quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

ILHOTA A PRIMEIRA GRANDE FAVELA DE POA



Na metade do século XX o governos brasileiro decidiu fazer uma limpa em suas grandes cidades e em Porto Alegre não foi diferente. Com o fim da escravidão, em 1888, os negros não tiveram nenhum tipo de assistência para se adaptarem à sua nova condição de “liberdade”. fazendo com que a grande maioria fosse se realocando em lugares ruins de morar, porém próximos da zona urbana, sem a necessidade de pagar aluguel e transporte urbano, podendo assim, deslocarem-se à pé para o trabalho e aos serviços de saúde gratuitos na cidade.


SURGIMENTO DA ILHOTA:
A Ilhota surgiu após a Intendência Municipal de Porto Alegre, decidir fazer uma limpa na cidade, dando inicio a fase de modernização da cidade em vários níveis como urbanização, saneamento, transportes, arquitetura e etc.. realocando estas pessoas para um único lugar, a velha e conhecida técnica de varrer a sujeira pra baixo do tapete.

EXPANSÃO DA ILHOTA:
A “Ilhota” a primeira grande favela de Porto Alegre, localizada às margens do arroio Dilúvio, quase na confluência com o Guaíba, aumentava gradativamente, na medida em que recebia mais moradores oriundos de outras vilas e que não tinham pra onde ir.
A Vila Piratini, que ficava onde hoje está o Colégio Júlio de Castilhos, em 1947, foi levada para uma zona ao lado da Ilhota criando a Vila DTO onde agora fica o Colégio Protásio Alves. Na prática, essa era mais uma vila chamada popularmente de Ilhota, assim como a Vila dos Eucaliptos e o Cantão. “O que dividia a DTO da Ilhota era a Rua Arlindo, mais ou menos por onde abriram a Érico Veríssimo. 


Habitada por moradores pobres e em sua maioria, negros ou pardos, era mal vista pelos demais porto-alegrenses, que a consideravam um local de marginais e ladrões - o que, em certa medida, era verdade. Mas, também foi habitada por uma esmagadora maioria de trabalhadores que davam duro para ganhar a vida. Vivendo em sub-habitações, os moradores da Ilhota eram inevitavelmente, as primeiras vítimas das grandes enchentes que assolavam a capital gaúcha, entre elas a cheia de 1941.

COMO NASCEU A ILHOTA:
A Ilhota, surgiu em Porto Alegre, depois que o intendente José Montaury alterou o fluxo de um dos veios fluviais que serpenteava a cidade, muito antes do Arroio Dilúvio ser canalizado e sonhar em existir. Em seu lugar havia o Riacho, apelidado Riachinho, cujas curvas acentuadas delimitavam uma zona que se alagava muito quando chovia. 
A obra de Montaury criou um veio onde a água mal circulava, tornando-se um fétido berçário de mosquitos, que os porto-alegrenses denominaram “braço morto do Riacho”. Seu leito formava uma área cercada de água onde se formou uma vila, que se expandiu e deu nome a um conjunto de comunidades carentes chamado popularmente de Ilhota.



A NOVA MORADIA:
Na Ilhota, nasceram também gaúchos ilustres, como o compositor Lupicínio Rodrigues e o craque de futebol, Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha.
Considerada uma chaga urbana, todos os prefeitos anunciavam que iriam removê-la, o que aconteceu aos poucos e foi consumado durante o governo de Guilherme Socias Villela, na década de 1970, quando se construiu o bairro da Restinga, hoje uma verdadeira cidade na zona sul.
Na época, só existiam no bairro as minusculas casas-germinadas construídas e ser levado para Restinga, era como ser penalizado a viver no isolamento do resto do mundo por ser pobre e aguardar a morte por solidão e falta de emprego e assistência medica. Não existiam supermercados, farmácias, postos de saúde e o transporte publico precário,  em três turnos, levava mais de uma hora ate o centro da cidade. Muitos moradores da Ilhota, contam que foram expulsos de suas moradias a força, pelos policiais da época, e que na medida que eram retirados, suas moradias iam sendo destruídas pelas maquinas da Prefeitura.
A Ilhota é portanto um lugar que faz parte da historia de Porto Alegre e deve ser preservada na memoria dos gaúchos, como um dos núcleos de formação cultural da cidade.
Até a próxima postagem!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

ROTA CAMINHO DAS NOVAS COLONIAS


Nos dias 23 e 24 de Fevereiro de 2019 eu e a Rô, também guia de turismo, levamos um grupo de pessoas para conhecer a rota caminho das velhas colonias, localizado a 86 km de Porto Alegre e que compreende os municípios de Marata, Brochier, Barão, Salvador do Sul e São Pedro da Serra. 
Lá fomos recebidos pela guia de turismo local, Liane, que nos deu uma aula de história, mostrando cada cantinho das cinco cidades, suas peculiaridades e também  conquistou a todos com sua simpatia, dedicação e profissionalismo. 



