
O gato

Enquanto o resgate não chega
DOLORES DURAN
Depois, por algum tempo, confundia-a com Cacilda Becker a dama do teatro. Somente depois quando esta paixão tendeu a aumentar é que fui em busca de seu rosto estampado em algumas revistas da época. Minha mãe, também fã da cantora, ensaiava dentro de casa, algumas de suas musicas temperando minha sensibilidade musical de criança e seu cansaço pela labuta da vida .
Ione
"Lembrei deste fato ao visitar uma pagina da Internet onde havia uma foto de Eliana Pitman, do qual Ione se parecia".
Beatriz, eu e Vivaldi
Desfecho...em cima

Pés sujos, pipa rasgada e lagimas.
Inês Lanmberthini
26/06/2008
24/06/2008
O amor é libertário. Não se pode pensar que ele não disponibilize espaços individuais necessários, que ele não pactue confiabilidade e cumplicidade mutua, que ele não regule o equilíbrio nas diferenças que se contrapõe nas relações.
Amar deve ser soltura da alma regada ao prazer da convivência, do desejo. Não consigo conceber um amor que aprisione sob o julgo dos ciúmes, das desconfianças, das insatisfações pessoais somadas e não resolvidas. Por isto amar exige cuidada atenção, paciência e respeito às suas dualidades.
Acho o Eixo
Borba me ligou
Experiencias do Campo
Numa destas férias, quando fui visita-los, eu rolava pelo campo, numa destas brincadeiras enlouquecidas de criança, quando me senti tonto, nauzeado, dor de cabeça, mal estar geral sem saber o que estava me acontecendo. Fui levado para dentro de casa, termometro debaixo do braço, garganta dolorida, não conseguia engolir a saliva.
Quando o estranho médico chegou numa carroça, da vila vizinha, me examinou e sorriu dizendo aliviado: -Doença de criança, cachumba!
Este período, marcou muito minha vida, pois lembro de cada detalhe que vivenciei, das pessoas, do pomar, das galinhas que viviam soltas e dormiam nas arvores e voavam sobre nós a o amanhecer, do deposito de sal que ficava ao lado de nossa casa, o açude fundo onde minha irmã tentou afogar o menino travesso que morava do lado, o carneiro que perseguia minha mãe grávida. A guerra de caquis, os cavalos selvagens, o milho assado no fogão de campanha, os passeios de charrete, o funcionário albino e analfabeto, que não enchergava direito. Os sonhos, os fantasmas, o ruido do vento nas arvores, a triste beleza do entardecer, a simplicidade de tudo. Acho que todos deveriam alguma vez na vida, sentirem a experiência de viver no campo, numa fazenda no interior. Ao menos uma única vez em suas vidas.
Distração Digital
Heranças
Erika herdou quase todos os móveis e objetos de sua avó morta. Empilhou-os num canto do sótão empoeirado de sua casa, dizendo não saber o que fazer com aquilo tudo. Um dia encontrou entre estes pertences um sapatinho de lã com um papelzinho escrito: “Lembrança de minha querida neta”.
Brincadeiras de criança
Quando pequeno, ajudava minha avó a escolher feijão sobre a mesa de madeira da cozinha. Separava atentamente todos os grãos bons dos ruins, imaginando que eram bois em uma grande estância do interior. Juntava alguns pretos, marrons e malhadinhos e guardava entre meus brinquedos para mais tarde voltar a brincar.
Filha de Ogum
Caricias roubados
Tarde na praça
homem de farda, gato pardo,
carroça passando,
bicicletas com cachecol,
futebol na praça,
telhados de barro,
criança no balanço,
folhas secas no caminho,
casas velhas de varandas,
mãos nos bolsos,
vigia adormecido ao sol,
vozes de crianças na escola a brincar,
trepar na arvore,
garotos gordos, bochechas rosadas,
bolinhos crús,
fim de tarde,
isto é vida!
Boal
Augusto Boal
Augusto.
Tio Dudu era um homem quieto, mas quando falava tinha a voz mansa, pausada e carinhosa com todos nós. Minha mãe conta que na sua juventude, tinha atitudes estranhas. Não falava com ninguem e as vezes sumia no meio do mato por longas horas. Era, as vezes, encontrado deitado de baixo das arvores conversando sozinho, gesticulando, ou olhando pro céu como se buscasse alguma coisa. Quando contraiu câncer de garganta, muitos anos depois, passou a falar ainda menos e seus olhos muito mais.
Dona Dione
Oque é ser pobre!
- Como foi sua experiência?
-Boa, responde o filho, com olhar perdido a distancia.
-E o que você aprendeu? Insistiu o pai. O filho respondeu:
-Primeiro: Que nós temos um cachorro e eles tem quatro;
-Segundo: Que nós temos uma piscina com agua tratada, que chega até a metade do nosso quintal. Eles tem um rio sem fim, de agua cristalina, onde tem peixinhos e outras belezas;
-Terceiro: Que nós importamos lustres do oriente para iluminar nosso jardim, enquanto eles tem as estrelas e a lua para ilumina-los;
-Quarto: Nosso quintal chega até o muro. O deles até o horizonte;
-Quinto: Nós compramos nossa comida, eles cozinham;
-Sexto: Nós ouvimos CDS... Eles ouvem uma perpétua sinfonia de pássaros, periquitos, sapos grilos, e outros animalzinhos... Tudo isso as vezes, acompanhado pelo sonoro canto de um vizinho que trabalha sua terra;
-Sétimo: Nós usamos microondas. Tudo o que eles comem tem o glorioso sabor do fogão à lenha;
-Oitavo: Para nos protegermos vivemos rodeados por um muro, com alarmes... Eles vivem com suas portas abertas, protegidos pela amizade de seus vizinhos;
-Nono: Nós vivemos conectados ao celular, a o computador, à televisão. Eles estão conectados à vida, ao céu, ao sol, ao verde do campo, aos animais, às suas sombras, à sua familia.
O pai ficou impressionado com a profundidade de seu filho e então o filho terminou:
-Obrigado, pai, por ter me ensinado o quanto somos pobres! Cada dia estamos mais pobres de espírito e de observação da natureza, que são as grandes obras de Deus.
Nos preocupamos em ter, ter, ter e cada vez mais ter. Em vez de nos preocuparmos em ser.
ENSAIO DE CORES.
Um dia tudo deixou de ter graça, as piadas, o sorriso das crianças, as peripécias dos filhotes, as cores da vida. Então comecei a exercitar minhas emoções com algumas pinceladas até recuperar tudo de volta, como era antes...
Grandezas
Engrenagem
auto confiança?
Magia do céu...
As cegonhas...

