segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O bosque de eucalíptos


Então paramos o carro diante do bosque de eucalíptos perfumados e ficamos admirando aquela beleza toda. A grama parecia estar ainda molhada da noite que chovera, e os raios de sol eram pequenos fachos de luz que se esgueiravam entre as folhas, os galhos, os novos ramos de árvores. Pensei em ficar ali em busca de arco-íris, caminhar pelas estreitas estradas de terra, pular pedra sobre pedra com curiosidade de menino e me perder rumo a mim mesmo e a toda aquela beleza.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Domingo de alegria


Acordei cedo já com a maquina de fotografar pendurada no punho em direção á rua. Fotografei árvores, praças, balanços, gangorras, crianças correndo, jogos de futebol de fim de semana. Este domingo pareceu ser de alegria, de trégua para as tensões, de almoço com os sobrinhos, de bagunça na piscina e assim foi. Retornei para casa renovado!





quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

La Barca

_Hã?
_Meu nome é Maria Palma, Maria Palma!
_Tenho setenta e dois anos!
_Não, eu não sei falar de outro jeito, sempre falei gritado assim, desde de pequena!
_Minha mãe ja dizia que eu era louca, por que falava assim gritado!
_Mas eu não sei oque aconteceu comigo!..Acho que caí ali no mercadinho e eles chamaram voces. Eles ficam com medo de mim e então chamam voces!
_Hã?
_Tomei alguns remédios que o doutor receitou, mas parei, me fazia mal. Agora não lembro o nome dos remédios!
_Eu tenho um filho, apenas um filho!
_Tem vinte e três anos, mas ainda não se casou!
_Sim trabalha num super mercado aqui perto!
_Não, não tenho marido, ele morreu faz anos!
_Ele era um carroceiro bebado. Morreu de tanto beber e fumar
_Hã?
_Eu vim de Uruguaiana para ca aos desesseis anos trabalhar em casa de familia. Familia rica!
_Casei com ele ja velha, com vinte e oito anos! Tive só este filho! Filho amado!
_Não eu não gosto de Natal, meu filho saí com os amigos e eu fico sózinha. Não gosto de ficar sózinha. Não gosto do Natal!
_Não meus parentes não me procuram, por que falam que eu sou louca! Por que eu sou a mais pobre da familia, A mais louca!
_Os vizinhos? Eles fogem de mim. Não me convidam porque falam que eu atrapalho as festas, choro e começo a gritar! Mas eu sempre grito assim!
_Hã?
_Não não gosto de musica, não sei cantar!
_É, eu gostava de tango quando era mocinha. Sabia até dançar tango!
_La Barca?
_Sei, o senhor também sabe?
_Hã?
_Tá certo, não sei se me lembro! Então vamos cantar!
_Dicen que la distancia es el olvido
_Pero yo no concibo esta razón

_Porque yo seguiré siendo el cautivo
_De los caprichos de tu corazón
!..
_Acertei? Tem agua ai? Tô com sede!
_Eu gosto desta musica, meu namorado também gostava!
_Já estamos chegando?
_Já? Que bom que estamos chegando, quero ficar com os médicos até o Ano Novo!

*Entrevista com dona Maria Palma, paciente com distúrbio emocional, atendida dia 25 de dezembro por mim e conduzida para um serviço de emergência psiquiátriaca.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal


As vinte e três horas e quarenta e cinco minutos, coloquei o assado e o panetone sobre o puf amarelo da sala. Planejei acender as velas daqui uns quinze minutos, mas descobri que não as tenho. A garrafa de vinho branco gelada servirei na taça há espera do momento da confraternização.
Agora deve ser quase meia noite e desconfio disto porque os rojões estão sendo estourados por todos os cantos da cidade ininterruptamente. Todos saíram aqui no prédio, mas decidi não abandonar o barco. Ficarei em minha companhia, aguardando Papai Noel com seu olhar de bondade e graça, Desejarei neste momento, a todos que amo, um Natal de alegria, paz, reconhecimento, fraternidade, solidariedade e amor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

MOSTARDAS E O CEMITÉRIO DOS NAVIOS.

O que achas de conhecer uma cidade pacata no interior do estado, com traços arquitetônicos açorianos, uma pequena igreja matriz de nome pomposo, um farol chamado Solidão e com uma infinidade de carcaças de embarcações encalhadas em suas praias, lembrando um verdadeiro cemitério de navios? Conheça neste post, um pouquinho da cidade de Mostardas, cujo  o acesso se dá, pela antiga Estrada do Inferno.



O convite para conhecer Mostardas, partiu de meu irmão que estava prestando serviço na cidade, abrindo esta oportunidade. Estavam no passeio, além de nós dois, sua esposa Luciana, meu sobrinho Eduardo e minha mãe. 
Mostardas é uma cidade pacata, localizada no istmo entre a Lagoa dos Patos e o oceano Atlântico, a uma latitude de 31º 06' 25" ao sul e a uma longitude de 50º 55' 16" à oeste, no litoral sul do Estado.

COMO CHEGAR:
Partindo de Porto Alegre em direção à Viamão e Cidreira, através da RS -040, até Capivari do Sul, são 90 km onde se entra à direita, pela RS-101 ao lado do posto da policia rodoviária, até Mostardas, mais 120 Km. 
A RS-101 que dá acessoa à cidade, conhecida por Estrada do Inferno (pela dificuldade de trafegar antes de seu asfaltamento), estava coberta de buracos em alguns trechos, dificultando a viagem e dando a impressão de que a distancia era ainda maior, mas depois de alguma doses de paciência, chegamos.

ORIGEM DO NOME:
Não há uma explicação documentada e oficial à respeito; porém, sugere-se que o município tenha recebido este nome, por causa da grande quantidade do vegetal comestível encontrado na região (mostarda). Aventam também, que sobreviventes de um navio francês chamado Mostardas, teriam se abrigado naquela região influenciando a escolha do nome ao município, pelos moradores da época.



IGREJA MATRIZ SÃO LUIZ REI DE FRANÇA:
Situada no centro da cidade em frente à Praça Luis Chaves Martins, a pequena igreja de nome pomposo, foi fundada em 1773, construída em estilo barroco, com altar mor no estilo neoclássico, datado de 1817, é uma das cinco igrejas construídas neste estilo no Brasil.



DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA CIDADE:
Mostardas começou a desenvolver-se com o asfaltamento da Estrada do Inferno (RS 101), o que ocasionou o crescente aumento do turismo e o melhor escoamento da produção de madeira pinus. Destaca-se pelo artesanato de pura lã com os famosos cobertores mostardenses, além da produção de arroz e cebola, na pecuária pelo gado bovino para produção de leite, carne, e ovinos para produção de lã.



TIPO DE ARQUITETURA:
As casas no centro da cidade são modestas e com fortes traços de influencia açoriana, verificado em algumas coberturas com telhas de barro feitas artesanalmente e telhados com mais de uma beira. Na culinária, religiosidade e manifestações folclóricas a forte presença da influencia do negro e do índio. 



NO CAMINHO DO LITORAL:
Mas o que mais me emocionou no passeio, foi a decisão de termos retornado para casa, pela beira da praia, mesmo com o risco do carro atolar na areia. De Mostardas até o mar, nos deslocamos por uma estradinha de terra vermelha, com plantações infindáveis de pinus até se abrir numa paisagem desértica de cômos de areia, planaltos e planices formadas pelo deslocamento da areia com o vento. 



Perdíamos constantemente o rumo da estrada e cuidávamos para não nos afastarmos da rota e atolar o carro nas conhecidas areias movediças do lugar. Parecia não acabar mais o deserto Mostardense e a cada momento, uma paisagem nova nos chamava a atenção, como um bando de flamingos rosas que encontramos pelo caminho, até localizarmos o mar. Nesta região as marés e os ventos mudam sem aviso no município, fazendo existir um verdadeiro cemitério de navios naufragados em suas praias.

