sexta-feira, 18 de setembro de 2015

NUM TEMPO EM QUE ÉRAMOS BOBOS, MAS FELIZES.


Eu era uma criança, chegando já na adolescência e lembro nitidamente, de minha mãe abrindo a porta de nossa casa, no bairro Partenon, para dar abrigo a uma senhora chamada Rosa, seu marido um militar aposentado e um filho ainda pequeno. Foi tudo muito simples e resolvido na conversa e na confiança entre minha mãe e esta senhora, como eram feitos os acordos no passado.


A família desta senhora, pelo que sei, ficou sem onde morar, por razões financeiras e minha mãe cedeu parte de nossa casa, para que eles então se reerguessem dos percalços, como assim o fizeram depois de alguns meses, indo se instalar numa casa própria, financiada pelo DEMHAB, num bairro novo, chamado Restinga, que recém acabara de ser inaugurado pelo governo municipal.
Este fato que me veio na lembrança, numa especie de lambejo de memória, me remete a questão da confiabilidade que existia entre as pessoas e que hoje parece não haver mais.
É claro que o mau caratismo, sempre existiu desde que o mundo é mundo, mas me parece que existia naqueles tempos, uma disponibilidade maior das pessoas em se ajudarem mutuamente e de uma maneira mais fraternal e inocente, desprovida de interesses escusos e lucrativos.
Não sei o que se passa no meu espirito para lembrar disto agora, deixando-me penetrar por estas lembranças que são positivas, mas que a o mesmo tempo, flutuam num saudosismo por algo, que até pouco tempo era viável e por que não dizer, confiável.


Acho que carregamos em nossa alma, depois de adultos, um pouco desses traços que vivenciamos e vão sendo construídos na infância e que depois transferimos para o resto de nossas vidas, mesmo em fragmentos e com algum receio de sermos posteriormente enganados. Uma espécie de marca, de legado, de atitude comportamental. Quem conviveu com estas atitudes inocentes e fraternais, como eu convivi, mesmo com alguma suspeita, hoje, sente-se incomodado de não abrir a porta, de não estender a mão, de não escancarar gavetas, de não emprestar objetos sentimentais, com medo de correr o risco de nunca mais vê-los. Somos daqueles inocentes e humildes de alma limpa, que divide seus tesouros até com quem não merece e dormimos mal, se não dermos um voto de confiança. Mas isto tudo, faz parte de um tempo em que éramos bobos, mas de consciência limpa e felizes!

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