Cinara...
Geovana
Antiga cicatriz...
Dick então aproximo-se tímido e meu pai encostou o osso em brasa em seu focinho preto, enquanto segurava-o pela coleira. Dick gritou e chorou o dia e a note toda, depois desapareceu por quase um mes. Quando reapareceu no pátio, tinha uma ferida vermelha que com o passar do tempo ficou branca. Nuca mais vigiou os churrascos de meu pai e eu tambem não mais os comi.
Rua 9
Agora, moram nesta casa outras pessoas que não conheço. O cachorro também não mais o mesmo!
Vinculos do passado
Observei também sua casa simples enfeitada com guardanapos de crochê, cortinas de bambu e folhagem vistosas no canto da sala.
Uma foto na parede, mostrava seu rosto jovem e sem rugas, expressão de alegria e orgulho na flor de seus vinte e cinco anos. Quando perguntei se a foto era dela, me respondeu angustiada:
-Sim era eu, quando era gente!
-Mas a senhora ainda é gente!- Respondi prontamente.
-Minha familia, sempre foi assim nota vinte, bonita!- Me falou orgulhosa enquanto passava o pente em seus cabelos desalinhados. Depois apoiou-se em meu braço e seguiu até rua para que eu a conduzisse até a ambulância. Não sei por que tudo me parecia tão familiar. Seu rosto, sua casa, seus pertences, que fiquei a procura de vínculos perdidos em suas palavras, nas paredes de sua casa manchadas de mofo, seus bibelôs antigos, seus objetos e vontade de qualquer dia visita-la como um simples amigo.
Guarana & Musica
Shakespeare?
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. Você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
William Shakespeare.
COMO DIZ LEILA DINIZ.

