sexta-feira, 27 de maio de 2016

O DIA QUE DUROU 21 ANOS.

"Aqueles que não amam a revolução devem ao menos teme-la." Assim começa o áudio de pronunciamento ao povo brasileiro, que  dá inicio a este documentário sobre o golpe de 64.
Tenho a sensação de que na vida, a história se repete, principalmente para quem conhece um pouco dela.


E agora, José? 
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou..

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 24 de maio de 2016

O ANJO DE HAMBURGO

Ontem a noite, fui apresentado para Aracy. Quero dizer, a o longa feito por Caco Ciocler, que reconstrói a história dessa mulher fantástica, esposa de Guimarães Rosa, a partir de depoimentos, pesquisa de cartas, lugares por onde ela passou, objetos pessoais deixados por ela e principalmente seu melhor feito. 


Paranaense, de Rio Negro, filha de pai português e mãe alemã e ainda criança, foi morar com os pais em São Paulo. Em 1930, Aracy casou com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, com quem teve o filho Eduardo Carvalho Tess, mas cinco anos depois se separou, indo morar com uma irmã de sua mãe na Alemanha. Por falar quatro línguas (português, inglês, Língua francesa e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Secção de Passaportes.
No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu.
Nessa época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados). Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte.
Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados da Segunda Guerra Mundial. Seu retorno ao Brasil, porém, não foi tranquilo. Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães. Aracy e Guimarães Rosa casaram-se, então, no México, por não haver ainda, no Brasil, o divórcio. O livro de Guimarães Rosa "Grande Sertão: Veredas", de 1956, foi dedicado a Aracy.



O documentarista Caco Ciocler, não pode estar presente numa das seções de estreia do filme, então pediu para seu diretor de produções ler esta carta:

“Quando era pequeno, ouvi uma história, a de que o Spielberg não conseguia enquadrar o tubarão. Então ele transformou a fragilidade em potência, filmando apenas a barbatana e deixando que os espectadores imaginassem o monstro. Nosso tubarão, a Aracy, ficou conhecida como a segunda mulher de um grande escritor. Não pudemos enquadrar o marido famoso por questões de direitos autorais. Nos restavam as histórias ouvidas e contadas. Esse filme tem mais a ver com barbatana do que com tubarão. Nosso monstro era frágil, mas tiramos a Aracy do status de mulher de escritor famoso. Me curvo diante dos mestres deste festival e peço licença para mostrar meu experimento”.

Cada ser humano possui uma historia de maior ou de menor importância na vida e esta história pode estar fixada numa das pontas que ordenam politicamente uma sociedade em sua época, fazendo com que algumas atitudes sejam vistas como certa ou errada, um descumprimento de ordem política ou um ato de heroísmo? O fato é que Araçy arriscou a própria vida para salvar pessoas de uma politica desumana, racista e antissemita. Ouviu seu próprio coração, como fez Schindler, Nicholas Winton e tantos outros possíveis anônimos dignos do nosso mais profundo respeito.



PORTO ALEGRE ILUMINADA, NA NOITE DOS MUSEUS.

Uma passeada por Porto Alegre nos finais de semana, quando a cidade não está apressada, movimentada, congestionada pelo transito, é sempre muito bom. Nestes momentos é possível aprecia-la com outro olhar, um olhar mais reflexivo e outras nuncias sobre cada detalhe e angulo empregado em sua arquitetura e seu planejamento urbano. A noite, então, tudo fica mais magico.


















































Tudo se potencializa através de sombras, iluminação em postes antigos, portas, janelas, sacadas, claraboias, que nos transportam para outros tempos, tempos de elegância e também de uma decadência provocada pelo descaso do poder publico e pelas especulações imobiliárias.
Nesta noite de Sábado, 21/05/2016, a cidade abriu as portas de alguns museus, numa peregrinação cultural onde as pessoas podiam não só contemplar os acervos, com uma variedade de obras, mas também apreciar algumas apresentações musicais com a duração de 15 a 30 minutos, abrindo dialogo com as pessoas presentes e a própria cidade. Um olhar diferente; o patrimônio; a arquitetura; a rua; os artistas; o encontro. Noite dos Museus, foi uma excelente ideia patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado e a Vivo.

terça-feira, 17 de maio de 2016

EFEITOS COLATERAIS DA MATRIX.


