terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

LAVAGEM DO BOM FIM - SALVADOR


Você já foi a Bahia nego? Não? Então vá!..












Eu havia chegado dia 14/01/2015, quarta- feira, em Aracaju, por ocasião de minhas aguardadas férias, e lá recebi o convite de um amigo, para ir a Salvador na lavagem da escadaria da Igreja do Bom Fim, no dia seguinte, considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, depois do Carnaval. 
Eu pergunto: Como eu poderia perder um evento tão aclamado desses e que só acontece uma vez por ano na segunda quinta feira do mês de Janeiro? Eu coincidentemente estava em Aracaju, sem ainda ter programado absolutamente nada e sem saber que o festejo, era naquela data, então aceitei o convite sem vacilar.


Rachamos o combustível e fomos de carro, durante a noite, perfazendo uns 320 quilômetros  em 03 horas e 40 minutos de transito tranquilo. No outro dia, Salvador acordava com toda a movimentação necessária para a festa, com barraquinhas de artesanato, fitas coloridas, churrasquinhos, acarajés e toda aquela infinidade de comidas típicas, sob um dia ensolarado que prometia muito, mas muito calor.
Os Axés e sambas, tocavam alto por todos os cantos e as pessoas de  turbantes coloridos na cabeça, guias no pescoço e ramalhete de flores nas mãos, desfilavam por praças, ruas interditadas ao fluxo de veículos, com aquele sorriso de alegria e fé no olhar.


A Lavagem do Bonfim acontece há 259 anos, sempre na quinta-feira que antecede o segundo domingo após o dia de Reis, marcada pelo sincretismo religioso católico e adeptos do candomblé. A lavagem festiva acontece com a saída, pela manhã da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, próxima do elevador Lacerda, o qual segue a pé até o alto do Bonfim, para lavar com vassouras e água de cheiro as escadarias e o átrio da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim.


Todos se vestem de branco e percorrem 8 km em procissão, desde o largo da Conceição até o largo do Bom Fim. O ponto alto da festa ocorre quando as escadarias da igreja são lavadas por cerca de 200 baianas vestidas à caráter, que de seus potes de barros, que trazem aos ombros - despejam água nas escadarias e no átrio da igreja, ao som de palmas, toque de atabaque e cânticos de origem africana.
A festa segue até o final da tarde, onde alguns moradores tem por habito, comer a famosa feijoada baiana e outros pratos típicos.
Esta atitude de lavagem da escadaria do Bom Fim, vai alem de todo o seu significado mistico e sincrético, mas o cultuamento histórico da raça negra discriminada, que através de um gesto de humildade e trabalho, homenageia o Senhor do Bom Fim, lavando as escadarias de sua casa. Os negros por seculos foram impedidos de entrar na casa de Deus, que era frequentada unicamente pelos brancos, um dia isto foi quebrado.


Até o próximo passeio!

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