Era 14 de Julho de1972, quando saia para rua numa manhã como a de hoje e ouvi no rádio de pilhas de um amigo a noticia da queda de um avião na Índia sem sobreviventes. Entre as vitimas, uma brasileira conhecida, a atriz Leila Diniz. Isto já faz quase 36 anos e eu na época tinha apenas 14 anos. Lembro-me de ter ficado estarrecido com a noticia e ter chorado o resto da manhã. Pra mim era impossível não lembrar daquela mulher alegre, bonita e despojada e que foi fotografada grávida, de biquíni numa praia do Rio de Janeiro. A mulher que quando aparecia na tv, minha mãe trocava de canal, por ser muito desbocada. Quando retornei para minha casa, depois do passeio, sentei-me na frente do computador e resolvi saber mais sobre sua vida. Revitalizar lembranças que as vezes ficam meio apagadas pelo tempo. Pensei também que no dia que soube de sua morte ventava forte e fazia sol, como hoje.
Inverno, lareira, fondue..

Agora à noite, ventania quase derrubando janelas. Frio e chuva em luta cruzada, torcendo persianas, fazendo doer os ossos dos pés, das mãos que digitam no teclado. Isto tudo é uma delicia para quem tem um teto, uma cama quente. Lembrei desses dias de inverno, em que reunia a familia e alguns amigos em volta da lareira para o papo informal acompanhados de vinho tinto e fondue de carne.
Dorian Gray
Ontem vi o Mauro entrar em sua casa, embora ele não tivesse me visto. Passos lentos, cabeça baixa, tórax curvado, olhar fixado no chão como se ignorasse, tudo a sua volta. Difícil acreditar que aquele homem velho, eu conhecia de outros tempos. Pequenos traços ainda lembrava a beleza de sua juventude, porem só quem o conheceu para saber do que falo. Lembro-me também de sentir inveja de sua elegância, sua fartura de charme, sua beleza inegável, sua facilidade com as mulheres. Pensei então que trinta anos se passaram em nossas vidas, distanciando nossa amizade e alterando seus traços, suas formas. Os anos passaram cronológicamente igual para todos e sem dó, inclusive para mim, Mauro, e talvez Dorian Gray.
Recantos de Paris/ Praga & Restinga

Algumas pessoas não gostam do inverno, preferem o verão por acha-lo triste. Mas eu acredito que este período de frio tem algo de resgate de emoções, de auto analise. De vinho, de chocolate quente, de sexo de baixo das cobertas, de revelações pessoais, moletons coloridos. Artifícios para manter nosso corpo e alma aquecidos.
pensamento solto...
O dia foi infernal. Filas em bancos, cheques devolvidos, respostas evasivas, Fechadura do carro com defeito novamente, orçamentos sem retorno. Amanhã, mais um dia de trabalho, talvez tudo mude para melhor.
Eu e a Brisa
Assim caminha a humanidade
Num dia destes fui tão mal recebido por uma profissional médica de um hospital de Porto Alegre que se eu não tivesse imbuído na minha responsabilidade profissional, teria abandonado o paciente ali mesmo na sala de emergência e fugido pela porta de incêndio. Era um paciente acamado e que sentia muita dor abdominal. Mesmo claro, para todos que ali estavam presentes a sua situação de enfermidade, a médica me perguntou se ele poderia aguardar consulta no corredor.
Respondi que não, pois ele sentia muita dor. Então com ar de pouco caso respondeu-me que para nós do SAMU, tudo era muito grave e mesmo sabendo dos problemas de superlotação dos hospitais nós insistíamos em jogar pacientes lá dentro. Depois se virou para o familiar que acompanhava-nos e concluiu com arrogância: -Viu como está isto aqui?... Depois quando morrem a culpa é nossa!
Esta cena dramática é que me faz pensar na situação caótica, que vive nossos serviços de saúde. Com suas salas de emergência, sempre lotadas e com profissionais pouco preparados como esta. Senti-me extremamente desconfortável por fazer parte do mesmo sistema.
Postagem em destaque
TÔ PENSANDO QUE:
Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...
-
Dia 06, pela manhã, parti de carro, para um paraíso composto de muita agua salgada e areia branca, numa vila pequena, cercada de muit...
-
esqueleto de uma embarcação em Mostardas O que achas de conhecer uma cidade pacata no interior do estado, com traços arquitetônicos açori...
-
Mato Fino foi um local de lazer, onde alguns amigos meus, curtiram tomar banho e acampar quando jovens e que por alguma razão eu nunca...