Às vezes andamos na beira de abismos, livres, soltos, desatentos, avoados, desafiando as leis da gravidade, sem percebermos algumas de nossas fragilidades humanas e o perigo que corremos, alheios a tudo.
Mas abismos deixam de ser abismos, quando não temos medo, ou nossa ingenuidade se faz tão maior que eles...
ABISMOS
PLANTAÇÃO DE VIRA-SOIS
Tá certo, tu acertastes tudo sobre mim, mas não o suficiente para me entender e conhecer de fato quem sou e como se processam certas dores em mim!..
Sim, eu sou triste, inconformado, tenso, às vezes derrotista, incrédulo, desligado, raivoso, agressivo, auto destrutivo, ciumento, contemplativo, egoísta, indiscreto, sensível, temeroso, fatalista... Mas, às vezes, tomo umas doses pra relaxar e também fugir de mim!
Mas como faço para mudar este quadro que assisto afundar diante de mim, de todos os lados, sob a claridade dos dias?
Esta falta de confiança no mundo dos homens que tomam decisões, nas pessoas que defendem e obedecem regras, sem se perguntarem se servem para elas e pros outros, se elas não olham no olho, não respondem as perguntas mais simples e significativas da vida e ficam em silencio com um sorriso sem graça, disfarçado, caminhando no escuro, fingindo que o mundo é uma plantação de gira-sois.
UM DOS ESTOPINS DO CAOS.
As pessoas estão cada vez menos gentis, mais arrogantes e desconfiadas. Também estão menos confiáveis, menos prestativas, menos pacientes e intolerantes.
As pessoas não olham mais pro lado, para ajudar um deficiente visual a atravessar rua. Também não olham mais pra cima, para levantarem da cadeira e dar lugar a uma mulher grávida, ou para um idoso no coletivo cheio.
As pessoas estão impacientes e com muita pressa. Não se olham mais nos olhos, estão de olhos fixos na telinha do celular, buscando popularidade, afinidades ou fugindo de quem está perto...
Vizinhos não se cumprimentam mais, estranhos muito menos. Um não enxerga o outro. Criaram uma invisibilidade como escudo de proteção. Mas do que se protegem tanto?
Vizinhos não se cumprimentam mais, estranhos muito menos. Um não enxerga o outro. Criaram uma invisibilidade como escudo de proteção. Mas do que se protegem tanto?
Não se ouvem mais, não se permitem mais ouvir, enxergarem-se. Não se permitem mais serem solidários, fraternais, humanos e isto é um dos pontos nevrálgicos que ascende um dos estopins da violência interna de cada um e que fermenta o caos social de cada dia.
O HOMEM E SEU RELÓGIO.
Vi um homem morto, caído sobre a calçada. Um jovem homem morto, de cabelos loiros amarrados no topo da cabeça, corrente de prata no pescoço e brinco de pedra azul na orelha.
Olhos verdes que ficaram cinzas e distantes, sem brilho, sem vida, parados.
Corpo imóvel, pálido, franzino, ensanguentado, que a nada respondia. Quase que o ergui da calçada sozinho e o sacudi pelos ombros.
Estendido e sem qualquer sinal de vida, congestionava a avenida, enquanto curiosos se acumulavam em sua volta, num reconhecimento a morte estabelecida.
Seu silencio parecia não ter sentido.
Alheio a tudo e a todos, se mantinha caído e em silencio. Silencio que dizia tudo...
Tinha um relógio preso no pulso, cujo o ponteiro ironicamente movimentava-se em ritmo coordenado e perecendo ter vida própria. Vida que talvez roubara de seu dono.
Olhos verdes que ficaram cinzas e distantes, sem brilho, sem vida, parados.
Corpo imóvel, pálido, franzino, ensanguentado, que a nada respondia. Quase que o ergui da calçada sozinho e o sacudi pelos ombros.
Estendido e sem qualquer sinal de vida, congestionava a avenida, enquanto curiosos se acumulavam em sua volta, num reconhecimento a morte estabelecida.
Seu silencio parecia não ter sentido.
Alheio a tudo e a todos, se mantinha caído e em silencio. Silencio que dizia tudo...
Tinha um relógio preso no pulso, cujo o ponteiro ironicamente movimentava-se em ritmo coordenado e perecendo ter vida própria. Vida que talvez roubara de seu dono.