CEMITÉRIO DOS NAVIOS:
Como nosso caminho agora era pela beira do mar, nos deparamos com varias revoadas de maçaricos, assim como a triste imagem de tartarugas gigantes, golfinhos mortos, e uma baleia já em estado avançado de decomposição, na beira da praia. A praia é também cheia de carcaças de navios que encalharam no passado formando um verdadeiro cemitério.



MOUNT ATHOS:
De todas as carcaças de navios encalhados que encontramos, talvez o maior seja Mount Athos de 164 metros, naufragado em Março de 1967, quando carregava adubos ao Porto de Rio Grande. O que sobrou do navio esta exposto à beira do mar, à 15 km do Farol da Solidão, numa forma de aviso sinistro.
Moradores nos contaram, que durante à noite, as pontas do que sobrou do navio, provoca susto nas pessoas que por ali passam, dizendo se parecer com um grande mausoléu. AQUI falo um pouco mais sobre ele.



FAROL DA SOLIDÃO:
Possui 21 metros de altura e quatro contrafortes longitudinais. De cor vermelha fica localizado à cerca de 70 km à nordeste do balneário de Mostardas. A primeira instalação de um farol no local, data de 1916. O farol da Solidão não está aberto para visitações. Uma pena!.. Com algumas pequenas construções a sua volta, não parece mais fazer jus ao seu nome.



Encontrar tantos animais marinhos mortos na beira do mar, nos causou muita surpresa durante o trajeto. Nos perguntávamos a razão de tudo aquilo. Era uma constatação muito triste e por mais que andávamos, o trajeto parecia infindável, até encontrarmos um acesso de volta a estrada RS -101, no meio de tanta areia. 




PECULIARIDADES:
Toda esta região marítima que costeia a cidade de Mostardas, Tavares, Bojuru e São Jose do Norte é sem duvidas, de extrema beleza e peculiaridade. É uma região que se diferencia do resto do Estado por sua diversidade marítima e aves migratórias que partem das regiões mais distantes do mundo, para se reproduzirem no PARQUE NACIONAL DA LAGOA DO PEIXE.
Os ventos fortes que sopram no litoral, transformam a cada instante a natureza e os cômos de areia, em belíssimas esculturas naturais.
Esta enorme área que estende-se pelo litoral, constitui o maior vazio demográfico do estado do Rio Grande do Sul. 
Com uma economia frágil e desorganizada, fundamentada no setor primário e secundário, a sociedade local padece de enormes carências sociais.

DICA GASTRONOMICA:
Restaurante Ed Mundo's. O prato a "Moda da Casa" feito com o peixe papa terra é a especialidade da casa. O restaurante de aspecto simples está localizado na Rua Bento Gonçalves, 906 Tel.(51) 3673.1969 - Mostardas.

ARTESANATO LOCAL:
Quiosque da Praça Municipal: Artesanato típico da região. Casacos, blusões cobertores e mantas de lã mostardense, no Quiosque da Praça Municipal em Mostardas.
Até a próxima viagem!

A HISTORIA DE MOUNT ATHOS.

Em março de 1967, o grego Mount Athos de 164 metros, naufragou nas proximidades de Mostardas, quando viajava ao Porto de Rio Grande carregado de adubo. Havia 28 tripulantes ha bordo e acredita-se que o navio foi atingido por ondas e ventos, aproximou-se demais da costa e colidiu em um banco de areia.

O que sobrou da carcassa do tombadilho do Mount Athos, continua exposto á beira mar, á 15 Km do farol da Solidão. Nas noites de neblina, as colunas de ferro, que se erguem entre as espumas das ondas, apavoram eventuais viajantes. Corroídas pela maresia, compõe uma lápide coletiva para náufragos de todas as épocas

sábado, 20 de dezembro de 2008

Frases soltas

Agora pela manhã, abro toda a janela pois quero que entre mais sol. Meu jardim está florido e recebe elogios de quem o nota. Lembro dos tempos de primavera perfumada que sorri como hoje. Aqui o silencio é de paz e tem musica de pássaros, alguns que não conheço. Cada homem tem o seu tempo, e o meu, acelera as mudanças num cronômetro pessoal, relaxa as tensões. A vida me revela certezas, impossibilidades, nascimento e morte de paixões.

Moema partiu com sua amiga de madrugada rumo a sua felicidade e para sempre. Antes dançou sobre as telhas frágeis de meu telhado. Plantou rosas, orquídeas, arrancou petalas, mostrou sorrisos e lágrimas. Deve correr de janela aberta no automóvel até chegar ao seu destino, abrir novas gavetas, desvendar mistérios e transforma-los em poesia, abraçar seu desejo de futuro. Lembrei do filme Thelma & Louise que assisti há alguns anos e pensei em silêncio enquanto cruzava o portão e a deixava para traz: Adeus Moema!
Já em casa relí seu bilhete que me enviou há alguns dias.

"_O dia esta da cor de tempos de reflexão. Minhas orquídeas estão sem flores. Estou com vontade de partir para novos campos, me faltam inspiração. Hoje quero sair para encontrar um rumo. Estou só e isso me faz fraca. Meu ser e meu corpo são pura paixão e musicalidade, não aprendi a ser só. Digo isso porque sei que me entende e me ouve. Rosas em seu caminho, em seu dia.
Bjs!.. Moema- 15/12/2008"

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Soltar os demônios

Hoje talvez seja uma noite boa para soltar demônios, daquelas em que eu abro mão de ser tantas coisas pelas exigências do dia, que me viro do avesso em gargalhadas e prazer e gasto todas as energias presas em ritmo, força, dança e alegria.
Promete ser!
..
Alguem que não lembro, disse-me que é difícil soltar demônios, mas depois que soltamos, viramos anjos, crianças, mais humanos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Voce está dormindo?

Sempre acordo-me mais cedo que o necessário. Digo isto, por que alguém já me falou sobre isto e porque conscientemente sei que nem sempre tenho oque fazer realmente, depois que desperto, que lavo a cara, escovo os dentes e tomo meu café sem acompanhamentos. Mais tarde percebo a inutilidade das tarefas que fiz entre um espaço e outro de bobeira, quando poderia ter ficado mais tempo na cama curtindo o nada, a preguiça, a dor nas costa, os pensamentos soltos e sem lógica.
Hoje muito cedo fiquei inquieto sobre a cama, mas mesmo com impetos de levantar-me sentia-me atraido em permanescer ali deitado. Não consegui perceber oque me incomodava realmente. Pensei que talvez fosse a persiana da janela do quarto que deixo aberta para entrar o vento da noite e que pela manhã me incomoda pelo excesso de claridade na cara, mas era algo além disto. Era um bip que disparava a cada um ou dois minutos, enquanto eu me movimentava e tentava viajar nas delicadas cores das orquídeas, nas exóticas folhas das bromélias. O bip vinha da sala, agudo e profundo e cada momento que tocava, parecia aumentar sua capacidade sonora e a minha até então controlada irritação. Identifiquei lá pelo quinto ou sexto bip que era do telefone celular que eu havia deixado na sala antes de me recolher à noite. Deixara-o sobre o puf na sala, acomodado sobre uma agenda enquanto lia alguma coisa na intenet. Droga!.. Levantei-me da cama enfurecido, peguei-o em minha mão com vontade de jogar contra a parede... Me controlei. Estava escrito: Uma nova mensagem. Acessei a caixa de entrada que dizia: _Você está dormindo??? Era 05:30 da manhã.

