sábado, 20 de junho de 2015

SONHANDO ACORDADO.


Haviam muitas folhas de plátanos espalhadas pelo chão e sobre os bancos de madeira, quando cruzei a praça, num dia cinza, desta semana, no centro da cidade.
Por alguns instantes me senti acolhido, mas também tive a sensação de estar em outro lugar e tempo, já conhecido, mas que não era no presente, onde eu realmente me encontrava.
Era outro tempo, outra cidade, outro bairro que eu havia visitado, onde as pessoas também andavam apressadas, cada uma seguindo o seu destino, desconhecido. 
Um homem passou por mim, falando e gesticulando ao telefone e ao perceber que eu o observava curioso, cumprimentou-me como se me conhecesse de algum lugar, desaparecendo na esquina do viaduto. Tudo era tão especialmente conhecido, o homem e seu olhar, a praça, o frio, os plátanos enfeitando o chão. Tudo era tão familiarmente parecido a se repetir e ultrapassar os limites do tempo e da distancia, que eu parecia estar sonhando acordado.


Você que anda pela cidade e que não fica de olho sempre grudado no telefone celular, já percebeu quanta vida existe olhando pra cima, pra baixo, pros lados? E o quanto certos lugares relembram outros que esquecemos o nome, mas que estão guardados em alguma gaveta da memória e que de repente se reacende em flashes?

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