O passeio teve contemplação as 2 cascatas, passeio de Dindinho (bondinho puxado por um trator), visitação a lojas de artesanato e de produtos coloniais com degustação, praças, igreja, vinícola com degustação de uvas colhidas diretamente dos parreirais, dois almoços inclusos, sendo que um com comida tipica alemã e um cafe rural de jantar. O pernoite foi num hotel spa maravilhoso no alto da serra, com uma recepção calorosa da rainha da cidade e suas duas princesas, além do café da manhã saborosíssimo. O passeio foi um sucesso, deixando aquele gostinho de... ainda quero mais...




O QUE É A ROTA CAMINHO DAS VELHAS COLONIAS:
A rota foi criada, pelas secretarias municipais de turismo da micro região do Vale do Caí, com o objetivo de resgatar as tradições e a cultura dos povos de imigração alemã, estabelecidos nestas localidades, há mais de 150 anos, mostrando além das belezas naturais, o artesanato, a gastronomia, a arquitetura, a música e os costumes que representam a história desses colonizadores que aqui chegaram na construção do estado.


HISTÓRIA DAS VELHAS COLONIAS:
Nas décadas de 1920 a 1940, a região de colonização alemã experimentou uma redução de terras produtivas disponíveis para a agricultura, devido ao aumento do número de habitantes. Cada família, naquela época, tinha 10 a 15 filhos. Isto fez com que não tivesse terra produtiva para todos, muitos jovens saíram em busca de terras produtivas e férteis em outros estados, como Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, que passaram a chamar de ?neuen kolonie?, ou Novas Colônias.
Quando estes migrantes retornavam ao Vale do Caí para visitar seus familiares e amigos, passaram a chamar a região de ?weg der alten kolonie?, ou o caminho das velhas colônias.


ROTA TURÍSTICA:
A rota com agendamento prévio, inicia com recepção, no centro de Maratá, pela simpática Liane, Guia de turismo local. De dindinho os visitantes conhecem o Parque Cascata da Vitória, a cascata de Marata, a Trilha Turística, (lindamente arborizada, onde no passado o trem passava), o Parque da Oktoberfest, a Casa do Artesanato.


Posteriormente seguem para Brochier, município colonizado por franceses, onde visitam o Parque Municipal, a Praça, lojas de Artesanato, produtos Coloniais e almoço servido em restaurante no centro da cidade. Brochier começou a ser colonizada por João Honório e Augusto Brochier dois irmão , vindos da França, passaram pelo Peru, Montevidéu e Montenegro, decidindo estabelecer-se às margens de um arroio, à 25 km de Montenegro.
Com o passar do tempo, o arroio e o núcleo populacional que se formou no local receberam o nome dos pioneiros, Brochier. O distrito de Brochier foi criado em 05/05/1873.

Entre tantas atividades,
uma parada para se refrescar, a sombra do Casarão
construído em 1894
na Linha Bonita
em Salvador do Sul.



Após visita-se o município de Salvador do Sul, iniciando pela Linha Stein, na Propriedade da Lizete Stein, que recebe os visitantes com degustação de bolachas caseiras e faz uma demonstração de como se extrair o caldo de cana na moenda e é servido na hora.
Entre uma cidade e outra, o visitante tem contato com a simplicidade do povo rural, a beleza dos campos e vales, que compõe a exuberante mata serrana e seu cheiro peculiar orvalhado que parece entrar na alma.


Ainda nas proximidades da Linha Bonita, ganha-se uma viagem no tempo. O momento emocionante da passagem por um túnel ferroviário. A passagem é feita a pé, ou de micro-ônibus, para que o visitante sinta a energia de estar passando de trem, pelo interior do túnel, que foi escavado na pedra. Momento também de admirar a criatividade da engenharia e de ativar a nossa adrenalina!..
A estação de Linha Bonita foi inaugurada em 1909. Desativada no final dos anos 1970, seus trilhos foram removidos, mas o prédio da estação, ainda está de pé. Esta estrada, ligava Porto Alegre a Caxias do Sul, entre Maratá e Barão, mas hoje pertence a Salvador do Sul.