Orquídeas e Bromélias

No refeitório do hospital, conversava com uma colega médica de trabalho. Pincelávamos assuntos entre o ruído de pratos, talheres e outros colegas que estavam ali sentados á volta em outras mesas almoçando. Algumas vezes os assuntos se cruzavam e tornava-se difícil ouvir e entender oque falávamos realmente. Mas enfim, entre tantas coisas que mencionamos como a sua pesquisa sobre o numero de mortos por parada cárdio-respiratória em Porto Alegre e que hoje é deficiente em dados estatísticos e o estres que vivenciamos diariamente em nosso trabalho, falamos também sobre os seus planos de trocar a loucura dos centros urbanos da capital, por um lugar mais calmo, arejado e modesto. Mencionei Viamão, cidade vizinha e perto da capital, onde morei por alguns anos e que ainda mantém uma boa qualidade de vida se optar-mos pelo local certo dentro da cidade.
Falou-me da sua necessidade de ir em busca de um ambiente que corresponda as suas necessidades pessoais, do seu desejo de substituir o apartamento por uma casa com pátio, cachorro e seu interesse em dedicar-se a criação de um jardim e um pequeno espaço para o plantio de orquídeas. Pensei em mencionar minha paixão por bromelias e o tempo em que eu dediquei-me a elas, pensei sobre a necessidade de criar-mos estes ambientes em nossas vida e a importancia de interagir-mos com ele, pensei em falar mais coisas sobre isto, porém quando percebemos, tínhamos acabado de almoçar e precisávamos voltar ao trabalho.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Trocas de carinho

Agora, há poucos minutos quando cheguei do trabalho, falei com minha mãe pelo telefone e percebi como temos trocado carinho um com o outro. Percebi também que não éramos assim no passado, que embora fossemos muito apegados, não conseguíamos expor nossos sentimentos de forma tão explicita e verdadeira. Era como se algo invisível entre nós nos impedíssemos de manifestar estes sentimentos que pareciam estar reprimidos. Algo se modificou e fez com que resgatássemos este aféto contido, intimidado dentro de nós. Já no final da ligação depois de conversarmos, rirmos muito, demo-nos adeus varias vezes e ela ainda finalizou com a voz emocionada: _Me liga, não esquece de mim, eu te amo muito!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A voz do Jazz


Madaleine Peyroux é uma cantora de jazz nascida na Geógia que escreve e interpreta suas proprias composições e letras. É especialmente lembrada por seu estilo vocal, que em muito lembra o estilo da cantora Billie Holiday.
Peyroux
viveu também no sul da Califónia, na cidade de Nova Iorque e em Paris. Começou a cantar com quinze anos de idade, quando descobriu os artistas de rua do boêmio Quartier Latin em Paris. Ela integrou o grupo The Riverboat Shufflers, primeiro passando o chapéu, e então, depois, cantando. Aos 16 anos, passou a fazer parte dos The Lost Wandering Blues and Jazz Band, grupo com o qual passou dois anos em turnê pela Europa interpretando canções de estrelas dojazz como FatsWaller, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, entre outros, dando base às interpretações de seu primeiro álbum, Dreamland.

Reflexões

Acordei com vontade de rever algumas coisas em minha vida, depois pensei que não fosse o momento acertado para estas incurssões emocionais. Algumas verdades se revelam de forma mágica e inesperada em nossas vidas, sem que nos esforcemos para encontrar-las. Te surgem respostas à certas dúvidas, sem a necessidade de reflexões profundas, como uma leve mudança de ar, uma bruma suave, uma frase dita do nada. Dias difíceis estes em que vivemos entrelaçados em dúvidas, esbarrando em incertezas! Talvez não surja nada no fim da linha, no fim da rua, no fim da vida, embora eu pense com incerteza, que exista mais, além do meu estreito campo de visão, do resíduo de minhas verdades que faço leis pessoais, dos pequenos desfechos que invento para reiniciar minha ficção. Depois li esta frase em algum lugar:
"_Não preciso de verdades. Para viver, voce só precisa de mentiras. Chega deste papo furado de que o sonho acabou!.."
poeta Wally Salomão.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Recado poético no meu celular

Recebi este recado em minha caixa de e'mail, e o achei de uma beleza e sensibilidade impar como a pessoa que me enviou.
Li também no blog de uma amiga uma frase que entendo definir as palavras escritas no recado:
"As vezes a gente pensa que está dizendo bobagens e está fazendo poesia.".
"O dia esta da cor de tempos de reflexãoMinhas orquídeas estão sem floresEstou com vontade de partir para novos camposme faltam inspiraçãoHoje quero sair para encontrar um rumoEstou só e isso me faz fraca. Meu ser e meu corpo são pura paixão e musicalidade, não aprendi a ser sóDigo isso porque sei que me entende e me ouve.
Rosas em seu caminhoem seu dia.
Bjs!.."
Na vida,
não existe vitória ou fracasso,
existe sim experiências!
Ana Sharp

domingo, 14 de dezembro de 2008

Decisões

Diante de um impasse, decida! É preferivel uma decisão errada do que uma eterna indecisão. Os erros na vida são completamente inevitáveis e é a partir deles que se retoma os acertos.

Lágrimas de Cristo


Fiquei olhando a delicadeza de sua forma no parapeito da minha janela. Os caules são finos e flexiveis e deles nascem folhas verdes e aredondadas. Na ponta dos galhos, as flores brotam em pequenas pétalas brancas que se abrem para expôr outras petalas menores e vermelhas com filamentos delicados.
Acontece que eu não consigo mais viver neste mundo que põe laços apertados, que me obriga há responsabilidades afetivas maiores que aquelas que posso dar. Que me aprisionam, em meu próprio senso de dever algumas vezes incumprives pelo cansaço das obrigações. Meus sonhos divergem dos sonhos que me oferecem, dos que ja sonhei. Talvez não tenha sonhos além de meu presente.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O jovem no terminal de ônibus

O jovem entrou no terminal de ônibus, se aproximou do telefone público, que eu sabia estar estragado e ficou ali teclando, enquanto me observava com um certo disfarce no olhar. Desconfiei de sua postura e então justifiquei para mim mesmo que talvez fosse sua curiosidade pelo macacão azul, com algumas listras prateadas e escrito 192 que eu vestia. Depois passou por mim e cumprimentou-me de forma desconfiada e se enfiltrando entre as pessoas que aguardavam os coletivo há alguns metros. Estaria talvez drogado? Dava voltas entre as pessoas como se procurasse algo entre elas, depois atrevessou a avenida e desapareceu. Me envergonhei de pensar que talvez pudesse ser um ladrão á procura da oportunidade certa. Não tinha mais de dezoito anos.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Tipo Knnor

Dois colegas cochichavam um no ouvido do outro, enquanto assistiam descaradamente a outra colega trabalhar com uma dessas calças justas e flexivivel de material sintético colado na bunda,.
_Esta calça é daquelas, tipo Knnor! _Disse um deles.
_Como assim, Knnor?
_Ora, deixa qualquer galinha gostosa!
Todos gargalharam juntos, inclusive a colega que estava de bom humor

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Indecifrável olhar

Algo de incomum acontece quando cruzamos nossos olhos naquela esquina. Este teu olhar que não leio nada, que não fala nada, ou que simplesmente não é nada além de minhas divagações.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Encontro ao acaso

Ah! as coincidências!..
Quem as cria? Deus, o homem ou a vida?