A gente pode ter medo de morrer, de ser assaltado, de ser preso e torturado, de ficar velho e doente, de não ter mais autonomia para comer, beber e fazer a higiene pessoal, de ficar só, de ficar olhando por uma janela onde nada acontece. Mas o medo maior é de que tudo seja uma grande farsa global e que fiquemos até os últimos dias de nossas vidas, sem saber que estamos sendo enganados e manipulados feito cegos, que nunca viram a verdadeira luz do dia e a grandeza do mar. Que a morte, a dor, a velhice, a doença, a fome, a falta de autonomia, a solidão, são apenas efeitos colaterais do programa, por não sabermos nos conduzir fora ou dentro da Matrix.
Mudanças acontecem a todo o instante a nossa volta e dentro de nós, sem percebermos ou entendermos pra onde estamos sendo empurrados e porque motivo. Será que a resposta, estão nestes números que não param de correr?..

TUDO ESTALA

Me convide para eu ser feliz e eu não terei mais estas horríveis dores pelo corpo, nem pra onde ir. Não terei esta ansiedade do meu lado,  nem este acordar assustado quando a brisa da noite galopa pelo quarto provocando estalos..
Na noite tudo estala em ruídos incomuns. As paredes, as portas  e janelas estalam, eu estalo. Estas insonias noturnas que me põe acordado e distante é a falta de um tudo.


NOITE DE VENTO, NOITE DOS MORTOS

Ontem quando choveu por aqui, uma forte ventania quase derrubou arvores e foi arrancando galhos que varreram  ruas e calçadas. A cidade não só parecia vazia, mas singularmente transformada em outra.
Estes ventos que sopram forte por aqui, me jogam nas paginas de Érico Veríssimo, me fazem lembrar dos gestos duros das mulheres do interior, do seu silencio, da doçura no olhar que guarda a esperança por tempos e ventos de possíveis mudanças.


"E de novo o povoado ficou quase deserto de homens. E outra vez as mulheres se puseram a esperar. E em certas noites, sentada junto do fogo ou à mesa, após o jantar, Ana Terra lembrava-se de coisas de sua vida passada. E quando um novo inverno chegou e o minuano começou a soprar, ela o recebeu como a um velho amigo resmungão que gemendo cruzava por seu rancho sem parar e seguia campo afora. Ana Terra estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia, nas noites de ventania ela pensava principalmente em sepulturas e naqueles que tinham ido para o outro mundo. Era como se eles chegassem um por um e ficassem ao redor dela, contando casos e perguntando pelos vivos. Era por isso que muito mais tarde, sendo já mulher feita, Bibiana ouvia a avó dizer quando ventava: "Noite de vento, noite dos mortos..."

domingo, 15 de maio de 2016

PAÇO SANTO INÁCIO.


Foi num passeio ano passado, (não lembro em que mês) que eu e uma amiga encontramos esta relíquia no bairro Moinhos de Vento em Poa. Pela aparência imponente, percebemos que se tratava de uma edificação histórica na rua Santo Inácio, 295 e no mesmo dia (à noite) corri para pesquisas na internet, sem nada encontrar. Pela falta de material informativo, nada postei e as fotos acabaram sendo esquecidas em meus arquivos.


Construída em 1939, a bela mansão, está sendo restaurado pela Incorporadora, chamada UMA no bairro Moinhos de Vento. O casão será revitalizado e receberá o nome de Paço Santo Inácio, que será aberto à comunidade. Receberá um café bistrô, espaços para reuniões e um memorial com a história do bairro. Através do conceito ‘O antigo é vizinho do novo’, a ideia é resgatar o seu conteúdo histórico, em respeito ao antigo, combinando a forma clássica de fazer propaganda em todo o processo.
















Toda a campanha publicitaria ficou a cargo de uma empresa chamada Global, que se inspirou na historia do casarão e que possivelmente retirou qualquer informação da internet, para manter o sigilo publicitário. Deve ter sido por isto que nada encontrei a respeito, quando tentei pesquisar.

Veja só que criativo: 
A campanha teve início com uma carta escrita a próprio punho e selada com cera quente, contendo um relato sobre a história da casa, seus moradores e sobre o futuro empreendimento que será construído junto a ela. A carta foi entregue à comunidade por um carteiro caracterizado à moda de 1930. Também foi realizada uma sessão fotográfica, registrando detalhes históricos do espaço e reconstruindo os ambientes que, futuramente será entregue a sociedade em final de Abril,

