segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Ecce Homo - Nietzsche muito além da Filosofia

Sobre a ponte eu estava, Há dias, na noite cinzenta Ao longe ouvi uma canção: Ela pingava gotas de ouro. Pela superfície trêmula Gôndolas, luzes, música - Ébria ela nadou para a escuridão... Minha alma, um alaúde, cantou a si, invisível e ferida, uma canção veneziana, e segredou, trêmula de ventura colorida. Será que alguém a escutou?

domingo, 30 de dezembro de 2007

fragmentos

Cortaram-me em tantos pedaços que já não tenho voz.
Não tenho passos, não tenho expressão.
Respiro silencio, resignação.
Proibiram-me de tudo, quase tudo, menos pensar, menos viver.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Subterfúgios

Desde pequeno sou assim, do tipo que inventa,
que cria subterfúgios sutis.
As vezes pacato, as vezes explosão.
Carrego marcas comigo,
pedras em meus bolsos,
mijada na cara e sombras que assustam.
Me escondo em porões escuros sob cantos de corujas.
As vezes vôo, perdido e sem direção.

A chuva

Depois de uma tarde quente, na capital, o céu pareceu desabar em trovoadas e chuva forte. Eram quase cinco horas da tarde quando começou e não parou mais. Sentei-me dentro da ambulância e começei a observar as pessoas que passavam na rua com seus trajes de verão, apresadas, fugindo da chuva, rostos molhados, almas lavadas como presente de Deus.
Quis estar entre elas, fugitivas, preocupadas. Totalmente encharcadas, desprotegidas de si mesmas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O vagante

Hoje soube da história de um morador de rua que escolheu por esta vida após uma grande decepção amorosa. Tinha se formado em direito e estava prestes a casar-se, quando encontrou sua noiva com outro homem. Contam que depois de agredir o amante de sua noiva ele teve um surto psicótico do qual nunca mais se recuperou. Abandonou sua família e seu futuro como advogado para viver desleixado, fazendo caminhadas intermináveis pelas ruas a procurara de si mesmo. Vi-o passar pela rua um dia desses. Homem negro, alto, cabelos longos, com tranças sobre a nuca, tipo jamaicano. Traços delicados porem com um olhar distante, vago enquanto colhia pedrinhas no meio da rua.
Fiquei algumas horas com esta história na cabeça e não pude deixar de me perguntar se uma decepção amorosa é capaz de causar tamanho estrago na vida de uma pessoa.

Por que idealizamos castelos que nos soterram de uma hora para outra?
Por que sofremos tanto quando eles desmoronam a ponto de não nos recuperarmos mais?

Alguém disse-me uma vez que construímos nossa própria cruz!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Respostas em Ortdoor

Hoje de manhã quando acordei, surpresa: Dia bonito, combinação perfeita de sol e brisa, com aquele arzinho primaveril necessário...
Num dado momento percebi que precisava de respostas, não as coerentes, as automáticas em seus kits pré elaboradas, estudados. Mas as do tipo visceral, em forma de gestos que me arrebatasse de verdade, que me arrepiassem os pelos dos braços, que alterasse a força da gravidade e toda a rota do planeta. Que evento!
Pensei nestas respostas sendo publicadas em ortdoor por toda a cidade com suas letras gigantes, expostas pelos caminhos que habitualmente faço, chamando-me a atenção e a de todos que por ali passassem.
Seria isto possível?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Bebe de Rosemary "15 anos"



Por falar em Natal, festas etc. e tal, hoje minha sobrinha Bebe de Rosemary comemora seus quinze anos de nascimento. Você deve estar se perguntando:
Como, como é o nome dela, Bebe de Rosemery? A verdade é que é um apelido carinhoso que dei a ela, quando nasceu prematura, por ser franzina e pálida. Lembrança do filme de Roman Polanski. Afinal tenho mania de dar apelidos a todos os meus sobrinhos e alguns com referências a filmes que vi no passado!
Com a Bebe, por tanto, não foi diferente. Mesmo chamando-se Natalia, nome de batismo, ainda persisto no apelido, que provavelmente á acompanhara até os cem anos de idade, ou quando eu não estiver mais por aqui!


24 de dezembro.

Enfim... Inevitavelmente hoje é 24 de dezembro, véspera de Natal. Digo isto por que não se pode antecipar ou prorrogar o tempo. Ele simplesmente anda e se bobear você fica no cais a ver navios partirem levando seus sonhos de arrasto. Vou passar esta noite entre meus familiares mastigando coxas de frango assado e salpicão com uma prometida cerveja bem gelada. Acho que preferiria um caldinho de ervilhas bem leve. O famoso churrasco ficou marcado para o almoço de amanhã que infelizmente não participarei porque tenho de trabalhar. Lembrei que este ano não montamos arvore de Natal, apenas discretos adornos na porta de entrada e na lareira lembrada apenas no inverno. Será que o espírito natalino está morrendo por aqui?

sábado, 22 de dezembro de 2007

A noite da Embrocação



Certa noite chegou na sala de emergência-2, um jovem com ferimentos abrasivos no rosto, braços e tórax, ocasionado por agressões em uma tentativa de assalto. Depois de deitar na maca e seus ferimentos serem avaliados pelo médico de plantão, perguntou-nos preocupado:
-Será que vou ficar com cicatrizes pelo rosto?
-Não, as feridas são superficiais!- respondeu um dos colegas, aproximando uma mesa auxiliar para iniciar a desinfecção dos ferimentos.
-Então o que vão fazer em mim?- Perguntou preocupado.
-Somente uma *embrocação de rotina!- respondeu o colega.
O paciente levantou-se da maca com expressão de pavor e correu para a porta de saída gritando em seguida:
-Ninguém vai me furar com broca, não vão mesmo!
Esta história ficou conhecida por nós do plantão, da sala de emergência 2 no HPS-Poa, como "A noite da embrocação".


*embrocação:
É a aplicação de substancias anti-infecciosas (líquidos), em ferimentos com a finalidade de limpar, desinfetar feridas, com fim profilático.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Novas ambulâncias para o SAMU?



