QUILOMBO PEIXOTO DOS BOTINHAS


Meu destino dia 28/12/2019 à noite, um Sábado de muito calor, foi visitar a convite de uma amiga, o Quilombo Peixoto de Botinhas, localizado no Capão da Porteira, parada 135 da RS 040,  na zona rural de Viamão.
Como recusar um convite desses?.. principalmente eu que tenho a maior consideração e respeito pelas tradições e cultura de um povo que tenho descendência.

Criado na época dos navios negreiros, acredita-se que o Peixoto de Botinhas tenha sido o primeiro quilombo de Viamão, embora sem nenhum registro e tendo caído no esquecimento, como a maioria da historia e cultura da população negra, que foi reprimida e apagada  pelos colonizadores brancos europeus.


O que sobrou do passado, foram resquícios de uma memoria fragmentada, pelo trabalho excessivo e árduo, sofrimento da dor física e emocional e a necessidade e imposição de uma sobrevivência invisível, numa mundo escravocrata e desumano. Portanto, a historia do quilombo, ficou sendo a que foi contado pelos mais velhos, através das lembranças muitas vezes falha, que conseguiram guardar de sua trajetória.


HISTÓRIA DE COMO SURGIU O QUILOMBO:
Conforme conta Antônio Gomes, morador do quilombo, um navio chegou a um porto, provavelmente o porto de Rio Grande e transferiu os escravos presos no porão da embarcação, para uma embarcação menor, que veio pela Lagoa dos Patos. No desembarque, houve uma rebelião muito violenta, em que muitos morreram. Quem viveu, não foi cativo por nenhum dia, já que o quilombo foi fundado no alto de uma montanha, de onde tinham uma ampla visão dos arredores. Uma estratégia que foi fundamental para garantir a liberdade da nova comunidade.



MOTIVO DO NOME PEIXOTO DE BOTINHAS:
Em 2004, quando foi fundada a associação dos quilombolas, neste local, foi preciso escolher um nome para o quilombo. O grupo buscou fazer uma homenagem a importantes personagens da história local como dona Pelônia e Fortunata. 
Vamos à história: 
Dona Pelônia, teve um filho com um estancieiro de sobrenome Peixoto, iniciando assim uma nova família.
Já Dona Fortunata, teve um grupo de netos, fruto de seu casamento com Vitorino. Os rapazes criaram um grupo musical chamado de Botinhas. 
Os Botinhas eram quilombolas que ficaram famosos na região por tocar em bailes, terno de reis e festas típicas africanas. Eram conhecidos em todo lugar, naquela época, e chamados de Botinhas, já que usavam botas, o que não era comum entre os negros. Mas e qual será que era o nome original do lugar? Como Fortunata e Pelônia se referiam ao quilombo? Não há registros, por isso, só nos resta imaginar.


Os quilombolas também tentam preservar suas origens. Oriundo das lombas, desceram para ficar mais próximo das estradas. (Questão de Sobrevivência, pois hoje, a maioria trabalham nos centros urbanos)
Os ternos de reis – uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, em que um grupo chega de surpresa na casa das pessoas, tocando gaita – quase não existem mais. No entanto, quando acontecem as festas no quilombo ainda se mantém a comida típica, como o quibebe e o charque. Nesses dias, os velhos “causos” voltam a ser contatos em rodas de quilombolas.
Durante a Semana da Consciência Negra de Viamão, a Emater/RS-Ascar realiza oficinas em parceria com o Quilombo Peixoto dos Botinhas, onde criam oficinas praticas de confecção de artesanato e bonecas abayomi e de cultura gastronômica africana, na sede da Secretaria Municipal de Educação.


A LENDA DAS BONECAS ABAYOMI
Quando os negros vieram da África para o Brasil como escravos, atravessaram o Oceano Atlântico numa viagem muito difícil a bordo de porões de navios de pequeno porte em condições desumanas. As crianças que os acompanhavam, choravam assustadas, porque viam a dor e o desespero dos adultos. As mães negras, então, para acalentar suas crianças, rasgavam tiras de pano de suas saias e faziam bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção para as crianças brincarem. 
As bonecas, símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa ENCONTRO PRECIOSO, em iorubá, uma das maiores etnias do continente africano, cuja população habita parte de Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim.
Quando você dá uma boneca Abayomi para alguém, esse gesto significa que você está oferecendo o que tem de melhor para essa pessoa.