PONTOS DE SOMBRA E DE LUZ.
Numa manhã dessas, eu estava saindo para trabalhar, quando fui surpreendido por aquele momento em que não é noite, por que não está completamente escuro e também não é dia, porque a luz ainda não se completou. Fiquei pensando se este era o momento zero do tempo, os pontos que se entrelaçam e viram uma coisa só. Também havia chovido durante a noite, e as possas d´água haviam se transformado em retalhos de espelhos sobre as ruas, refletindo, arvores, galhos, lixo, qualquer coisa inesperadamente magica.
CHUVA E JAZZ.
A chuva no inicio da noite, chegou violenta com o som Cool, do genial trompetista Chet Baker, que eu ouvia dentro do quarto e me fazia transportar desta terra para outras terras,. Longe de tudo, para outros mundos que não existem mais e que eu acho fundamental para o exercício de compreensão da nossa existência, dos pensamentos, da cultura, da vida. Compreensível mas Inexplicável tudo isto...
Criado até os dez anos em Oklahoma, este cara partiu para Los Angeles no final dos anos 1930, quando começou a estudar teoria musical. Chet Baker sempre foi influenciado pelo seu pai, guitarrista, de quem herdou a paixão pela música e de quem ganhou, aos 10 anos de idade, um trombone.
Amante do Jazz, não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero logo com o seu primeiro álbum.
Chet Baker esteve no Brasil para duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival.Morreu aos 58 anos, em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa: na madrugada de 13 de maio de 1988, ao cair da janela do Hotel Prins Hendrik. Até hoje, há controvérsias sobre as circunstâncias de sua morte — acidente ou suicídio.
BÚFALO, DISSE O ÍNDIO.
Eu me pergunto por que o índio disse: "Búfalo". Voces também já se perguntaram?.. Possivelmente deve ter sido sua resposta aos homens brancos, que não entendiam por que razão estes lutavam até a morte sem desistirem daquelas terras, que consideravam uma benção. Os brancos inicialmente interessados no ouro encontrado naquelas terras, dizimaram praticamente toda a sociedade indígena, no que foi considerado o maior genocídio do seculo XIX.
O Búfalo, é considerado por muitas tribos, com sendo um símbolo de abundancia, pois sua carne alimentava o povo, o couro fornecia vestuário e abrigo, os ossos ferramentas de sobrevivência.
Alem da fotografia que gostei muito, a frase escrita sobre a rocha, é uma reflexão sobre os vigentes interesses humanos.
PEDRAS E MARGARIDAS.
Daí que às vezes, fica difícil escolher de que forma encarar a vida e as relações que nela firmamos, se com emoção ou com a razão e neste caminho, circulam as pessoas com quem convivemos.
Um pouco de respeito as diferenças e a não invasão, já restringe alguns malefícios e serve para respirarmos melhor e não nos sentirmos violentando nem violentados. Por que às vezes, a mão que oferece uma frágil margarida, é a mesma que joga pedras sem perceber que machuca.
CORES E LUZES SOBRE O RELENTO
Descobri algumas fotografias guardadas, que quero postar. Fotografias tiradas em diversos lugares por onde passei e cuja a intensidade de cores e luzes me chamaram a atenção.
As paredes, são de um velho estacionamento de veículos, no bairro Azenha, cuja a superfície não são lineares, com rebocos velhos, tijolos aparentes e desalinhados, desgastes causados pelo relento, mas que serviram de tela a o artista desconhecido, cobrir com sua criação.
As paredes, são de um velho estacionamento de veículos, no bairro Azenha, cuja a superfície não são lineares, com rebocos velhos, tijolos aparentes e desalinhados, desgastes causados pelo relento, mas que serviram de tela a o artista desconhecido, cobrir com sua criação.
OLA COMO VAI EU VOU INDO E VOCÊ TUDO BEM
Depois daquele tombo, até posso te receber na minha casa, te estender a mão, te oferecer um copo d´água, um cafe, um suco gelado, uma dose de uísque, uma sessão de cinema no Netflix, com paradas para comentários e pipocas salgadas. É que neste momento tá difícil abrir este espaço, que eu acho demasiado e grande!