A rádio Fofoca-corredor do HPS estava comentando hoje, que foram compradas pelo Ministério da Saúde, mais oito ambulâncias para o SAMU de Porto Alegre, com a intenção de promover a abertura de mais três bases de atendimento na capital. Duas ambulâncias seriam medicalizadas ou como preferirem ASA- ambulância de suporte avançado. Parece que o entrave surgiu em onde instalar as bases novas e os recursos humanos já a muito tempo escasso no hospital. Será que é verdade ou é somente conversas pra boi dormir e socorrístas sonharem?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Histórias de Pronto Socorro!



Uma senhora muito nervosa entrou na sala de emergência-6 enquanto empurrava seu pai numa cadeira de rodas fazendo toda a equipe de plantão se mobilizar. Era um senhor idoso de cabelos grisalhos e parecia realmente estar debilitado. Quando o médico solicitou para que ela fizesse o boletim de atendimento, se posicionou agressivamente para toda a equipe presente.
-Não vou fazer coisa alguma enquanto vocês não atenderem meu pai!- Disse gritando
-Sim ele será atendido, mas para isso precisa que seja feito o boletim- Respondeu o médico com tranqüilidade.
-Daqui eu não saio enquanto vocês não fizerem alguma coisa por ele!- gritou a mulher já em prantos.
-O que aconteceu a ele?- perguntou alguém da equipe, puxando a cadeira com o paciente até a maca mais próxima.
-Ele já teve isto antes, há alguns anos a traz... Quase morreu!-Respondeu a mulher, tentando refazer-se simultaneamente da sua ira.
-O médico dele me disse que quando acontecesse de novo era para procurar rapidamente uma emergência!- Disse com a voz mais branda.
-Acho que é um AVC hidráulico!- concluiu trêmula e temerosa de dar um diagnóstico errado.

Outra de Pronto Socorro, podem acreditar!

Era madrugada quando ele chegou na porta da emergência acompanhado por sua mãe. Corpo possante, voz grossa e meio infantil. Se percebia de longe que tinha algum retardo mental. A mãe, já idosa com cabelos brancos, logo que entrou na sala esticou o braço entregando-nos o boletim de atendimento.
-Oh Trouxe este traste que só me dá trabalho, para vocês darem um jeito!- disse enraivecida.-
-Mas o que houve?- perguntou o médico plantonista.
Os dois silenciaram-se olhando para o médico e para mim e depois a senhora voltou a falar.
-Olha doutor este traste engoliu um garfo!
-Um garfo? Como pode alguém engolir um garfo?-disse o médico mais que surpreso.
-Não sei doutor, mas com meu filho tudo é possível!- respondeu a senhora envergonhada.
-Então...- completou o médico enquanto solicitava exames no boletim -Leva-o no RX e depois me traga para avaliar.
Passado alguns minutos , a senhora retornou ao lado do filho com o exame na mão. Entregou para o médico que se surpreendeu com a foto do garfo no estômago do paciente.
-Nossa! Que horas ele engoliu o objeto?- perguntou o médico abismado com toda aquela história e a imagem na radiografia.
-Antes de ontem. Não é filho?- perguntou a senhora com ar de preocupação.
-Certo, ele terá de ficar aqui no hospital em observação até que se decida o que será feito!-concluiu o médico.
-Não precisa doutor!- interferiu o paciente orgulhoso.
-Já tô acostumado!.. Já engoli pregos, tampinhas de garrafas e outras coisas que não me lembro. Com o garfo ganhei dez reais na aposta!

Plantão Mental


Certo dia, resolvi não ir trabalhar. Estava chateado com a vida, com a rotina do Pronto Socorro, com a cara mal humorada dos colegas e simplesmente me neguei a ir. Quando o despertador tocou de manhã, desativei-o enrraivecidamente, virei-me para o outro lado da cama e tentei esticar meu sono. Dormi e sonhei que estava sentado numa UTI a o lado de um senhor em coma e que minha função era controlar sua medicação colocada num frasco de soro. Tinha que administrar minuciosamente aquelas gotas para que não pingasse nem a mais nem a menos que o prescrito pelo médico. À medida que as horas passavam e eu ficando cansado da vigília, mais frascos de soro iam sendo colocados em seus braços para que eu cuidasse. Cheguei a contar dez frascos, pingando desenfreadamente sem que eu pudesse ter o controle da situação. Quando acordei, em cima da cama, suava frio e meu corpo doía. A o levantar-me senti que ainda contava mentalmente aquelas gotas de soro. Que plantão cansativo!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ontem recebi um e'mail de um blogueiro que visitei na internet. Legal o cara ter me mandado um recado agradecendo minha visita e o comentário que fiz. Acho bacana essas iniciativas cordiais que diminuem as distancias aproximando as pessoas e suas idéias. legal mesmo!

O silêncio fala mais!

Desabafo.


Sete e meia da manhã. Tenho levantado cedo, nestes dias que não tenho plantão, por força do habito e não tenho feito minhas caminhadas matinais. Sei que sairei no prejuízo se parar de faze-las por desculpas relevantes. E desculpas é o que mais encontramos nestas horas em que queremos deixar o cérebro de molho, os pés pra cima em devoção ao marasmo. Estas caminhadas além de possibilitar dias mais saudáveis te obriga buscar novos olhares à vida.
Meu filho vai dormir até mais tarde. E digo,bem mais tarde se o conheço. sábado e domingo não foram suficientes para ele. Afinal madrugadas na internet, MSN, Orkut também cansam. Final de aulas, inicio de férias, incerteza da aprovação no ano letivo. Não demora começam outras queixas. Não tem nada pra se fazer nesta casa! Que saco mesmo!
Bom tenho uma série de coisas para fazer hoje. No mínimo uns seis compromissos gravados na agenda mental, e outros tenho ainda que ler.

domingo, 16 de dezembro de 2007

!!100 anos!!

