movimentos, ligados a um fio condutor de regras incorporadas e com mesmo enfoque de pensamentos, de ideias morais, de opiniões que se combinam perfeitamente.  
Falar com um, dava a sensação de se falar com o outro, um eco da mesma voz; Uma espécie de instituição organizada, uma célula fagocitada, que parecia suprimir as diferenças  existentes entre as personalidades, que sabe-se, são diferentes entre si por natureza.  
Enfim.., faltava-lhes naturalidade, as dobras que não se encaixam, as pequenas diferenças que faz tudo parecer naturalmente normal.
Diante de tanta perfeição, me senti o mais imperfeito dos convidados presentes!

BARRAGEM DO SALTO- SÃO FRANCISCO DE PAULA

Sempre que é possível e disponibilizo de algum tempo, gosto de subir até a Serra Gaucha para apreciar a paisagem rural que se estende de Taquara à Tres Coroas, São Francisco de Paula, Jaquirana, Cambará do Sul, São José dos Ausentes. 
Cada cantinho que se observa nas estradas, parece esconder uma infinidade de surpresas à serem reveladas, como uma ponte, um morro, uma cascata, uma vila, uma fazenda, um caminho que ficou desapercebido e que de repente se mostra, surpreendendo nossos olhos com muita beleza.


Esta é a região da qual conhecemos como Campos de cima da Serra, onde o vento neste período bate delicado em nossos rostos, causando-nos uma incomparável sensação de liberdade na imensidão de vales e planaltos da região, muita rica em fauna e flora. No inverno rigoroso, as temperaturas negativas transformam toda a superfície em um magnifico tapete branco, causado pelas geadas e neve, atraindo os mais diversos turistas do estado e de outros lugares para estas regiões.

São Francisco de Paula:

Cheguei a o centro da cidade de S. Francisco de Paula às 11h. 32 min., parada obrigatória para o almoço, depois uma caminhada na avenida Julio de Castilhos enfeitada para o Carnaval, visita a igreja Matriz, a praça, o lago São Bernardo e depois fui em busca da Barragem do Salto, no Rio Santa Cruz, uns 22 quilômetros de S. Francisco de Paula pela RS-235 que eu queria conhecer.


Barragem do Salto:
O acesso para a barragem se dá, depois de primeiro trevo que leva a cidade de Canela, à direita. Em seguida, já se encontra algumas placas de sinalização indicativa. A estrada de acesso é de terra e leva-se em torno de 30 minutos de S.Francisco de Paula até a barragem, cercada de belas moradias e algumas áreas destinadas ao Camping.



Li em alguns sites, que a obra da Barragem do Salto, foi inaugurada em Janeiro de 1951 e pertence ao Sistema Energético Salto, com 583 metros de comprimento, 14 milhões de metros cúbicos de água, com até 12 metros de profundidade gerando energia na Usina de Bugres e Canastra (CEEE). A água é conduzida até a usina por um túnel de uns dois quilômetros e mais de dois metros de diâmetro.


O local onde encontra-se o paredão de concreto, que retém a água e algumas placas de sinalização de perigo, não é bonito e possui um aspecto de desleixo, lixo, garrafas pet boiando na água, mas o resto da paisagem em volta é cercado de muito verde e propicio para o descanso e lazer. Havia algumas pessoas pescando e aventurando-se em esportes náuticos. Há alguns bares e lancherias, onde vendem lanches e bebidas.


Existe no local passeios de barcos, que levam os visitantes até as ilhas no meio da barragem ou mesmo passeios para conhece-la de um lado ao outro, mas neste dia, não tive sorte, pois a Marina estava fechado por ocasião do feriado de carnaval. Os locais para Camping disponibilizam de uma boa infra estrutura como luz, água e banheiro, por R$ 5,00 o dia ou R$ 15,00 por pessoa, para passarem os finais de semana ou mais dias. Deve-se levar barracas.


Existe também, pequenos chalés de madeira, pertencentes a Colônia de Ferias dos funcionários da CEEE, que  usufruem do lugar para descanso. Os chalés estão disponíveis apenas para funcionários associados. O rio se prolonga depois da barragem sobre uma superfície de pedras, margeado pela mata de pinheiros, formando pequenas cachoeiras e piscinas naturais em seu curso, propicio à banhos relaxantes no verão, pois fora da temporada a água é tão fria que somente os mais corajosos se aventuram.


Fiquei por horas sentado na beira da barragem, admirando a beleza do lugar, ouvindo o som da natureza e assistindo algumas aves pousando na beira da água. 
Relaxei tanto, que peguei no sono e quase não percebi o tempo passar e a hora de retornar para casa.

Distâncias:
De Poa à S. Francisco de Paula; 112 km
De S. Francisco de Paula à barragem do Salto; 22 km
De Canela à Barragem do Salto: 12 km.

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CHURRASCO PARA AMIGOS.


Ontem à noite me puxei no churrasco para alguns amigos, aqui em casa, decidido as pressas no meio da tarde. A noite estrelada acompanhada de uma brisa estava propicia para isto, embora os mais sensíveis até sentissem um pouco de frio na cobertura do edifício. Acho positivo e agradável esses encontros de alto astral, bate papo para descontrair e bom humor. E por que não seriam né?... Esses momentos preenchem os dias comuns de prazer e alegria, necessários a o nosso sistema imunológico, algumas vezes em baixa.

Esmiuçando

Eu posso estar por inteiro ou pela metade em determinados lugares em que me encontro e então me pergunto onde está minha outra metade que saiu de mim, quando percebo faltar-me todo o resto...
As vezes custo a crer que faço falta para algumas pessoas, como elas me colocaram ontem, parecendo tão sinceras quanto saudosas de algo que não sou. Ouço-as com descredibilidade, comparando-me a uma  dose de bebida que provocaram-lhes uma pequena sensação de embriagues passageira e logo substituível por novas sensações de pouca importância. 
Tem vezes que acredito em tudo e noutros momentos em quase nada que ouço, vejo e falo. Amiúde me apago  sem razão, como uma chama de vela ou a luz de uma lanterna, tão desnecessária para os que estão cegos como pra mim dividido pela metade.

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TÔ PENSANDO QUE:

Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...