Há alguns meses não queria ver Helena e muito menos falar com ela. A engrenagem de nossa amizade trancou por um mal entendido que parecia não ter conserto. Ontem a encontrei na parada de onibus, pareciamos ja ter digerido grande parte do impasse criado. Impossivel desvencilhar-se deste forçado encontro do acaso. Encontros que a vida, Deus ou o homem inconcientemente provocam, oportunizando situações à serem resolvidas para que continuemos a viver em paz com nós mesmos!

domingo, 7 de dezembro de 2008

As Três Rosas

Recebi uma mensagem no MSN, eram três rosas vermelhas que pareciam murchas, pois seus caules se dobravam em forma de uma bengala, dando a sensação de que estavam caídas, morrendo. Engraçado pensar nestas rosas vermelhas agora! Mensagens visuais desenhadas que te passam idéia de emoção, de sentimentos, que te falam coisas sem o uso de palavras escritas. Elas pareciam quererem dizer qualquer coisas do tipo:
_Estamos tristes! mas poderiam quererem dizer tantas outras coisas além disto, que fiquei pensando oque poderiam ser!...

sábado, 6 de dezembro de 2008

Pizza + Coca- Cola e indisposição

Algumas coisas não te caem bem e ficam pesando indevidamente no estômago, daí é meio passo para o resto da noite ficar naquela desagradável sensação de indisposição, de que alguma coisa além de seu estômago está errada. Será que é culpa da pizza hiper-temperada, do queijo, do catchup? Você tenta fazer da Coca cola o sal de frutas não encontrado na gaveta. Bebe quase dois litros e nada de aliviar!... O papo continua acirrado a o seu lado e você chega a conclusão que só tem uma saída: Um banho frio e cama.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Boas lembranças

Algo em mim ficou pra tráz e hoje tento recuperar. Algo naquelas tardes de matinés no cine Miramar, nos acampamentos improvisados e grandes caminhadas, no luar sob a lagoa de Itapuã rasgando a água de luz até a margem e suas areias brancas, nos poemas cantados de vinicius de Moraes, nos textos de Fernando Pessoa lidos à noite sob a luz de velas, no doce beijo na boca. Algo em mim, ficou por lá e tento reaver em minhas lembranças com alegria, porque sei que não se vive o passado. Nas noites de solidão que não me deixam valas, dou gargalhadas e revivo com saudades tudo oque ficou pra traz sem tristeza.



POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa como:Álvaro de Campos

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Relacionamento

Um relacionamento nunca cria nada. Ele só pode trazer algo que já é existente. Assim, nunca jogue a responsabilidade no outro. O outro é, no máximo, uma ajuda para lhe mostrar as subcorrentes de sua mente. Cada relacionamento é um espelho; ele revela sua identidade a você.

Osho

sábado, 29 de novembro de 2008

Participação

Ninguém sabe dos sentimentos de dor do outro, ninguem sabe. Oque se pode é apenas ter uma vaga idéia deles e talvés como foram construidos, se estendendo, se aprofundando, crescendo silenciosamente dentro da pessoa, formando feridas mas isto é apenas um prospecto da verdade. Olhando de fora voce tem apenas uma a vaga idéia da verdade e observa tudo, através de seus conceitos de verdades e suas verdades não são as verdades do outro. A sua compreenção pode estar além da verdade do outro. Ela pode ser falsa, ela pode estar fundamentada em emoções pessoais suas e não de quem verdadeiramente sofre.
Luís Fonte

"Existem coisas que você pode saber somente se você participar.
Observando de fora, você conhece somente coisas superficiais. O que está acontecendo com a pessoa está dentro? Alguém esta chorando e lágrimas estão escorrendo. Você pode observar, mas isso será muito superficial. O que esta acontecendo com o coração dele? Por que ele está chorando? É difícil até mesmo interpretar, porque ele pode estar chorando de infelicidade, e tristeza, de raiva, felicidade ou de gratidão.
E lágrimas são apenas lágrimas. Não como analisar quimicamente uma lágrima para descobrir de onde ela vem- de uma profunda gratidão, de um estado de bem- aventurança ou de infelicidade- porque todas as lágrimas são iguais. Quimicamente elas não diferem, e elas parecem as mesmas ao escorrerem na face. Assim no que se refere aos reinos mais profundos, é praticamente impossível concluir de fora. Uma pessoa não pode ser observada, somente coisas podem ser observadas. Você pode saber de dentro. Isto significa que você precisa conhecer essas lágrimas em você mesmo, ou nunca realmente as conhecerá. Muito pode ser aprendido pela observação, e é bom que você observe, muito bom. Mas isso não é nada, comparado com o que você pode aprender ao participar."
Osho

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Dia e noite atípicos

Ontem foi um dia atipico para mim. Dificil. Muitos planos, muitas caminhadas, trafego lento, congestionado, vagas nos estacionamentos ocupadas, corretores de seguro ligando todo o tempo, informações imprecisas, sol ardendo na pele, buzinas, sirenes, gente correndo com pressa de atravessar a rua. Suspeita de assalto na esquina. Encontro com colegas insatisfeitos na rua, descoberta de um projeto para reduzir a insalubridade no trabalho em 20%. Vontade de apertar um botão que me transportasse de volta para casa, ficar meia hora embaixo do chuveiro frio, refrescar as idéias. A noite quando cheguei em casa, tinha um panfleto preso na maçaneta da porta que dizia o seguinte:

"Pelo AMOR,
pela FRATERNIDADE,
pela partilha que geram a VIDA.
Pela LUTA,
pela ESPERANÇA
que nos levam a SONHAR.
Pelas PEDRAS do caminho que nos
ensinam a LEVANTAR.
Pela LAGRIMA
que se transforma em PRECE.
Pela ALEGRIA,
pelas BÊNÇÃOS,
Volta teu olhar a DEUS e AGRADECE!"
Jurema Kalua

Então, entrei em casa com aquele panfleto na mão, pensando que não é o tipo de mensagem que habitualmente recebo, e ainda de cunho religiosos! Quem teria colocado na minha porta? Algum vizinho preocupado com o meu dia? De qualquer forma, não me importei como tinha chegado até a minha porta e por que razão. Olhei para meu filho sentado na sala, e abraçei-o demoradamente. Tomei um banho excepcionalmente frio, abri uma garrafa de vinho branco e a janela do quarto e deitei-me na cama em silêncio e agradecendo por aquele dia!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Não existem diferenças

"Algumas vezes descobrimos em nós certas diferenças que a principio não aceitamos, por acharmos que a igualdade é que faz sermos aceitos e normais nesta equação social. Talvez nos acostumamos com a igualdade e talvés seja necessário vermos beleza nestas diferenças, nestes contrapontos que vistos sem profundidade parecem não ter lógica, mas que ao final somam-se em seu contexto e todos ganham. Isto ninguém nos mostra, por que aprendemos com a vida e suas sutilezas, com o exercício da sensibilidade a cada segundo de minuto de nossos dias, até chegar a descoberta de que não existem diferenças, que tudo pode ser igual, mas com suas peculiaridades."

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Piquenique

Hoje busquei Borba, minha mãe, em sua casa, minha sobrinha Bruna e seus três filhos, João, Laís, e Iago para fazermos um piquenique na praça, aqui perto, onde eu moro. Levamos cadeira de praia, toalha para deitarmos sobre a grama, refrigerantes gelado e biscoitos recheados para as crianças, agua, chimarão. Pena que esquecemos da máquina de fotografar para registrar o encontro de lazer, com futebol com as crianças, subida nas árvores e caminhadas pelo vasto campo e degustação de amoras direto da arvore. O encontro de hoje fortaleceu nosso convívio pessoal e com a natureza, nos deu energia e paz, também a certeza deque foi um momento, mágico, inesquecível e com desejo de quero mais.
"Debaixo destas árvores na praça me sinto bem, seus braços frondosos me acolhem e consigo até dormir confiante sob suas sombras majestosas. Esqueço que as horas passam e da violência que passa ao lado. Que eu passarei por esta vida e elas quem sabe ficarão ali solenes, acolhendo outros corpos, outras vidas sob seus galhos verdes e centenarios, sendo admiradas e respeitadas."


Pra que a pressa?

Por estes dias percebi ter perdido ou ao menos por alguns dias ter deixado de lado a pressa. Afinal por que te-la? Oque se pode ganharar com isto? Aos cinquenta anos não se deveria mais ter pressa de nada, nem mesmo aos trinta, aos vinte, aos quinze...Será que é necessario chegar até os cem para se perceber que não se ludibria o tempo, que chegar primeiro não significa ser o primeiro!.. Não tenho a intensão de desestimular as pessoas ou mesmo convence-las de que não devam lutar e ir atraz de seus sonhos, de suas conquistas, das soluções de suas urgencias. Mas defendo a idéia de que devemos viver com mais calma, observando mais a vida ha nossa volta, apreciando os seus detalhes e oque de bom podemos aprender, aproveitar. Penso que perto dos cem anos poderia não ser o inicio do fim, mas o inicio de um novo começo onde talvez tivessemos pela experiencia, mais chances de acertar. Minha prima postou em seu blog: http://jeitodeisedeser.blogspot.com/um texto de Charles Chaplin que achei fantastico e ilustra esta minha idéia.