Ontem a noite quando assisti o programa Altas Horas na Tv Globo e colocaram no ar imagens onde Sérginho Groisman entrevista Oscar Niemeyer, uma espécie de inveja bateu em mim. Tratava-se da uma matéria sobre os cem anos de vida do arquiteto. Sem entrar nos parâmetros históricos de suas obras e sua evidente importancia, me surpreendi por sua lucidez e sensibilidade de ver o mundo e sua evolução não só no terreno da arquitetura. Niemeyer é desses homens que duelam com as curvas milenares do tempo, não só em vitalidade, mas em visão particularmente artística, beirando genialidade. Um homem que com certeza será inesquecível não só pelo que projetou em concreto, mas o que eternizou em nossa cultura.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Bruxas

Não sei muita coisa sobre bruxas e também não acredito que fazem o tipo nariz pontudo, cara enrugada destilando maldades por ai. Mas acredito na sua existência e de uma forma bem pessoal. Não sei se com o passar dos anos foram se modificando, se atualizando, se modernizando, mas sei que decididamente estão por ai entre nós disfarçados de pessoas comuns. Usando aparelhos dentários, guiando não vassouras, mas caros, batendo cartão ponto para sobreviver e ainda criando filhos. Que eu me lembre devo ter cruzado com alguma delas em seus disfarces de mulher normal, por ordem da sobrevivência. Reclamando de trabalhos árduos, das dificuldades de educar e até mesmo da solidão. São seres inteligentes e de sensibilidade ímpar. Vagam entre nós, as vezes de cabeça baixa e sorriso amarelo. Contam estórias que ninguém quer ouvir e se disfarçam nas sombras do anonimato. Lêem livros , entram nas universidades e se emocionam com finais de novelas. São paradoxais, temperamentais, emotivas e feiticeiras. Predestinadas a amar, sofrerem e não serem reconhecidas.

Hoje no Pronto Socorro, falando com o Rodrigão ele me reforçou a idéia interessante de criar uma pagina ou um blog comunitário para que os colegas do SAMU pudessem postar algumas idéias, discutir situações, enfim..Interagirem-se.
Acho legal essas iniciativas que valorizam as pessoas e seus interesses comuns estimulando inclusive seus vínculos profissionais.
Acho que devemos pensar nisto e amadurecer esta idéia.

O pardal manco

Hoje de manhã quando cheguei para trabalhar, notei que o lugar tinha ares diferentes. Não sei bem o que era, e o que havia mudado, mas tinha diferença dos outros dias. Tem momentos que isto acontece, não me perguntem como. Era manhã de sol, poucas pessoas na rua, nenhum carro trafegando, passarinhos cantando. Anunciação de novos tempos?..
Por falar em passarinhos, devo contar que tem um pardal manco vivendo nas redondezas da base onde trabalho e que ja se tornou membro da equipe. Ele passeia todas as manhãs dentro de casa e entre nós sem o menor constrangimento em busca de farelos e insetos no chão. Lembro que este pardal foi atendido por algum colega quando caiu do ninho, ja adulto, e machucou uma das perninhas. Numa manhã quando cheguei ele tinha uma imobilização feita com palitos de fósforos e um pedaço de esparadrapo. Acho que ele não esqueceu disto.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Homens adimiraveis

Do que se compõe a elegância em um homem, me perguntei esses dias.

Seu corpo, seu gosto pessoal em se vestir, sua colônia pós-barba? Acho que não! Elegância não tem nada a ver com a beleza física ou acessórios de guarda- roupas, mas algo além. Alguma coisa que transcende a banalidade da estética e seus fricotes sociais. Alguma coisa que culmina do seu interior como individuo, como pessoa na sua mais ampla condição.

Amante, amigo leal, pai presente e ai se vão. Algo a ver com postura e suas atitudes diante das sinuosidades da vida e suas armadilhas. Algumas pessoas me passam esta idéia através de suas maneiras, sua serenidade e simplicidade de se relacionar, de interagem com o mundo sem contaminar sua dignidade. São elegantemente humanos.

Suicídio entre irmãos

Pense numa coisa, que você sabe que pode fazer mal a sua saúde, mas que quando colocam na sua frente, simplesmente não dá para resistir. Pensou? Então você não para mais de comer até ficar estufado, com náuseas e muita, muita culpa.

Primeiro voce começa educadamente, depois disfarçadamente e logo sem a minima vergonha na cara, esquece de tudo e manda vê. Hoje aconteceu comigo.
Minha irmã, que eu apelidei de Tadeu por causa do seu corte de cabelo e é meia fissuradinha nestes venenos lícitos, comprou um saco de torresmo, acho que de porco, sequinho e começamos a comer enquanto falávamos da vida alheia e contávamos piadas sem graça. Teve um momento em que nos olhamos com ar desafiador e começamos a disputar quem enchia a mão mais rápido na embalagem e colocava na boca. Começamos a rir compulsivamente, talvez um da cara do outro, como dois loucos até não sobrar nenhum farelo.

Da próxima vez quero tentar com um frango assado, destes de forno elétrico que vendem nas portas de padaria...Cheirosos e engordurados, se não a bricadeira do suicídio coletivo não tem graça!

Meu Jardim


Num pequeno espaço, nos fundos do meu pátio, criei um jardim onde as vezes sento para conversar com a natureza. Gosto desta convivência, deste cheiro de verde, destas variadas cores que ainda temos de graça e pouco valorizamos.

Uma linguagem do amor

"Quando ela atirou a aliança contra mim e saiu, cega de raiva, batendo a porta da casa, ficou evidente que nosso problema era seríssimo. A aliança ficou no mesmo lugar onde foi jogada durante dois dias, porque eu não me abaixei para pega-la. Quando finalmente a apanhei, chorei convulsivamente."

*texto retirado do livro:
As cinco linguagens do amor_ Gary Chapman
Noite passada, meu telefone celular tocou e eu não quis atender. Achei que era muito tarde e não estava disposto a conversar com quem quer que fosse aquela hora da noite. Depois fiquei pensando: E se for alguma coisa importante... Alguém pedindo ajuda... Alguma noticia trágica... E eu simplesmente não atendi por pura preguiça ou mal humor. Tive um sono agitado, talvez me sentindo culpado pela minha intransigência!