Mas o que me preocupa realmente é se depois do tombo que levastes, com pequeno arranhão no joelho, algo mudou, a ficha caiu e se percebestes que a vida não é um jogo de regras lineares, e que por isto, foge dos nossos planos, do nosso domínio e habilidades...
Eu continuo aqui, percebendo meus erros, tratando minhas doenças, meus preconceitos, minhas crises existenciais, meu egoísmo e descobrindo que tenho tantos defeitos, quanto aqueles que já critiquei e abominei e que ninguém é tão alto suficiente e capaz de modificar o rumo da vida, a forma das pessoas pensarem e dai resgata-las pro nosso mundo que pode ser equivocado e escravocrata.
O que às vezes parece ser nosso, não é nosso, é de outro, é de ninguém, tem outro destino traçado. Talvez a humildade, a aceitação de nossos erros, nos torne todos parecidos e nos aproxime de um consenso de ideias, sem tantas disputas e discriminações. Daí fica mais fácil abrir algum espaço e conversarmos à vontade.
É HORA DE ACORDAR
As vezes as palavras ditas com propriedade e no tom da verdade, do discernimento e com segurança de mestre, mudam o rumo de sua intensão revelando pequenas facetas e possíveis fraudes alimentadas pela vaidade. Isto é percebido, por que ninguém pode articular tanto tempo com mentiras, sem deixar rastros, pistas, atos falhos que o incrimine ou mostre sintomas de sua doença.
Mas este pseudo mentor vaidoso, que elabora estratégias, que se reconhece intelectualmente como dono único da verdade, só percebe que suas influencias, mal intencionadas foram descobertas, quando os da plateia, que o ouvem se silenciam, levantam-se e saem dando as costas neste mesmo clima de silencio.
Então, é hora deste pseudo mentor acordar e perceber que a vaidade, o egocentrismo, não possui tanto força assim sobre os comuns, somente sobre os que ainda mantêm algum laço de dependência!
ACADELAR-SE.
Quero distância de gente que se acadela. Que toma uma decisão, depois volta atrás, cheia de mimimis e impossibilidades que não convencem.
Que tu manda recado, ela lê, mas não responde, finge distração, esquecimento, falta de tempo. Não diz que sim, nem que não por falta de coragem. Se encolhe. Esconde o rabo entre as pernas e mostra um sorriso amarelo.
Que tu manda recado, ela lê, mas não responde, finge distração, esquecimento, falta de tempo. Não diz que sim, nem que não por falta de coragem. Se encolhe. Esconde o rabo entre as pernas e mostra um sorriso amarelo.
Acadelar-se, no Gauchês, significa: mixar-se, desmotivar-se, perder a coragem. Gaúcho acadelado não é apenas medroso, é desonrado. Nem poderia se dizer gaúcho.
OBJETOS LARGADOS.
O olhar que procura o objeto largado, encontra a intensão no gesto e isto é muito prazeroso. O silencio sutil que se impregna de vida, vale mais do que mil palavras.
A simplicidade é um diamante não lapidado que brilha, uma poesia inacabada encontrada nos destroços... que aperta os olhos de quem acha e não força a lágima cair.
A simplicidade é um diamante não lapidado que brilha, uma poesia inacabada encontrada nos destroços... que aperta os olhos de quem acha e não força a lágima cair.
O ENCANTO DE FOTOGRAFAR
E assim começou o meu primeiro dia de 2017, acompanhado de gente amorosa e simples. Quero me aproximar mais daquilo que gosto de fazer, fotografar a simplicidade, a verdade, a alma das pessoas e todos os objetos e elementos que compõe esta verdade. É na simplicidade que encontramos a genuína beleza.
A COR É VERDE E A PALAVRA É VONTADE.
Passado o dia 31, já estou efetivamente em 2017, experimentando as poucas horas do novo ano, que trará a Regência do Orixá Oxossí, dono da fartura, do conhecimento, da disciplina e principalmente da Ciência.
Oxossí traz a fome do Saber, trás a vontade para evoluir, portanto será um ano muito propenso para começar e até mesmo retomar estudos, cursos e afins. Um ano extremamente racional, assim como o Orixá da fartura.
Além de Oxossí, Oxum sua eterna companheira estará presente. A palavra do Ano é a “VONTADE. e a Cor de 2017 é o VERDE.
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