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"

Charles Chaplin

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A propósito

As vezes tenho a sensação de que esqueço de tudo e fico aqui sentado no sofá olhando pela janela o paredão cinza de concreto que me impede de ver a rua, a praça, as pessoas. Fico curtindo a brisa entrar e invadir meu rosto, meus pensamentos, meu corpo imóvel sentado no sofá da sala. Tenho poucas coisas para me preocupar nestes momentos, então venho pra cá, onde estou agora e fico com meus pensamentos soltos, dando asas à minha imaginação, voando além deste paredão de concreto. É talvez como um vicio que se fortaleceu pela força do hábito, pela necessidade de ficar só, em silencio, desassociado dos pequenos incômodos do dia a dia, na tranquilidade, no que de positivo (o viver só) pode proporcionar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A cidade está vazia!

Quando voltava para casa com meu filho, hoje de madrugada, de dentro do carro observávamos a cidade que parecia adormecida. Engraçado ouvir dizer que alguns centros urbanos não dormem, mas Porto Alegre, particularmente dorme principalmente nesta noite atípica. As ruas pareciam desertas e o movimento de veículos nos cruzamentos era quase zero como nas pequenas cidades do interior. Com a janela do carro meio aberta podia-se sentir o vento da noite bater nos nossos rostos como num passeio à beira da praia depois de um longo dia de lazer. Árvores balançavam, calçadas vazias e a voz de Ana Carolina cantando no rádio do carro:
"... Já sei olhar o rio por onde a vida passa, sem me precipitar e nem perder a hora. Escuto no silêncio que ha em mim e basta, outro tempo começou pra mim agora. vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender ..."
Já entrando em casa tivemos a sensação de que éramos os únicos moradores de um prédio de seis apartamentos em completo silêncio.

terça-feira, 18 de novembro de 2008


Acordei inspirado, então coloquei no aparelho de som o CD de Vinicius, Tom, Miucha e Toquinho gravado ao vivo no Canecão. Tomei meu café da manha com a voz delicada de Miucha em dueto com Vinicius, cantando "Minha Namorada", "Chega de Saudades"e "Se todos fossem iguais a você." O dia pareceu ficar mais bonito que os outros, o café mais saboroso e a vida melhor!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Chega de Saudades.


Será que eu ficarei assim? Este é o meu, o nosso futuro? Foram estas perguntas iniciais que me fiz ignorantemente, quando assisti o filme de Laís Bodanzky: "Chega de Saudades." 
Produziu em mim o efeito de uma catarse por se tratar de uma ficção que mostra a possível realidade não tão distante, retrato da vida. 
A primeira sensação foi de angustia e impotência, uma vez que não se pode parar o tempo e todos nós envelheceremos e pensar em futuro, é também pensar na possibilidade de que nossa juventude está se extinguindo. Depois de uma aceitação pautada na falta de opção, por que afinal de contas é assim a vida, envelhecemos mesmo contra a nossa vontade, mas nossos desejos e necessidades não se esgotam, continuam latentes e com isto se mantém jovem. 
O filme é ambientado durante uma noite de baile, num clube de dança em São Paulo. A trama começa ainda com a luz do dia, quando o salão abre suas portas e termina ao final do baile, pouco antes da meia noite, quando o ultimo frequentador desce a escada. Mostra também numa unica noite de baile, os dramas, alegrias e sonhos de seus personagens, mesclando comédia e drama na mesma história. O filme aborda também o amor, a solidão, a traição num clima de muita musica e dança.

Elenco:
Tônia Carreiro,
Betty Faria,
Cassia Kiss,
Stepan Nercessian,
Maria Flor,
Paulo Vilhena,
Elza Soares.

Duração:92 min.

sábado, 15 de novembro de 2008

Fora do Ar

Ontem, Moema em alguns momentos criou distancias que talvez achasse necessario para si e todos nós ali reunidos. Tinha o olhar ocupado e firme num pequeno objeto que segurava nas mãos mas tambem cruzava os limites do seu presente que a levava para longe, muito longe de nós. Distanciava-se para algum lugar pessoal e secreto fora do nosso e de seu tempo. Fiquei a observa-la sem que eu fosse notado e pensei que algumas vezes também faço estas viagens inconcientemente, levado por uma surpreendente distração maior que minha vontade de permanescer no que chamo de minha realidade presente. Absorvido em pensamentos soltos e sem nexo, captando impressões tacteis e visuais, navegando em imagens volateis e talvez necessarias a o sonho, a compreenção de quem sabe, nós mesmos em mensagem não decifradas, codificadas por senhas complexas e esquecidas. Por alguns minutos, também me distanciei permanecendo alguns minutos, talvez segundos, fora do ar e só retornei quando Moema bateu em meu ombro perguntando:
_No que está pensando?..

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Novembro, Dezembro, já quase Janeiro

Meu quarto pela manhã, fica iluminado pelo sol, que entra pelas frestas da persiana. Hoje, além do sol, havia um vento forte que rajava pelas paredes e janelas do prédio. Haverá mistérios num dia de sol e vento e sem cantoria de passaros como o de hoje? Já me adonei deste sol e deste vento que surge por aqui, tenho sentimentos de pura nostalgia agregado ha dias como este.
Daqui vejo somente telhados marrons, chaminés sem fumaça, nuvens que parecem eicebergs em movimento lento e indo na mesma direção. Novembro já quase virando Dezembro. Indo, na direção de Janeiro, acompanhando o movimento das nuvens, partindo, indo, na direção do futuro!..

Sombras e Vozes

Sombras e vozes conhecidas era tudo que buscava naqueles momentos em que sentava ali, na mesa do bar, na calcada movimentada, na beira da avenida que trafegavam veículos barulhentos, misturados tantas pessoas que falavam alto, gesticulavam, garagalhavam com seus hálitos de cerveja quente e espumenta nos copos. Há algum tempo, já tentara desta mesma forma, sem conseguir, respostas que viessem destas mesmas sombras e vozes que buscava pelos cantos de bares, pelas esquinas e becos pouco iluminado e nunca vieram a o seu encontro. Agora estava cercado de uma ansiedade quase descontrolada. Seria fácil, muito fácil!_ pensava angustiado_ se estas sombras lhe trouxessem algum tipo de alivio, se em suas vozes lhe trouxessem algum tipo de resposta, resposta que em algum dia pensou que pudesse arrancar de dentro de si, como se espreme com pouco esforço um limão para fazer suco. Mas é difícil arrancar de si, suas próprias respostas, espremer-se até que saia algo, desvendar seus próprios enigmas sem pirar de vez. O que se pode tirar pode ser um suco de diferente cor, textura e sabor, que não se quer provar!.. Sentado ali, em seu canto estratégico de busca, observava o movimento frenético dos garçons, o abraço, o beijo na boca, a cruzada de perna, o olhar indeciso, as bandejas de metal que sobrevoavam como ovni sobre a cabeça dos clientes, o cheiro de cerveja quente e tocos de cigarros esmagados.
Pessoas chegavam e outras saiam, pareciam que algumas retornavam à procura de algo que não estava ali, ou que estava presentes além do bar, da rua,  além de si mesmas.
Então, bebeu o ultimo gole, levantou-se e foi embora. Talvez num outro dia tivesse mais sorte.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ninguém sabe dos sentimentos de dor dos outros, ninguem sabe. Oque se pode é apenas ter uma vaga idéia deles e talvés como foram construidos, se estendendo, se alojando, crescendo silenciosamente dentro das pessoas, formando feridas mas isto é uma vaga idéia.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Glamour Maggie


Maggie é uma menina que ainda cresce para a surpreza de muitos olhos. Vejo um pequeno brilho em seu olhar que confundo ora com luz de alegria e esperança, ora com lágrimas de uma tristeza que perece não ter fim. Trocou sua coleção de bonecas por óculos de muitas cores, telefones móveis de muitos modelos, vestidos, sapatos, perfumes, colares, glamour. Maggie é muitas e então busca em si mesma a personagem real e única entre todas as outras que criou cada qual mais bela. Busca a não coadjuvante, a que talvez lhe mostre o caminho de emoções que guarda dentro de sua magica caixinha de musica sobre a penteadeira, que lhe posicione o norte no meio de tantos atalhos surgidos na vida. Enquanto não encontra, modifica as rotas, transforma os cruzamentos em laços de presentes, os paralelepípedos em pedras preciosas, o olhar de mulher em sorriso de menina.