Puxando da memória

Lembrar da minha infância é também lembrar do Dino. Velho mulato que fazia batida de samba com a ponta dos dedos numa caixinha de fósforos. Chapéu de aba curta, calça comprida e um par de sapatos pretos que parecia nunca tirar dos pés.
Minha mãe conta que ele tinha uma ferida no pé que nunca cicatrizou provocada pela roda do bonde, quando ainda era jovem.
Sentava num banco de madeira, na calçada, todas as tardes e cantava trechos de musicas que nunca esqueci:
"Oh linda imagem de mulher que me seduz!.."
Ria e contava histórias que na época eu achava que eram mentiras.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Celulares

Meu colega de trabalho trocou de celular e passou quase todo o plantão mexendo naquela geringonça, na descoberta de todas as funções mágicas que o aparelho podia lhe oferecer.
Fiquei olhando enquanto ele apertava as teclas luminosas e torcia o canto da boca em sua expressão de curiosidade, alterando sons, fundo de telas, etc.. Fiquei pensando no encantamento que este objeto eletrônico provoca nas pessoas. Algumas chegam a ficarem mudas cegas e surdas quando entretidas naqueles joguinhos barulhentos e idiotas.
Conheço algumas pessoas que trocam de celular a cada dois, três meses, quando surge um novo modelo nas prateleiras das lojas, nos encartes de jornais
.
Nova tecnologia e
designer! Anunciam. Tira fotos com 5.2 megapixels! Filma até 2 horas sem perder qualidade!
Sem desmerecimento da importância dessas caixinhas de comunicação que facilitam nossa vida, a verdade é que tenho horror a estes recursos milagrosos que pouco uso e só geram despesas. Celular é um aparelho de comunicação para se falar com pessoas e pra mim basta. Tantos recursos assim, eu acho que só serve para encher morcelas da nossa vaidade. As crianças são ainda mais surpreendentes, não pedem mais brinquedos como carrinhos, bonecas, pois o top de consumo infantil é celular se possível que tirem fotos. Sem falar na sua influencia sobre os valores sociais. Quanto mais compacto e tecnologia apresentar mais poderoso e rico é seu proprietário.
Aquela frase que dizia: "Se conhece o homem pelo seu caráter". Deve ter mudado para: "Se conhece o homem pelo seu celular".

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Feridas que não cicatrizam


Existem feridas que insistem em se abrirem, quando menos esperamos não é mesmo? Quando pensamos estar curados, volta a nos incomodar, causando aquela velha sensação de desconforto e impotência.
Pensamos já ter usado todos os antídotos para resolver-mos o problema e sem mais nem menos reaparece, soberana pesando em nossas cabeças, responsabilizando-nos pelo tratamento errado e conferindo-nos culpa.

A culpa, esta é pior, se relaxar-mos, nos arrasta para a UTI e aí só Deus sabe se teremos alta.
O jeito é ter paciência e procurar novos caminhos, novas técnicas para sarar-mos de vez sem palhativos. Saber que pra tudo tem solução em nossas vidas, se possível com menos sofrimento.

luis fonte: Vivendo e aprendendo!

MUDE...MAS MUDE MESMO


Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama. Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de carro. Compre novos óculos.
Escreva outras poesias.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude. Você precisa mudar
Lembre-se de que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!
Repito, por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!

Edson Marques

luis fonte: Vivendo e aprendendo!

Impressão facial


Tem traços faciais que sugerem um nome, concordam comigo? Quero dizer que algumas pessoas parecem trazer imprimidas no rosto um determinado nome que não é o seu. Como se já nascesse com ele, independente do escolhido por seus pais.
Por exemplo: Já olhou para uma pessoa que você não conhece e pensou, esse sujeito tem cara de Paulo, quando na verdade se chama Francisco?
Dia desses mandei colocar um alarme no meu carro e fui atendido por um funcionário muito atencioso que se chamava Leonardo. Mesmo me dizendo seu nome, quando perguntei, olhava para o seu físico franzino e miúdo, seus olhos arregalados, e quase infantis eu tinha a sensação de que se chamava Zezinho. Algumas vezes até me referi a ele por este nome.
Olhando uma foto de minha irmã sentada a mesa com cigarro entre os dedos, óculos na cara, olhar rude, cabelo curto quase masculino pensei logo: "cara de Tadeu!" Mais tarde disse pra ela e a pegação de pé foi geral. Adicionei sua foto no meu Orkut com o nome de Tadeu.
Isto tudo parece loucura, mas trocaria o nome de muita gente que conheço, com raras exceções, por estes nomes que são quase impressões digitais impressos na cara, escolhido não por seus pais, mas por traços, marcas personais esculpidas pela vida.

Dias de outono


Gosto de dias como foi o de ontem, parecia Outono se não fosse dezembro. O vento batendo na cara, as árvores em movimento como se estivessem dançando balé.
Alguma coisa que não lembro, deve ter marcado minha vida, num dia como este, por que me transporto para outros tempos, outros momentos que não consigo identificar com certeza...
Pandorgas içadas a o vento, as vezes morta entre fios de alta tensão. Pernas de pau, pé de lata, pião girando na palma da mão...

Café da tarde


Minha mãe gostava de fazer polenta doce, para comer com café a tarde. Alguém ja provou?
Pra mim era um feito mágico!
Ela colocava a farinha de milho com açúcar na panela de ferro e ficava mexendo com a colher de pau até tudo se transformar... O amarelo da farinha a os poucos virava num marrom dourado, com aquele cheirinho de cravo e manteiga que se derretia.
As pequenas brigas entre irmãos concorrendo pelo maior pedaço, e o café preto eram apenas complemento daquelas tardes felizes em que o relógio parava.

Receita:
02- xícaras de farinha de milho média.
01- xícara de açúcar.
05- cravos.
01- casca de canela.
01- colher de manteiga.
leite fervente até chegar ao ponto.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O Preço do cantinho de Paz


Nestes dias de calor nada melhor do que uma cerveja estupidamente gelada para se refrescar e tentar esquecer-se do roubo que legalmente te aplicam. Foi o que fiz hoje depois de idas e vindas por imobiliárias da cidade na investigação de preços de aluguéis de imóveis, que, diga-se de passagem, está um absurdo de caro. Apartamentos de um quarto, por exemplo, não se encontra por menos de 380,00 reis mais taxas de condomínio que variam entre 100,00 a 200,00 reais. Quando não tem estacionamento próprio então você marcha com mais 80,00 reais. O aluguel então fica ao preço final por 560,00 reais mensais.
Passado o susto, você entra na fase da humilhação de ter que pedir que alguém lhe sirva de fiador, cuja exigência é possuir dois imóveis quitados e registrados no cartório de imóveis e na localidade onde você vai tentar locar.
Caso você não queira incomodar familiares, ou perder amigos com o risco de um não na sua cara é bom partir para o seguro fiança, oferecido por uma empresa particular de seguros que te cobra nada menos do que 150% do valor do aluguel mais taxas de condomínio anualmente. Ou seja, a cada ano você tem uma divida a mais de 840,00 reais do qual nunca mais verá a cor deste dinheiro pago, por que é apenas um seguro e seguro morre de velho matando quem o desembolsa.
No final de cada ano você pagou nada menos do que 7.560,00 para ter o seu cantinho de paz.