HISTORIA DO QUILOMBO PEIXOTO DE BOTINHAS
O Quilombo Cantão das Lombas, próximo ao Quilombo Peixoto de Botinhas, foi fundado após a abolição e era composto por homens livres. O fazendeiro Anápio Gomes da Silva após a abolição, não tinha o que fazer com os seus ex-escravos, por isso, resolveu dar um “cantão” no final de sua fazenda para eles e registrou a todos com o seu sobrenome. O local foi separado do resto das terras por um valo, onde foi plantado maricá. Por muito tempo, o quilombo se chamou Cantão dos Valos, em função desse fato.

TERNO DE REIS:
A tradição dos Ternos de Reis, que celebra o Dia dos Reis Magos a cada 6 de janeiro, ainda persiste em algumas localidades do Rio Grande do Sul, especialmente na região litorânea. Não há registros de quando esses grupos musicais, que anunciam o nascimento de Cristo passando de casa em casa, começaram a proliferar no Estado. Sabe-se, no entanto, que essa é uma tradição de origem portuguesa e que aqui chegou com os açorianos que desembarcaram no século 18. A depender do local, a celebração recebe outros nomes, como Folia de Reis, Reisado ou Festa dos Santos Reis.
O que senti falta, foi da manifestação da cultura africana propriamente dita, com seus tambores,  batuques e rodas de mulheres, que é uma das características reconhecida desta cultura.

Até o próximo passeio!

O CAFÉ RUIM


Café ruim é aquele que se toma nas repartições publicas deste país, passado em cafeteiras elétricas com saco de papel descartável e depois acondicionado em garrafas térmicas viciadas, padronizadas e bebido em copinhos descartáveis branco.
Este café, passado pelas regras da licitação, deve ser de marca barata, é normalmente forte e consumido em momentos de stress, de horas de extrema preguiça e quando o expediente por vingança, demora a terminar.
O cafe bom, é o que se toma em casa, sozinho, ou na companhia de amigos, que engatilham um bom bate papo. É passado em saco de pano, deixando a água quente escorrer lentamente do bico da chaleira sobre o pó, caindo direto no bule ou xícara previamente quente e levantando aquele vapor com aroma magico de um romance na Filadélfia.

CECILIA


Um dos bairros mais tradicionais de Viamão, permanece intocado em sua mítica: muitas pessoas e a maioria dos moradores não sabem que o nome correto do local é Cecília e não Santa Cecília, talvez por analogia à Santa Isabel, nome de uma vila vizinha. 
Mas é raro encontrar um “ceciliense” que saiba de onde vem o nome deste importante polo político e econômico que se destaca a cada dia.
O nome é uma homenagem à Cecília Scliar, esposa de Henrique Scliar, que por volta da metade do século passado resolveu lotear seu imóvel rural, dando início à expansão urbana da região.
Judeu russo, Henrique Scliar fugira para o Brasil diante das perseguições aos judeus na Revolução Bolchevique de 1917. 
Radicado em Porto Alegre, mantinha amizade com intelectuais e políticos de esquerda e usava a chácara para reunir e receber amigos. Deste modo, a propriedade adquirida com um prêmio da loteria, acabou servindo de abrigo para as “férias” de Jorge Amado e Zélia Gattai, quando o escritor era deputado federal pelo PC do B, na segunda metade da década de 1940, fato registrado pela esposa do escritor em seu livro “Um chapéu para viagem”. 
Naquela época, a chácara do “seu Henrique” era apenas uma casa de campo aonde amigos da família vinham passar o fim de semana. Entre os hóspedes ilustres estavam Érico Veríssimo, Vasco Prado, Dionélio Machado, Lila Ripol, entre outros. 
Moacyr Scliar, um dos mais renomados escritores brasileiros, apesar da pouca idade que tinha, lembra com carinho de suas viagens à chácara do Tio Henrique: “Pouca gente sabe, mas existe, em Viamão, um lugar muito ligado à história da cultura no RS. Trata-se da Vila Cecília. Nos anos quarenta, esta região era uma chácara, de propriedade do sr. Henrique Scliar.

Postagem em destaque

TÔ PENSANDO QUE:

Quando as nossas emoções, alegrias e tristezas passam do tempo, nossos sentimentos humanos ficam acomodados numa cesta do tempo recebendo so...