Uma estória que li

Uma jovem mulher e um belo homem apaixonam-se e, quando isso acontece, eles decidem casar-se imediatamente. A mulher - culta, sofisticada e experiente - diz: "Só com uma condição...".
O homem responde: "Qualquer condição é aceitável, pois não posso viver sem ti."
Ela diz: "Primeiro ouve a condição; e depois reflete. Não é uma condição vulgar. A condição é que não vivamos na mesma casa. Eu tenho uma terra vasta, um belo lago rodeado por árvores, jardins e relvados. Farei para ti uma casa do outro lado, oposto àquele onde eu vivo."
Ele responde: "Mas então qual é o interesse do casamento?"
Ela diz-lhe: "Casar não é destruirmo-nos mutuamente. Não é limitarmo-nos um ao outro. Não é matarmos o amor que sentimos. É, sim, fazermos com que o amor possa crescer. Estou a dar-te o teu espaço. De vez em quando, passeando de barco no lago, poderemos encontrarmo-nos acidentalmente. Ou, por vezes, posso convidar-te a tomar chá comigo, ou tu podes convidar-me."
O homem responde-lhe: "Essa ideia é simplesmente absurda."
A mulher responde-lhe: "Então, esquece os planos de casamento. Esta é a única ideia correta - só assim o amor pode crescer, porque seremos sempre jovens e novos. Nunca tomaremos o outro como certo. Tenho todo o direito de recusar os teus convites, assim como tu tens o direito de recusar os meus; a nossa liberdade individual nunca será perturbada. Entre estas duas liberdades, a tua e a minha, desenvolve-se o belo e fascinante fenômeno que é o amor."

Rabindranath Tagore

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mudanças internas


Quando ocorrem mudanças que te modificam o interior, estas mudanças te pegam de surpresa. Quando voce se vê, ja é quase todo outra pessoa e então aqueles velhos conceitos do qual voce acreditava ser feito, ja não lhe dizem nada ou quase nada. Tudo parece estranhamente atípico, impessoal, por que voce é um pouco do velho com novas verdades somado a mais um pouco do novo que voce passa a ser. Custa um pouco voce passar de um  para o outro e elaborar esta transição, este novo modelo doqual está se transformando.

domingo, 2 de novembro de 2008

DIA DOS MORTOS.

Caminhando pelas ruas daqui, observo belas casas de construções planejadas, jardins elaborados, cercas elétricas, cães de rara beleza e bem alimentados, mas percebo também um panorama triste, deserto neste dia que garôa e me confundi a estação do ano em que estou. Dia 02 de Novembro é dia de mortos e dia dos mortos sempre parece-me assim com este ar de tristeza estampado na cara do dia. Janelas, portas e portões fechados. Haverá alguém dentro destas casas que passo pela frente? E o que fazem, se protegem da garôa, oram pelos mortos? Não lembro de meus mortos pois lembro deles num dia mais bonito que o de hoje, fico apenas caminhando e perguntando-me pelos vivos que moram por aqui escondidos em suas residencias fechadas e sem nenhum sinal de vida. Enterrados em suas moradias como se não existissem.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amor e Liberdade.

Comumente ouvimos falar sobre as escolhas que devemos fazer em nossas vidas e uma delas é o amor em contra partida da liberdade. Cedo aprendemos que elas não se casam, são incompátivies e antagônicas, mas também de suma importância em nossa existência. Como amar e sermos livres a o mesmo tempo, se nosso amor parece ser regado de promessas que posteriormente transformam-se em obrigações intermináveis reforçados a cada gesto e olhar sob a supervisão das expectativas criadas, cobradas, exigidas e algumas vezes não correspondidas, embora negamos isto? E a liberdade que nos põe descompromissados de eventuais promessas? Afinal ser livre e respeitar as diferenças de nossas idéias, verdades, sentimentos, opiniões; É caminhar em outras direções, procurar caminhos que melhor nos convir, mudar, hoje amar mais, amanhã menos, renovar-se. Amar é essencial em nossa vida e a liberdade imprescindivel pois é nosso espirito. Oque seria do amor sem liberdade e a liberdade sem um amor?
Osho diz: =>"ser amado e amar é praticamente um respirar espiritual. O corpo não pode viver sem a respiração, e o espirito não pode viver sem o amor."
Desta maneira, vivemos movimentando-nos nas duas direções, ora desejando amar e sermos amados, ora em busca de nossa liberdade pessoal. Vivemos nos arrastando de um lado para o outro, capengas, pois não conseguimos administrar intensamente estas duas palavrinhas com suas alternativas contraditórias e que nos mostra contrapontos.
Osho diz também: =>"A liberdade vem quando você atinge uma síntese entre o amor e a liberdade. Escolha o paradoxo, não escolha as alternativas que o paradoxo lhe deu. Escolha todo o paradoxo. Não escolha um, escolha ambos, escolha-os juntos. Entre no amor e permaneça livre, mas nunca torne sua liberdade contrária ao amor."


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Casados, cinqüenta anos depois:

Li este miniconto de Ana Mello em seu blog e achei da maior delicadeza e sensibilidade. Não pude deixar de copia-lo e colocar em meu blog:

"Com o passar dos anos meus beijos foram ficando diferentes. Suaves demais, rápidos, superficiais.
Segurando sua mão só pensava nisso, quando ela abriu os olhos e perguntou:
- Eu morri?"

domingo, 19 de outubro de 2008


Semana passada sonhei com o mar, caminhava por cima das ondas, como aquela famosa cena em que Jesus Cristo milagrosamente flutua sobre as aguas deixando seus seguidores boquiabertos com o milagre. No meu sonho não haviam discipulos ou outras testemunhas para se espantarem, apenas eu, somente eu. Neste fim de semana, visitei o mar e enquanto caminhava pela beira da praia adimirando sua grandeza, lembrei-me novamente do sonho. Fiquei imaginando o quanto podemos ser diferentes do sonho para a realidade. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quando nos tornamos mais livres ficamos também mais leves e verdadadeiros, algumas vezes, comprometemos a nossa sanidade mental diante das pessoas que antes nos julgavam normais!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

I Love You Porgy

Olhando daqui de cima, tudo parece tão plano e limpo, lavado pela chuva fina e persistente que bate no corredor por onde passam carros, na vidraça da janela. A chuva renova energias. A noite tem a cor eo movimento esperado nesta vida que não descança e que as vezes se imita.
Ouço sons absurdamente confusos, misturados aos meus, até que me venha o sono e durma acariciado por I Love You Porgy na voz rouca e negra de Nina Simone.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Coisas do tempo...