As Cinco linguagens do Amor

Ganhei de presente um livro para me entreter chamado 'As cinco linguagens do Amor- de Gary Chapman'. Ainda não o li propriamente dito, por que estou na fase que eu chamo de investigação, onde eu pego o livro e tento descobrir seu peso e numero de paginas. leio contra capa, sumário, agradecimentos e a partir daí, pré estabeleço se vou gostar ou não. Deve ser um livro de auto-ajuda. Não sei. O autor fala que a o contrario do que se pensa o amor não tem apenas uma linguagem universal para ser expressado, mas muitas, do qual ele identificou cinco delas:
1-Palavras de afirmação,
2-tempo de qualidade,
3-presentes,
4-atos de serviço,
5-toque físico.
Essas cinco linguagens do amor mostram, segundo ele, por que só nos sentimos realmente amados e compreendidos quando a outra pessoa que compartilhamos nosso sentimento, expressa seu amor através de uma linguagem que aprendemos na infância, chamada linguagem única.
Este livro, ganhei de uma amiga, durante o período de minha separação. Talvez ajudasse se não tivesse chegado em minhas mãos, depois da decisão.
De qualquer forma vou ler e depois conto o que achei!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Cuxilada, quem não tira?

Hoje, domingo quando fui trabalhar estava imprestável. Tinha ido a uma festa no sábado á noite (aniversário da colega Dirlene) e só saí de la para passar em casa tomar um banho e correr pro trabalho. Não tive sorte, foi um plantão agitado com diversas intercorrencias.
Não aguentava o peso dos olhos.
Cuxilava descaradamente a cada retorno para a base. Mas valeu a pena, a festa estava muito boa, na beira da piscina, com musica a o vivo e gente conhecida.
Desta vez fiz diferente, sentei a mesa com pessoas que já vi em outros ambientes mas pouco conhecia.
Precisava de papo novo...
...piadas novas e mentiras novas...

Vivendo e aprendendo!


A mudança em minha vida veio assim, como comida exótica banhada em molho diferente, nunca experimentado. Colocada na boca em pequenas doses, silenciosa, sem cobranças mas embalado em olhares de insatisfação.
Sabia que tinha de experimentar esta mudança solitária, pois bateria na porta de minha alma a qualquer instante. Demorou dias , meses, anos, mas bateu e foi recebida por mim com surpresa.
Não pensei em abrir mão do que achava ser o caminho certo. Redimensionar valores. Afastei-me do que acreditei amar, por batalhas menores!
Adoeci na procura por melhores dias.
Fui convencido de que perdi e devo buscar novos caminhos.

sábado, 8 de dezembro de 2007

...Era madrugada quando vi que chegou. Senti seus passos firmes e silenciosos no carpete do quarto. Não fingi dormir, me mantive de olhos abertos para mostrar que estava acordado. Deitou calada e adormeceu...Senti naquele momento que tudo tinha acabado!

O SAMU come Casquinha


Nossa hoje como trabalhei! A cidade parecia estar louca.
Motoqueiros caindo por todos os cantos que se possa imaginar.
Calor infernal!
Colisão em postes, quedas de telhados, nos pontos de ônibus, nas vias publicas.
Dor no peito, fraqueza geral.
Náuseas, ânsia de vômitos, dor de cabeça intensa, perda da consciência. Toda a cidade parece doente.
Fui almoçar às 15h30min horas, sem tréguas.
Transito lerdo, engarrafamento, condutores desatentos, transeuntes ansiosos.
Vida de cidade grande em véspera de Natal e Ano Novo. Mas assim mesmo roubei um tempinho para comprar um sorvete de casquinha entre tanta loucura.



...Tenho compromisso à noite, jantar com amigos. Sinto-me cansado!Dor nas pernas, amargo na boca. Será que consigo o papo informal, descompromissado?...



... "Acho que o necessário vem assim, meio que urgente, no sobressalto de outras intenções, apresado, cruzando ruas, atravessando calçadas, pulando janelas e vindo até você sem fazer alardes!"...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Urgente...aviso !!!Leiam, é sério e muito importante!

* Recebi este e'mail , durante esta semana e achei da maior importância para alertar os desatentos que dirigem seus veículos pelas ruas de Porto Alegre!

No dia 6, uma amiga, dirigia seu carro na Av. Ipiranga (sempre anda com os vidros fechados e com a bolsa escondida embaixo do banco).
Em um sinal ela foi abordada por um
flanelinha, daqueles com um borrifador plástico (tipo Vidrex) e uma flanela nas mãos. Ao invés de já começar a limpar o vidro dianteiro, sem perguntar nada, como normalmente fazem, o rapaz (que aparentava ter uns 12/13 anos) veio tentar conversar.
Acenou dizendo que não tinha dinheiro com ela, e não deu muita atenção. O jovem começou a ficar nervoso, como se estivesse drogado, tentando fazer com que ela abrisse a janela.
Ela ficou assustada, mas fingiu que não era com ela. Esperou o sinal abrir e saíu normalmente com o carro. Pouco depois, percebeu que o rapaz havia borrifado aquela espuma na janela lateral.. Na hora não se preocupou.
Ao estacionar o carro, no pátio da firma, percebeu que o vidro estava sujo, desgastado em algumas partes.
O segurança da empresa perguntou se isto havia sido feito por algum menino de rua. Ele disse que ela teve sorte de estar com os vidros fechados, pois aquilo que o menino de rua havia jogado na
janela era ÁCIDO.
O segurança afirmou que sua cunhada,enfermeira do Hospital, já atendeu três casos, todos envolvendo mulheres que dirigiam sozinhas no carro.
Em um dos casos foi necessária uma cirurgia plástica reconstrutiva de parte do rosto.

