sábado, 3 de setembro de 2016

A VERDADE DÓI COMO AS CHIBATADAS DE UM CARRASCO.


Naquela noite, eu mais uma vez corri a o encontro das palavras que me eram doces aos ouvidos, do acalanto tantas vezes recebido em forma de olhares cúmplices, gestos bondosos que me seguravam as mãos e se transformavam em abraços de conforto, para que eu tivesse forças e continuasse a viver a dor que não morria, para fazer funcionar a maquina em frangalhos, por mais dois, ou três dias.
Era o tempo que durava este conforto, que sustentava a minha inconsciente mentira. Mas nos minutos que se seguiram, vieram palavras que me pareciam frias, meio amargas, rudes, ao invés do carinho sempre esperado. Surgiram lacunas de silencio, magoa e muita raiva espalhadas entre farelos de pão sobre a mesa escura.


Veio o chicote fino e arrebatador, me cortando a carne e me mostrando a verdade distante, que eu não queria enxergar. Acabaram-se os tapinhas nas costas e todas as mentiras que eu estava viciado de tanto ouvir. Então me senti julgado, traído e morrendo numa complexa desordem que se seguiu por dias a fio, sobre a cama, até ressuscitar-me em pequenos pedaços que foram se colando pela obstinação de uma sobrevivência emocional necessária.
Fui entendendo, com o passar dos dias, o quanto dói uma verdade e que chicotadas muitas vezes, são necessárias para nos estimular e enfrentar as dolorosas verdades, que escondemos de nós mesmos; Que nossas verdades, podem ser mentiras confortáveis, que vão nos transformando em doentes mimados e sem perceptivas de cura.

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