terça-feira, 22 de setembro de 2015

A CHUVA EM POA SOB INTROSPECÇÃO,


A chuva cai forte, fazendo ruido sobre as folhas das arvores na rua arborizada, nas vidraças da janela, nos metais das chaminés e em folhas de zinco; Reacende tons nas paredes de cor creme, nos telhados de barro, no asfalto preto que ganha verniz novo. Por alguns instantes, pareço ouvir violoncelos tocando distantes...É a chuva que arrasta sons!


Caem gotas de chuva de nuvens cinzas, emolduradas por uma névoa branca, sombria e tristonha, como véu de noiva abandonado na calçada. Seu ruido denso, abafa outros ruídos, dando a impressão, de que nestes dias, tudo acontece de forma mais obscura e sem testemunhas, como nos discretos assassinatos que ninguém viu...
Mas a cidade não perde seu encanto com a chuva que cai por dias, semanas; Fica apenas mais lenta, misteriosa, terna e bucólica como colo de vó, bolo de fubá no café da tarde e um olhar distante para alem da imaginação, do tempo, da saudade, da introspecção... Acho que eu enalteço estes fragmentos, porque sei que um dia eles simplesmente partirão de mim, sem qualquer aviso!

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