Depois do dia escaldante de trinta e poucos graus de ontem, Porto Alegre acordou com cara diferente, parecendo revelar uma quinta estação desconhecida. Calor ainda, mas com uma brisa refrescante e umida acariciando o rosto das pessoas nas ruas, nas praças e jardins. Sol escondido por traz de nuvens brancas e esticadas, grama úmida e colorido cinza de fita de cinema mudo, irreal, verdadeiro apenas na imaginação. Possivel de viver sómente em sonho.

sábado, 11 de outubro de 2008

Cabo Horn

Ontem à noite fui convidado por colegas de trabalho, à conhecer a danceteria Cabo Horn, situada na rua Republica 649, Cidade Baixa. O nome faz referencia ao Cabo que divide o oceano Atlântico e Pacífico, sul da Patagônia e Terra do Fogo. O estabelecimento é um casarão de dois pisos e faixada na cor verde escuro, com mesas na rua, ideal para reunir grupo de amigos.
No primeiro andar, há um espaço com bar e palco onde se apresentam artistas locais. No segundo andar, espaço para dança com musica eletrônica e mais um bar independente, som dos anos 70, 80 e 90. Rock'n roll, Pop nacional e interacional, MPB. No cardápio da casa, bolinhos de aipim com carne seca, quibe, empadas (que não experimentei) e um delicioso pastelzinho assado no forno, com catupiri. Administrado pelos irmãos gêmeos César e Paulo Audi do antigo Dr. Jekill, a danceteria faz sucesso não só pela sua animação e localização, mas também pela simpatia de seus donos e freqüentadores.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Dia 09 de Outubro, filhos, netos, bisnetos e amigos ganharam um belo presente, um presente de valor inestimável, que foi festejado com alegria e emoção. Borba completou 72 anos de vida de lutas, perseverança, e força interior. Todos os anos no dia de seu aniversario sabemos intimamente que não festejamos somente mais uma data de seu aniversario mas que somos abençoados pela sua companhia impar e sua alegria de viver.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Morro da Embratel

No domingo, dia de eleição para prefeito eu e minha namorada subimos de carro o morro da Embratel. Você já foi até lá? É fantástico! O morro é uma especie de braço estreito, formando uma estrada de chão onde se pode ver nas duas direções a cidade de Porto Alegre. Tem-se lá de cima a magnifica visão da grandeza e beleza da capital exibindo vales, penhascos alguns recantos e bairros como Glória, Centro, Santana, Pártenon e outros. Lugares como este te faz sentir um pequeno grão de areia na imensa obra criada por Deus.. Te leva a questionamentos sobre a vida alem da tua. Minha namorada disse-me que este lugar te chama para a razão, uma vez que também pode-se observar as diferenças sociais entre um bairro e outro, do enorme arranha céu à favela desprotegida da infra estrutura metropolitana planejada, limpa.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Hoje particularmente o convivio com minha familia me fez bem, penso que precisava disto por estes dias. Vespera de aniversario, preparativos, alegria, todos falando a o mesmo tempo, algumas piadas boas e outras sem graça, cerveja gelada, arroz com linguiça preparado de ultima hora, mais cerveja gelada e a festa só começa amanhã!..

Pela janela do meu quarto, entra a claridade do Sol e posso ouvir nitidamente o canto de pássaros como uma sinfonia mistica. É possível identifica-los pela variedade de sons que produzem. As arvores estão frondosas e este aroma peculiar de flores chega até aqui trazido por uma brisa, que somente a Primavera pode presentear. Impossível deixar de perceber estes milagres que nos rodeiam todos os dias de nossas vidas, sem a devida atenção e reconhecimento. Inestimável tesouro dado pela vida. A chave que abre o portal para este mundo é a sensibilidade e está guardada dentro de nós. É somente abri-lo!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Eu, vinho e Milles Davis

Algumas vezes faço-me a delicadeza de convidar-me a usufruir da companhia de mim mesmo, abro uma garrafa de vinho e sorvo-a sem presa enquanto ouço Milles Davis no aparelho de som. Nestas horas de intimiade somos suficientes, eu, minhas viagens pessoais, o vinho e o som de Milles.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Transição necessaria.

Devo apenas lamentar a estranheza das pessoas diante das mudanças que sofri nos últimos meses, pois acredito ter sido para melhor. Buscava outras coisas que acreditava ser verdadeiras antes da surpresa de estar errado. Acertos nos deixam seguros e orgulhosos, mas erros, estes nos tornam mais fortes e esperançosos, nos instiga á buscar o que talvez sejam valiosos a o nosso crescimento interior. Hoje não tenho tempo para ensaios, divagações e espectativas infundadas, descubro que é na simplicidade que encontramos respostas à complexidade das estruturas que nós mesmos criamos e nos perdemos. Preciso ir atrás do que é urgente em minha vida, em busca daquilo que pensava não mais existir em mim, mas descobri estar apenas adormecido. Perdi-me em atalhos que eu mesmo criei para chegar mais rápido a o nada, a constatação de incertezas que se repetiram ano após ano e levaram-me a o silencio da dúvida que massacra, que estanca. Preciso viver meu próprio conceito de liberdade, de felicidade.
O que posso oferecer agora, neste momento, é somente um pedaço de chocolate do tipo meio amargo que estou mordendo e que derrete entre meus dedos, transformando-se numa espessa pasta negra e adocicada, maravilhosa de ser lambida com vontade.
Nesta ultima semana, tenho trabalhado muito e dormido pouco. A verdade é que quando tenho a oportunidade de ficar até mais tarde na cama, não consigo, levanto-me agitado e com dor no corpo. Brinco às vezes, por não saber se é culpa da idade, do stresse do trabalho ou as molas do colchão vencido. Durante à noite me debato com pesadelos e sonhos que chamaria de estranhos e sem explicações. Também me pergunto por que buscamos explicações para os sonhos?
Já não temos com o que nos preocupar em nossas vidas?

Por mais que já tenha lido informações cientificas sobre eles (sonhos), termino cedendo as explanações misticas que os ditos populares inventam, fazendo-me ficar em alerta e temeroso com o que possa vir.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Asa quebrada.

Hoje, no terminal de ônibus Pártenon onde fica a ambulância que trabalho, eu e meu colega observávamos uma pomba cinza caminhar entre os pedestres que por ali passavam. Ela driblava entre as pessoas, meio assustada e de vez em quando parava para observar outra pomba pousada sobre o telhado. De vez em quando, forçava um impulso para levantar vôo, porém não conseguia. Uma das asas estava caída e então concluímos que deveria estar quebrada. Correu por longos minutos e por fim parou, escondendo-se atrás de um pilar exausta, e assustada. Pensei no que poderia ter-lhe acontecido. Caiu do telhado? Pombas não caem de telados nem quando dormem, talvez atacada por algum felino, um cão vira-latas, ou um garoto de bodoque e mira certeira!
Meu colega falou em seguida que ela teria poucas chances de sobrevivência, pois sem voar ficaria indefesa e logo morreria. Depois recebi uma mensagem em meu celular que me deixou angustiado e introspectivo. Mensagens me causam as vezes estes impasses!, por terem frases curtas e pontuações deficientes!.. Fiquei pensativo, observando os movimentos da ave. Ridiculamente comparei minhas verdades e sonhos do passado com aquela asa de pomba que fora quebrada e arrastava-se pelo chão de basalto sujo onde tatas pessoas passavam deslocando-se aos seus destinos. Identificava-me com os movimentos incertos e circulares da ave que ora esforçava-se para alçar vôo para a liberdade, sem nada conseguir. Movimentos indecisos de vai e vem, num zig- zag nervosos na conquista do impossível. Então abri meus olhos, respirei fundo refazendo-me depressa. Conclui finalmente que ao contrario das pombas, que precisam de um par de asas para voar, eu não necessitava de nenhuma para navegar em meus sonhos e no que acredito ser liberdade. Só descobri isto quando tardiamente uma de minhas asas foi quebrada.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Atitudes descriminatórias