Outro Caso:
Meu nome é
José Carlos Maia antos. Acabo de receber esta mensagem e quero endossar esta denúncia sobre esta nova modalidade de assalto.
Não são apenas as mulheres o alvo dos assaltantes. Eu mesmo fui vítima desse tipo de
assalto. No dia 24, por volta das 01h30min, retornava de um
aniversário nas proximidades do Shopping
Iguatemi. Em um sinal um garoto, portando um borrifador e uma esponja, abordou meu amigo,Guilherme, que estava a meulado e pediu cinco reais.
Guilherme
respondeu que não possuía os cinco reais, mas que procuraria uma moeda. Fez um movimento no banco para colocar a mão no bolso e virou o rosto para dentro do carro. Foi sua sorte. O garoto borrifou o líquido
na cabeça de Guilherme e saiu correndo. Em poucos segundos Guilherme começou a sentir uma queimação no pescoço.
Corremos para o Hospital. Lá fomos informados que se tratava de ácido muriático.
Após o atendimento, Guilherme (que terá de se submeter a uma cirurgia corretiva e poderia ter ficado cego) e eu fomos
fazer um boletim de ocorrência..
Na delegacia:
fomos informados que está aumentado este tipo de ocorrência. Soubemos, ainda que onze menores (meninos e meninas), entre12 e 15 anos, todos usuários de drogas, já foram identificados e encaminhados a
instituição de menores infratores. Soubemos que um desses menores,
quando abordado pelos policiais, reagiu, borrifando o ácido nos
mesmos.
Três dos policiais tiveram queimaduras graves nos braços e
peito.

SOLICITO QUE ESTAS MENSAGENS SEJAM REPASSADAS PARA O
MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS.
NÃO ABRA O VIDRO POR NADA!



Uma das capas mais bonitas que já vi neste ano. Não lembra sangue derramado sobre alguma superfície? Quem tiver a oportunidade ouça o cd de Vanessa Da Mata, não vai se arrepender!

Por falar nisto, comentei com algum colega, sobre a capa deste disco e ele me disse que: Achar bonito? Só poderia ter vindo de alguém que trabalha vendo sangue!

Qual o nome do perfume?


Sai para comprar um perfume que usava há muito tempo a traz, porem não lembrava o nome. Depois de experimentar varias fragrâncias, colocada na pele do meu braço pela vendedora, me confundi completamente e não identificava mais cheiro nenhum. Comprei um, chamado Biografia, atraído pelo seu nome. Por uns momentos até pensei fosse o que eu estava procurando. Dois dias depois, descobri que não gostara tanto do seu aroma por que era muito doce e sendo assim não podia ser o mesmo perfume. Fiquei irritado com a situação. Como podia não lembrar mais, aquele tinha sido meu perfume de tanto tempo e simplesmente tinha esquecido o seu nome? Existia uma identificação obvia entre nós!

Hoje retornei na perfumaria. Contei para a vendedora toda a minha confusa história e recebi um novo bombardeio de perfumes no meu braço. Sai novamente duvidoso. Talvez seja... Essencial o nome do perfume? ...Não sei!



Estamos ai vivendo sob o olhar atento do mundo, mantendo as regras para não sairmos da linha. Somos assim meio viciados neste clima de observação feroz da sociedade que dita normas e depois viram moda, leis. Vigiamo-nos e depois cobramos nossas atitudes, nossos sentimentos, nossos pensamentos mais secretos. Temos medo de ser-mos punidos pelo passo em falso que der-mos. De ser-mos devorado pela culpa de nossas más intenções. Acho que os loucos, são os que tentaram escapulir deste sistema, que fugiram de suas próprias vigilância e não se cobraram por seus pensamentos, aqueles, mais secretos...talvez mais torpes
Você acredita em boas más intenções?


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Quinquagésimo Terceiro



Entre tantos atendimentos que realizei trabalhando no SAMU, auxiliei no nascimento de 52 bebes entre partos domiciliares, em postos de saúde sem médico e dentro da ambulância. Dia 30 de novembro, não foi diferente. Recebi via radio a informação de que uma gestante estava em trabalho de parto, na sua casa, num dos becos próximo a Avenida Juca Batista. Quando chegamos la estava sentada em sua cama, gemente, com contrações intermitentes pernas abertas e os olhos esbugalhados e assustados. Depois de feito o protocolo, o médico nos informou via rádio que a levássemos ao centro obstétrico do Hospital Santa Casa, onde ela tinha estado um dia antes. Fizemos o deslocamento rápido e quando avistamos a portaria do hospital, as contrações eram incontáveis. Fomos recepcionados por um estagiário de medicina completamente perdido no tempo e no espaço que nos perguntou o que estava acontecendo com aquela paciente. Meu Deus, se não fosse pelo obvio de entrar numa emergência obstétrica eu teria dito deliberadamente que desconfiava de um calculo renal. Alertei-os educadamente para se agilizarem, caso contrario o bebe nasceria em cima da maca. Poucos instantes depois ouvi a gestante dizer entre gemidos que achava que estava nascendo o bebe, aparei-o em minhas mãos sob o olhar da equipe e a lembrança de que era o quinquagésimo terceiro que eu auxiliava a vir ao mundo.

Burro-cracias...

Parece que tudo tem burocracia a ser seguida neste mundo. È burocracia para fazer documentos, para comprar a casa própria, para operar a apendicite e ai se vai. A burocracia deve ser algum tipo de protocolo criado para assegurar direitos para uma parte e deveres pra outra. E por que não dizer, proteger quem esta por cima, das impossibilidades de quem está por baixo. Maldades a parte, mas neste jogo de regras e informações, papeis, senhas numeradas, alguém sofre o pênalti. Dia desses fui levar um paciente obeso para o andar do hospital da PUC e sai à cata de uma cadeira de rodas por que a da ambulância era muito estreita. Quando cheguei à recepção principal e vi um monte delas, informei a funcionaria que pegaria uma emprestada, então ela me disse que eu teria que pegar uma ficha de liberação da administração para poder usar a cadeira. Ontem ouvi pelo radio, o motorista de uma das equipes do SAMU pedir para a gerência entrar em contato com o Hospital Conceição por que as ambulâncias não tinham liberação para estacionarem no pátio do hospital. Deveriam largar os pacientes na sala de emergência e ficarem fazendo voltinhas até encontrarem uma vaga na rua ou serem liberadas pelo médico plantonista. Dá pra acreditar?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Tendencioso?

