Nestes dias de feriados prolongados, tenho ficado em casa, grudado na cama, como se meu corpo fizesse parte dela. Não conseguiria um lugar melhor para ficar, para pensar, para descansar.
Minha casa é uma extensão de mim. O mobiliário é composto por objetos que lembram, por onde vivi e onde passei meus dias. Tudo me remete a uma história, uma lembrança. Minha casa é encharcada de coisas, de pequenas lembranças por onde passei.

TERAPIA DE SONO


Luiz me disse que, depois de tantas noites em claro, sem conseguir dormir, tem tomado um remedinho para manter o bom humor do dia no trabalho. Às vezes tudo se atrapalha, o remédio não faz efeito à noite e o sono que se acumula o deixa exausto. Ainda bem que os fantasmas pararam de invadir seu quarto tentando asfixiá-lo. A presença dos dois gatos parece afugentá-los, junto com a luz laranja do abajur, que lembra as noites em Veneza. 

MACARRÃO E CARNE DE PANELA COM FEIJÃO

Na casa de minha avó, o portão era alto como uma porta. A cerca de madeira velha era tomada por um  tipo de trepadeira que formava uma barricada do pátio para a calçada, Parreiras com uvas e pés de ameixas amarelas formavam uma grande sombra no quintal.

Passarinhos sempre apareciam para se alimentar de frutas que caíam do pé e que não dávamos conta de comer. Cantavam nas horas certas e minha avó preparava o almoço no fogão de lenha, cuja chapa, depois de limpa, brilhava feito aço inoxidável.

Na cozinha, onde fazíamos as refeições, sobressaía-se uma grande pedra da parede que fazia parte estrutural da casa. Naquele paraíso com cheiro de macarrão, molho de carne e feijão recém-feito e temperado, passávamos nossos dias sem pensar que um dia terminaria.

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