Ontem a noite no supermercado Big de Viamão, me aproximei do balcão de defumados para comprar bacon e tentei a custo de grande paciência ser atendido por uma senhora funcionaria que absolutamente mostrava-se com dificuldades para exercer sua função de vendedora no supermercado. Digo que tentei ser atendido, por que a forma como a funcionaria veio até mim para saber oque eu queria não era de maneira alguma um atendimento digno a um cliente. Primeiro, por que se posicionou do meu lado sem ao menos olhar para o meu rosto e quando o fez tinha um olhar que transparecia qualquer coisa do tipo descriminatória...Em nenhum momento me perguntou oque eu queria e quando lhe pedia informações sobre o preço de algum produto respondia baixo e olhava para o chão ou para os lados dando a sensação de que eu era um objetos qualquer, do qual ela já estava cansada de ver plantado naquele canto e qualquer outra coisa no supermercado precisava mais da sua atenção do que eu. Em alguns instantes pensei e revisei minha conduta diante dela, calado e sem deixar transparecer: talvez estivesse sendo de alguma forma inoportuno sem me perceber ou que talvez ela estivesse agindo daquela maneira por eu ter traços e origem claramente negra ou usar os cabelo grandes e propositalmente desalinhados. Não sei!
Pensei também que ela usava os cabelos presos atrás da cabeça em forma de coque, talvés por exigencia do supermercado, como aquelas pessoas que são de alguma religião evangélica, do qual respeito, mas não gosto da forma como se vestem e arrumam seus cabelos e nem por isto à tratei com descriminação e falta de educação. Provavelmente estava ali, por que precisa de seu emprego tanto quanto eu do meu e tantos outros brasileiros dos seus.
Bom a verdade é que comprei meu bacon e sai dali rapidamente, tentando esquecer o ocorrido. Já dentro do carro fiquei argumentando comigo mesmo que talvez devesse afronta-la, impor meus direitos como cliente, como cidadão, ou adverti-la sobre sua falta de atenção para com as pessoas, sobre descriminações etc, etc.. como eu normalmente o faria nestas situações, mas não quis, acho que estava tão bem comigo mesmo que perdoei-a e livrei-a do embaraço de se justificar. Fui-me embora sem culpa, mas consciente de que não se deve calar diante de agressões como estas.

Paixões invisíveis

A paixão te surpreende, vem ao teu encontro às vezes sem formas definidas e por caminhos inexplicáveis, e de difícil entendimento...

Um amigo, disse-me certa vez que se apaixonou estranhamente por passos que ouvia e achava ser de uma mulher do apartamento de cima do seu. Eram passos delicados e a partir disto, conseguia imaginar os movimentos doces e sedutores de uma mulher que ele jamais viu, mas conseguia construir sua forma física e movimentos gestuais, apenas no seu imaginário. Em alguns momentos até conseguia ouvir também a sua voz, mas não era isto que o fascinava, que tirava seu fôlego, sua atenção de qualquer coisa que pudesse estar fazendo no momento, era o ruido do sapato, do salto fino e alto que atritava, martelava no chão, no teto, sobre sua cabeça criando uma atmosfera de prazer e sedução secreta. Confessou-me até momentos de intimidades!.. Meses depois, quando conheceu Andréa, lastimou a traição que fizera a sua paixão invisível e aos poucos deixou de ouvir aqueles benditos passos que por meses o envolveu e nunca conheceu a quem pertencia.
Quando ele me contou esta história de sua vida, viajei no passado e lembrei-me de minhas paixões secretas, algumas delas imaginarias. E quem não as teve por mais ridícula que possa ser?
Estes sonhos incomuns que criamos e alimentamos, parecendo fora da ordem do normal , estes mecanismos complexos em prol de nossas buscas pessoais, nossas afirmações como gente que somos, deve nos garantir a certeza de que estamos vivos e precisamos disto para garantir quem sabe nossa sanidade nossa auto-estima.

domingo, 21 de setembro de 2008

Meu encontro com as Divindades da Natureza

Neste fim de semana, conheci uma família incrível, não só pela sua alegria de viver, simpatia e hospitalidade, mas também por seu respeito à vida e a natureza. Adeptos ao Xamãnismo há algum tempo, começaram a praticar e divulgar as práticas Xamãnicas entre amigos e pessoas que procuram de alguma forma interagir com a natureza e seus fenômenos de ordem espirituais que influenciam e ordenam nossas vidas no plano espiritual. Os rituais Xamãnicos fornecem-nos um aumento gradativo de nossa percepção acerca de nós mesmos e do Universo em que estamos inseridos, assim como também proporciona a auto-cura de nossas consciências e padrões negativos de comportamentos que adquirimos no caminhar da vida. Dona Maria Aleti (dona Arlete), seu filho Júlio César Ponciano e Carlos Alberto de Castro Peixoto (Sr. Castro) são os responsáveis pelos encontros, realizados em sua casa de campo em São Francisco de Paula, na serra gaucha.
Segundo Sr. Castro, o Xamanismo é uma prática exotérica e não dogmática diferenciando-se das demais por exercer a cura do corpo físico e espiritual e elevação espiritual. Elevação espiritual tanto do terreno como do espirito desencarnado.
Dirigido por uma entidade espiritual, o Mestre Pena branca que está num trabalho de união entre os povos na ordem espiritual. Trabalham com elementos: Terra, Ar, Fogo, Aguá, e o quinto elemento Éter, que chamam de energia pura.
O Trabalho ocorre uma vez por mês (trabalho de lua cheia) por que neste momento as energias são mais fluídicas facilitando o contato com esses elementosSobre o ritual:
  • Dança xamã: Visa a transformação das energias densas em energias sutis. Através da dança em uma roda e em sentido horário para possibilitar a circulação da energia em forma de cone, são manipuladas as energias intra-terrenas ou telúrica e a energia da natureza através de entidades espirituais. Ocorre também a abertura do portal ( canal de ligação com o astral) A o dançarmos na roda, entramos em contato com o nosso Eu Profundo e possibilitando também achar o próprio caminho de auto-conhecimento, permitindo às forças cósmicas naturais, harmonizarem-se dentro de nós mesmos, melhorando e atingindo satisfação em nossas vidas. A Roda simboliza todos os ciclos da vida, é o Caminho Sagrado, nos religa com nossos ancestrais e com Todas as Nossas Relações. A Roda, não representa apenas o Pequeno Universo Individual de nossa própria vida, mas : A Mente Universal, O grande Espírito, O Criador.
  • Orações e cantos indígenas(Mantras): Com o objetivo de celebração às divindades e a natureza
  • Ritual do vinho: Neste ritual, as pessoas registram sua participação e identificação no plano astral e ganhando graças ou bônus. Cada participante identifica-se dizendo seu nome completo, data de nascimento, e endereço.

  • Ritual da Consagração de objetos: Os objetos pessoais dos participantes são abençoados pelo calor do fogo e assim tornando-se uma especie de amuleto de orientação espiritual e sorte.

  • Ritual do Cachimbo: Ao fumar o Cachimbo, é de suprema importância que cada pitada de tabaco colocada no fornilho seja fumada. Cada floco de tabaco assumiu um espírito em seu corpo e é honrado como sendo a essência de Todos os Nossos Parentes em sua forma. Se o fogo, que é parte da Eterna Chama da Vida, não toca nem incendeia o tabaco, o espírito que está lá dentro não pode ser libertado em fumaça. Se a fumaça não é aspirada pelo corpo, os espíritos de Nossos Parentes e de nossos Ancestrais não podem entrar em comunhão conosco. A fumaça que sai do Cachimbo representa prece visualizada e nos lembra do espírito presente em todas as coisas. Compreendemos que toda a vida provém do Grande Mistério e retornará a essa fonte original. Graças à essa compreensão, sabemos que estamos todos juntos seguindo o mesmo trajeto, caminhando juntos em cada parte do Elo Sagrado ou da Roda da Vida.
  • Cerimonia do Pau Falante: Trata-se de um pedaço de pau consagrado para que se apresente o "Sagrado Ponto de Vista "Neste ritual não pode ser utilizada nenhuma palavra que não represente a verdade. Só fala quem estiver com o pau-falante na mão, os demais permanecem em silêncio . É uma forma de honrar a sabedoria dos outros.
Deste passeio, retornei para casa sentindo-me diferente, mais leve, mais crente nas possibilidades de melhora da vida, das pessoas com quem convivo, do nosso futuro!.. Voltei mais Feliz.

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