Será que sou tendencioso?

Quando me sinto pra baixo, mudo de grupo, de pessoas com quem me relaciono. Como se de repente procurasse gente que está disposta e aberta as minhas angustias e que está falando de coisas que estou a fim de falar e ouvir. Não sou do tipo chato que fica derramando meus problemas em cima das pessoas, mas às vezes é quase inevitável. Nem daqueles que rompe com antigos parceiros quando tenho problemas. Mas papo vai, papo vem... E logo encontro a possibilidade de pistas, de luz no fim do túnel, e de opiniões novas nestas pessoas que não vejo há algum tempo.
Quando tenho minhas angústias, anseio por coisas originais, por pessoas equilibradas e sensíveis que em apenas um gesto, um sorriso transformam o rotineiro numa possibilidade melhor.

Encontrei hoje durante o plantão a Lenita, pessoa muito especial para mim, por sua audácia e visão de vida. Por sua coragem ímpar diante de tantos fatos que a marcaram como mulher, esposa e mãe e que apesar de todas as dores já sofridas, continua bem humorada, perspicaz e terna.


domingo, 2 de dezembro de 2007

Encontro com Nei Lisboa

Quando ouço romance, musica de Nei Lisboa, sinto como se eu estivesse vivendo intensamente sua musica e letra. Suas canções me transportam para pequenos espaços vividos aqui em Porto Alegre com suas ruas e praças conhecidas. Com pessoas de sentimentos e emoções em comum.
Lembro também de uma noite quando Nei e eu nos cruzamos a o atravessar a avenida Osvaldo Aranha e nos cumprimentamos naturalmente como qualquer transeunte cúmplices das noites agitadas do bairro Bom Fim. Era tarde e eu estava indo para o bar Ocidente. Acho que ele estava vindo de lá.
Romance:
"Todas as bobagens que eu já disse Dariam pra encher um caminhão.
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder..."

sábado, 1 de dezembro de 2007

A Outra. filme de: woody Allen



Para escrever seu novo livro, uma intelectual de Nova York aluga um apartamento que tem como vizinho um consultório de psicanálise. Através do seu apartamento é possível ouvir as confissões dos pacientes, em especial de uma paciente grávida, fazendo intensificar nela uma crise existencial adormecida.
*Na minha opinião um dos melhores filmes de woody Allen que já assisti. Custei a lembrar do nome, por que tinha assistido a muito tempo. Mas coisas boas como esta é sempre bom indicar.

Título Original: Another Woman
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 80 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
1988
Estúdio: Jack Rollins & Charles H. Joffe Productions
Distribuição: Orion Pictures Corporation
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Produção: Robert Greenhut
Fotografia: Sven Nykvist
Desenho de Produção: Santo Loquasto
Direção de Arte: Speed Hopkins
Figurino: Jeffrey Kurland
Edição: Susan E. Morse



seta3.gif (99 bytes) Elenco
Gena Rowlands (Marion)
Mia Farrow (Hope)
Ian Holm (Ken)
Blythe Danner (Lydia)
Gene Hackman (Larry)
Betty Buckley (Kathy)
Martha Plimpton (Laura)
John Houseman (Pai de Marion)
Sandy Dennis (Claire)
Philip Bosco (Sam)
Harris Yulin (Paul)
Frances Conroy (Lynn)

Valéria...

Hoje meu colega de trabalho Vladmir, lembrou-me que faz seis meses da morte da Valeria, colega que foi assassinada brutalmente, quando chegava ao portão da base do SAMU, Belém Novo- Porto Alegre para trabalhar. Era uma mulher cheia de vitalidade, alegria de viver, e com planos novos para 2008. Parece que tudo aconteceu ontem, quando recebi a noticia por telefone.

***********************************************************


Hoje estou vazio, sem qualquer senso criativo para postar alguma coisa.
Trabalhei muito, comi pouco e fumei demais. Fez um dia muito quente hoje e suei o macacão.
Esqueci que iria ficar só durante a noite, quando voltasse para casa. Todos tinham compromissos marcados. Eu também. Trabalhei hoje, trabalho amanhã novamente e depois de amanhã.
Vou tomar uma cerveja bem gelada, talvez isso me relaxe. O sono é o melhor remédio quando se quer que as horas passem.
A noite está bonita. Céu estrelado. Nada de bom passando na tv.
Não quero falar com ninguém no MSN.
Tô sem saco para ler e'mails.
Vou tentar dormir, deve ser tarde, quem sabe amanhã melhoro.
Lembrei deste filme que postei aí em cima, é um pouco de mim, talvez de todos nós. Real, verdadeiro, atual.

pensando....

Estou me preparando para uma grande virada na minha vida. Na verdade não sei como se faz para dar esta grande virada, mas acredito que tenho de me cercar de pequenas coisas positivas para que eu não me afaste do rumo certo. Nestas horas de decisões devemos estar atentos a tudo e a todos. Buscar paz e serenidade para a escolha.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Faz parte

Quando saímos, normalmente não sabemos o que vamos encontrar e dai a adrenalina aumenta a ansiedade cresce junto com o ruido quase ensurdecedor da sirene. Algumas vezes faço um trabalho silencioso comigo mesmo, para baixar o facho e adquirir serenidade. Em algumas situações precisamos disto para confortar e também não ser-mos atingidos por sofrimentos alheios. Como ser humano que penso ser, devo dividir-me entre o profissional, amigo, pai de familia e o que a vida me exigir. A o contrario do que pensam, não tenho sangue frio, mas a plena conciencia de que alguém tem que fazer este trabalho.

