quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma maldição.

Atendi uma senhora diabética que solicitou socorro por estar hiperglicêmica (quando a glicose está alta) e esta mesma senhora que eu nunca havia atendido antes, dividia o quarto com sua unica filha também acamada por um câncer de reto nunca tratado. Me chamou a atenção que a moça era também portadora de lábio leporino, (aquele corte ou fissura que acometem algumas crianças ao nascerem) e isto a deixava fanha quando falava ou chorava em demostração de preocupação com estado em que sua mãe se encontrava. Meu colega que conhece a historia desta família, contou-me mais tarde que a doença no lábio da moça se tratava de uma maldição rogada a sua mãe quando esta ainda era jovem e bonita e frequentava alguns bailes que aconteciam no bairro. 
Disse ele, que certa vez apareceu num desses bailes, um jovem que se encantou por sua beleza e insistentemente tentava tira-la para dançar, o que ela se negava pelo fato do jovem ter um defeito no lábio superior. Numa noite, cansado de sempre ser rejeitado pelo motivo que já desconfiava, perguntou indignado: _É por causa da minha boca que não aceitas dançar comigo, não é? Envergonhada a moça virou-lhe o rosto e então ele concluiu: _Um dia, haverás de ter um filho com o mesmo defeito que eu, então saberás o que é sofrimento! Deu-lhe as costas e nunca mais foi visto nos bailes seguintes.
Eu fiquei pensando que uma maldição dessas, mais do que causar preocupação e medo nas pessoas, deveria servir de lição para que algumas diferenças sejam pelo menos respeitadas. Alias, maldições são exercícios forçados de misticismo para que se evite exclusões nem sempre vistas desta forma.

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