sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A LAGOA AMALDIÇOADA.




Passar diante dela, pelo menos à noite, sempre me causou um certo temor e desconfiança, afinal foram muitos anos visitando as praias do litoral norte e ouvindo historias a respeito desta misteriosa lagoa, que me fizeram perguntar se seria verdade ou apenas lendas criadas a partir do imaginário das pessoas.
O fato de passar por ali inúmeras vezes e nunca ter visto pelo menos um banhista em suas areias sempre fez crescer ainda mais minhas incertezas.


A Lagoa dos Barros, como é chamada, está localizada entre os Municípios de Osório e Santo Antonio da Patrulha, no Rio Grande do Sul e pode ser vista da principal rodovia, a BR- 290-Freeway, que dá acesso as principais praias do Litoral norte do Estado, como Tramandaí e Capão da Canoa. 
Apesar de sua extensão, (cem quilômetros quadrados) e beleza natural, quase num formato de um coração, estendendo-se na margem direita da BR, para quem se desloca para o litoral, ninguém vê barcos navegando naquelas águas, que dizem ser amaldiçoadas.


Muitas historias já foram contadas por moradores e gente que se aventurou por lá, como ondas que surgem do nada, barcos que desapareceram num misterioso redemoinho, ninfas montadas em cavalos brancos a galopar sobre a superfície da lagoa e a torre de uma igreja que podia ser vista em dias de seca, aventando-se a hipótese de haver que no fundo dela, uma cidade que foi submersa, fazendo da lagoa ter como legado, ser mal assombrada.
Mas de todas as historias de assombros, a que ficou mais conhecida, surgiu de um caso real na década de trinta. Uma moça de nome Maria Luíza, de Porto Alegre, foi morta pelo seu esposo, que com requinte de crueldade, a teria enforcado com o próprio véu. 
Os dois voltavam da festa de casamento e ao passar pela lagoa, ele tomado por um descontrole, a estuprou e tirou sua vida. Após, amarrou uma pesada pedra no corpo da noiva e a jogou na lagoa.
Algum tempo depois do ocorrido, o fantasma de Maria Luíza começou a aparecer no meio da estrada pedindo carona para alguns caminhoneiros que passavam naquele trecho da estrada.
Os corajosos que lhe concederam auxilio contam, que depois de sentada no banco do carona, ela simplesmente desaparecia sem deixar qualquer vestígio.  
Estudiosos já fizeram relatos, de que esta lagoa de água doce, alem de extensa, possui uma profundidade máxima que chega aos sete metros, tendo o fundo lodoso, o que permite suas águas serem turvas; Também não possui comunicação com qualquer rio ou o mar, fomentando uma outra lenda à respeito de sua existência:
Um dia um patrão mandou seu escravo fazer um poço e ele cavou tão fundo, mas tão fundo, que pegou um lençol freático, inundando a cidade que ali existiu. Quem garante a torre da igreja que aparece no meio da lagoa em períodos de seca, não seja da tal cidade?

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