No centro da cidade de Salvador do Sul, visitam a praça central e recebem um saboroso quindim ou bolachas de Natal, de boas vindas, uma guloseima tradicional entre os colonos alemães. Deliciosa! Visita-se também a Igreja Matriz da cidade, com uma torre erguida em frente, homenageando os três Santos Mártires das Missões.
Seguindo pela BR 470, chegamos a Barão, onde visita-se a Praça dos Símbolos, visualiza-se a estação do trem e a sede da Prefeitura Municipal de Barão, e visitação a Loja/fabrica de Bolsas  de couro Graziele e Malharia Felling.


Retornando pela mesma BR, visita-se São Pedro da Serra, onde respiram a história da igreja construída em 1929, a Praça e o Artesanato Cantinho da Arte, e se o grupo desejar tem opção de café da tarde rural em restaurante no centro da cidade. 
O roteiro poderá ser realizado em um ou dois dias, também pode ser alterado, dependendo do publico e dos atrativos que desejam conhecer.


Assista ao vídeo abaixo:


VALE DA FELICIDADE:
Esta região do Rio Grande do Sul, formada por um grupo de municípios próximos ao leito do Rio Caí, tem este nome em virtude de suas características, que a distinguem do restante do país. Índices como o de pobreza, analfabetismo, saúde e longevidade são semelhantes aos de países de Primeiro Mundo, como a Inglaterra, Canadá e Estados Unidos, associado a um custo de vida reduzido, se comparado ao de outras regiões brasileiras, permitindo que seus habitantes se considerem realmente felizes.


Compõe o Vale da Felicidade os municípios de Alto Feliz, Barão, Bom Princípio, Brochier, Capela Santana, Feliz, Harmonia, Linha Nova, Maratá, Montenegro, Nova Santa Rita, Pareci Novo, Portão, Salvador do Sul, São José do Hortêncio, São José do Sul, São Pedro da Serra, São Sebastião do Caí, São Vendelino, Tupandi, Vale Real, e a maior delas Montenegro, com pouco mais de 62 mil habitantes. Todas elas são pequenas, limpas e organizadas.

Até o próximo passeio!






quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

AS BRUXAS DA ILHA DA PINTADA


As bruxas da Ilha da Pintada, não são de pedra, como as da praia de Itaguaçu em Sta Catarina, são moças que viram velhas e invadem a ilha nas noites e madrugadas de lua cheia, das quintas para as Sextas feiras, assustando seus moradores.

ORIGEM DO NOME DA ILHA:
A Ilha da Pintada é uma das ilhas brasileiras integrantes do Parque Estadual Delta do Jacuí. Faz parte do bairro Arquipélago da cidade de Porto Alegre e seu nome possivelmente se originou por causa do peixe de nome "pintado" que é pescado em abundancia, tanto que o prato típico da ilha é o "pintado ensopado".
Sua população descende de imigrantes açorianos e de ex-escravos africanos, que deixaram traços na cultura local, tais como nas lendas e nas crenças dos atuais ilhéus. Atualmente, a pesca artesanal já não é mais o principal meio de subsistência da ilha e a grande maioria da sua população trabalha e busca seus rendimentos no comércio e nos serviços oferecidos pela proximidade da capital.
Mas uma crença resiste por mais de 3 séculos na Ilha da Pintada em Porto Alegre, uma das 16 do arquipélago da capital. Moradores acreditam que bruxas circulam pelo bairro, nas madrugadas de quinta-feira para sexta-feira, assombrando pessoas nas ruas e em suas casa.


Para proteger a comunidade, mulheres aprenderam o ofício de benzedeiras, e passaram a tradição de geração em geração, ajudando nos males das alergias, mau olhado, quebranto, bruxaria e outros males.
Algumas crianças nascem "embruxadas",diz uma moradora da ilha e apresentam algumas características que levam uma benzedeira a determinar se está ou não embruxada, como manchas roxas espalhadas no corpo, insonia, emagrecimento e dormir com os braços cruzados como se estivesse dentro de um caixão.

BRUXAS E BENZEDEIRAS:
Segundo os moradores, as bruxas em alguns casos são da própria comunidade e são identificadas pelas benzedeiras, dentro do ritual de benzeção, o que faz a gente pensar em alguma relação de co-existência entre elas e se perguntar: Seriam as benzedeiras também bruxas, já que possuem muitas coisas em comum, como o respeito pela natureza, orações e o uso de ervas para a prática de cura?