sexta-feira, 13 de maio de 2016

EM TRANSFORMAÇÃO


Já faz algum tempo que eu entrei nesta fase de desaprender o que antes era para mim uma verdade indiscutível, inquestionável. Desaprender não é bem o que eu quero dizer, fica melhor eu dizer, reconceituar-me, reformular-me, restabelecer novas atitudes aos conceitos ensinados, estabelecidos, aos conceitos que dão o comando geral do que é certo e do que é errado na sociedade, afinal vivemos momentos difíceis de luta, de aceitação, de fragmentação das velhas verdades, cujos os fragmentos vão se transformando em  sub conceitos, que  no amontoado geral, vão abrindo novos caminhos opcionais, sobre os escombros que se formam, para uma ampla discussão pessoal de valores. 
Acontece que eu, aos 58 anos de idade, resolvi aderir como outras pessoas que lutam por sua condição e aceitação, deixando meus cabelos crescerem e assumir publicamente a minha identidade, identidade que deve ser inicialmente absorvida por mim. Parece pouco, mas algumas pequenas mudanças exercem seu peso transformador sobre nossa visão pessoal e de mundo.
A decisão surgiu quando encontrei por acaso, uma pagina no Facebook, onde Phills Monteiro, um brasileiro de 25 anos, carioca, que mora atualmente em Paris, resolveu estimular e dar conselhos para homens negros e de cabelos crespos a cuidarem de seu black power e assumirem sua identidade através da postura livre e pacifica. Phills que em 2012 decidiu deixar os cabelos crescerem de forma natural, só encontrava referencias femininas, o que estimulou-o a ir em busca de receitas próprias e naturais para cuidar dos cabelos. Em 2013 decidiu divulgar estes cuidados, num canal criado por ele no YouTube e o que pareceu ser apenas um novo conceito estético, visual e de chamar a atenção pelo inusitado, acabou se transformando numa verdadeira revolução de valores e atitudes, em homens que antes raspavam, alisavam ou mantinham seus cabelos curtos, para favorecerem a aceitação numa sociedade de valores embranquecidas e que ensina desde cedo, que cabelos crespos é ruim, é feio, é inaceitável. Eu acredito que atitudes simples como esta criada por Phills, traz consigo, um aval de grande importância cultural e social para todos os seres humanos, por ser indiscutivelmente uma ideia que transforma, que resgata cada individuo a sua identidade e dignidade que lhes foi tirada por séculos de existência.
E pra provar que eu entrei nesta vibe; Eu era assim:


Agora estou ficando assim e com a pretensão de deixar ainda maior:


quinta-feira, 12 de maio de 2016

SE PERDENDO..

Nestes tempos de modelos pré fabricados, pré estabelecidos, pré concebidos, pré isto,  pré aquilo, a gente acaba sem querer, sendo induzido a entrar nestas correntes sem sentido e nos transformando em gifs animados. Todos com a mesma cara, o mesmo gesto, a mesma expressão, o mesmo movimento automatizado. As pessoas perderam a voz e distanciaram seu olhar. 
Perde-se discernimento, dinheiro,  moradia, dignidade, perde-se amores e entes queridos, pela falta de voz e pelo olhar que também se perde em espaços vazios, na obscuridade do próprio ego. Se perde tudo e não se acha mais. A gente se perde.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

FAZENDO JUSTiÇA


Essa, eu achei numa notificação do Facebook:
Um traficante criou uma maneira inovadora de vender drogas.Você manda uma carta para ele. Ele manda um moto boy entregar a droga na sua casa.
O que o juiz faz?
Pede que os correios entreguem as cartas enviadas para para o traficante. Os Correios explicam que não guardam cópias das cartas que entregam todos os dias.
O que o juiz faz?
Manda prender o presidente dos Correios. Os Correios explicam de novo que não guardam cópias de correspondências. Que as cartas apenas passam por eles.
O que o juiz faz?
Suspende o trabalho dos Correios por 72 horas. Este país virou uma piada!

O GRITO DOS BUGIOS.

Tem gente que chega na tua vida, no espaço onde tu vives ou trabalhas, para criar, organizar, implantar e que apesar de estar dividindo o mesmo espaço físico contigo, te parece simpaticamente distante, meio familiarmente intocável, mas sentimentalmente aceitável, solucionável e talvez por serem únicas com competência para fazerem mudanças. Quando falam contigo parecendo serem pessoas comuns, com sangue correndo nas veias, com os mesmos sentimentos comuns e humanos, fica no fundo aquela tênue sensação, de que são apenas artifícios políticos para te conquistar a confiança e encaminhar seus objetivos maiores. Vão te aprisionando em regras, protocolos.
Tudo isto faz eu me sentir como um grande bugio jogando excrementos de cima de uma arvore, para atingir seu alvo matematicamente calculado; uma peça manipulada para funcionalidade de um sistema falho na própria base e que carece de muitas mudanças para sobreviver.
Essas pessoas também ja foram engolidas pelo sistema e mais tarde são excluídas, por terem cumprido sua meta, seu programa, sua implantação sustentável, onde não cabem mais. Talvez esmagadas pela própria estrutura que criaram, sem ouvir os gritos dos bugios.


Você também pode gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...