RECEITA CONTRA BRUXAS:
Para evitar que as bruxas entrem em casa, é preciso um ritual, explica uma das benzedeiras da ilha": Faz-se um símbolo de Salomão e pendura-o numa parede, ou nas janelas do quarto e se coloca uma tesoura aberta embaixo do travesseiro, com uma trouxinha de sal enrolado num pano branco. Isto afasta as bruxas.


SELO DE SALOMÃO:
Representado por dois triângulos entrelaçados, o Selo de Salomão simboliza a transformação dos processos alquímicos e é considerado um selo ocultista, usado na bruxaria, magia negra, alquimia, feitiçaria, astrologia.
O selo de Salomão é assim chamado pelo fato de o anel do rei Salomão ter um anel com esse desenho e que por ele era utilizado como forma de afastar os maus espíritos, simbolizando, assim, a proteção divina. Por isso, acredita-se que esse símbolo tenha poderes mágicos.
Você pode visitar a Ilha da Pintada através de transporte publico:
D 18 Ilha da Pintada- direta e o 718 Ilha da Pintada no terminal Praça Rui Barbosa- Poa.

Até o próximo passeio!

domingo, 3 de fevereiro de 2019

AS BRUXAS PETRIFICADAS DE ITAGUAÇU.


Você conhece a história das bruxas que foram transformadas em pedras, na praia de Itaguaçu - Sta Catarina? Bom, em primeiro lugar, vamos nos localizar, no mapa:.. 💀
Itaguaçu é um bairro nobre do município de Florianópolis, em Santa Catarina, situado na porção continental do município, ao sul, entre os bairros de Coqueiros e Bom Abrigo e a Baía Sul. 
O nome Itaguaçu é de origem tupi e quer dizer "pedra grande", pela junção de itá (pedra) e gûasu (grande). O nome é uma referência a interessantes formações de granito à beira da praia de Itaguaçu e em meio ao mar da Baía Sul, havendo mesmo uma lenda que conta de bruxas que teriam sido petrificadas, dando origem às pedras, uma das quais parece ter um chapéu. 


Também há um conjunto de 6 pedras que formam um tipo de um círculo, com uma sétima pedra no meio, dando a alusão de um ritual satânico.
A Praia do Itaguaçu é mais um daqueles lugares de Florianópolis, que poucos turistas tem a oportunidade de conhecer, já que está no continente e não na ilha, ficando assim mais longe das praias populares e também das praias da moda. Há muitos habitantes da cidade que também nunca estiveram lá ou até nem sabem que o local existe. 
Itaguaçu pode ser acessada rapidamente de carro a partir do centro da cidade, num percurso de apenas 5 km, seguindo as placas de sinalização na direção do bairro Coqueiros. É terceira e última praia da região, bem no final da Rua. Des. Pedro Silva. Quem está sem carro pode ir ao local de ônibus, pegando a linha que leva o nome do bairro. 
A água da praia é infelizmente imprópria para o banho, mas o local é bem agradável para uma boa caminhada e ainda conta com vários restaurantes na orla, para se apreciar a comida local. 
Existe até uma placa no centro da vila, que conta a historia das bruxas petrificadas e que eu reproduzo logo abaixo da foto:.


A LENDA:
Diz a lenda que as bruxas da região queiram fazer uma linda festa aos moldes da alta sociedade.
O local para o encontro festeiro, seria a praia do Itaguaçu, o mais belo cenário da Terra. Todos seriam convidados, os lobisomens, os vampiros e as mulas-sem-cabeça. Os mitos indígenas também compareceram, entre eles estavam os curupiras, os caiporas, os boitatás e muitos outros. Em assembléia, as bruxas decidiram não convidar o diabo pela razão do seu imenso fedor de enxofre e pelas suas atitudes anti-sociais, pois ele exige que todas as bruxas lhe beijem o rabo como forma de firmar seu poder absoluto. A orgia se desenrolava, quando surge de surpresa o diabo que, entre raios e trovões, raivosamente irritado pela atitude marginalizante das bruxas, castiga todos transformando-os em pedras grandes, que até hoje flutuam nas águas do mar verde e azul da praia de Itaguaçu.
Ao que parece, esta criativa historia foi inventada pelo historiador Peninha, no desejo de implementar o turismo no local e o local onde estão as pedras é chamado de Salão de Festas das Bruxas.

Até o próximo passeio! 

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