Somente no papel

Gente, o que é isto?
Faz mais de 10 anos que trabalho no SAMU e nunca ouvi tantas reclamações dos usuários contra o serviço, como tenho ouvido nos últimos meses. Pensando bem, acho que sempre ouvi, só está aumentando a cada dia. As pessoas chegam a vir a onde se estou trabalhando (atendendo) e começam a reclamar. As queixas mais freqüentes são:

-Pedimos uma ambulância e não mandaram!

-Levaram mais de meia hora para chegarem!

-Aquela mocinha que atende ao telefone, só faltou me pedir carteira de identidade e CPF!

-Aquele médico que atendeu ao telefone parece um animal!

-liguei uma três vezes e eles batiam o telefone na minha cara, moço!

Nos hospitais, dito referencia, então: quando não nos ignoram completamente nos tratam como os piores inimigos. Humilham-nos na frente de familiares e pacientes e inventam todos os tipos de mecanismos burocráticos para dificultar o nosso serviço. A técnica mais comum é prender a maca, alegando que estão sem, quando se vê um monte delas estacionada pelos corredores. Outra resposta é a de que não tem vaga, que todos os leitos estão lotados, que deveríamos levar o paciente para outro lugar. Pergunto-me então sobre a tal portaria ministerial que tanto ouvimos falar no percurso árduo de nossas profissões que regulamenta nosso serviço e é clara sobre a aceitação de pacientes atendidos pelo SAMU mesmo com vaga zero.

Um dia destes fui tão mal recebido por uma profissional médica de um hospital de Porto Alegre que se eu não tivesse imbuído na minha responsabilidade profissional, teria abandonado o paciente ali mesmo e fugido pela porta de incêndio. Era um paciente acamado e que sentia muita dor. Mesmo clara para todos, que ali estavam presentes, a sua situação de enfermidade, ela perguntou se ele poderia aguardar consulta no corredor.

Respondi que não, pois ele sentia muita dor. Então com ar de pouco caso me respondeu que para nós do SAMU tudo era grave e mesmo sabendo dos problemas de superlotação dos hospitais nós insistíamos em jogar pacientes lá dentro. Depois se virou para o familiar que acompanhava-nos e concluiu com arrogância: -Viu como está isto aqui... Depois quando morrem a culpa é nossa!

Esta cena dramática é que me faz pensar na situação caótica, que vive nossos serviços de saúde. Com suas salas de emergência, sempre lotadas e com profissionais estressados e pouco preparados como este. Senti-me extremamente desconfortável por fazer parte do mesmo sistema que ela. Fui embora decepcionado com uma política de saúde que funciona e é respeitada somente no papel.



Telegrama de um Hospital Português

*Uma amiga me mandou por e'mail

Picuinhas

Tem dias que acordo com a sensação de que algo está errado. Digo isto, por que começo a procurar instintivamente respostas que muitas vezes não acho para me acalmar ou então me deixar ainda mais inquieto. Nestes momentos de pura comoção e irritabilidade, encontro manchas no teto, buraquinhos no reboco das paredes e sujeira no tapete do quarto.

Quando vou para o banheiro iniciar minha higiene pessoal, o gosto do creme dental tem sabor diferente, o sabonete outro aroma. Depois começo a contar os azulejos e procurar novas imperfeições. Tenho um método particular para isto: conto-os de quatro em quatro e depois confirmo minha contagem, multiplicando os da vertical pelos da horizontal, buscando assim o retângulo perfeito.

Às vezes, perco-me nos cálculos e reinicio a contagem.

Que saco! Sei que alguma coisa está errada com os objetos a o meu redor, na minha casa, no meu bairro, no meu banheiro.

Meu deus! Acho que sou do tipo que alimenta neuroses viscerais através de picuinhas sem a menor importância. Tento respirar fundo, me situar para diminuir a angustia, já que não sei a quem responsabilizar por tantos erros.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Odeio Supermercados


Enfrentar filas de bancos, pra mim é o fim do mundo. Supermercados então nem se fala, é como se me convidassem para dar uma voltinha no inferno para ver como está o tempo.
Não gosto do cheiro de supermercados, com aquela mistura de açúcar, sabonetes e carne defumada. E aquela gente toda atropelando meus calcanhares eu tenho vontade de esganar. Alguns ainda pedem desculpas, mas outros ignoram totalmente a agressão cometida e agem como se tivesse com plenos poderes de exterminar quem estiver pela frente. Será que se colocassem sinaleiras nos corredores resolveria o problema de engarrafamento? Sem falar nos funcionários que fazem a reposição nas prateleiras. Esses vêm com seus tratores de madeira e um edifício de mercadorias em cima, gritando aos quatro ventos: Dá licença .. Dá licença, me deixa passa ai senhor... Se não fosse pelo tom de voz eu diria até que são educados.
Mas o pior de tudo é fazer compras com mulher. Elas olham tudo, principalmente o que não vão comprar. Investigam preços, olham a quantidade e principalmente o prazo de validade. Nada contra, o problema é o tempo que levam na investigação. Depois olham pra gente com olhos laços e deferem a ultima facada com palavras doces e resignação:
-Eu sei que é um saco, mas alguém tem que fazer!
Crianças em supermercado é outro problema. Caem no chão, abrem mercadorias sob o olhar apatetado dos seus pais e ainda são habilitadas por eles a dirigirem carrinhos vazios, atropelando o que encontrarem pela frente.
A única coisa que falta e colocarem portas giratórias como nos bancos. Ai sim o inferno está completo!

Essa tal Felicidade



Quando as coisas começam a não dar certo na sua vida você fica atônito e logo se pergunta: Onde foi que eu errei?
Já passei por algumas situações e devo dizer que certos questionamentos só nos deixam mais infelizes e atrasam nosso processo de indução a outro estágio, quem sabe menos frustrante. Alguns questionamentos devem admitir que valham a pena para reformulação de valores e crescimento da alma. Mas outros sinceramente não crêem que valem tantos sacrifícios. Às vezes pensamos que somos felizes quando na realidade nos faltam tantas coisas para isto.
Ouvi pessoas dizerem que tinham sido felizes e não sabiam. Mas me pergunto pode-se ser feliz sem saber que somos? E se somos, como podemos abrir mão deste tesouro que tanto buscamos em nossas vidas? Será que vivemos sob nuvens contaminadas de sentimentos instáveis que depuram dia a dia nossa estabilidade emocional, nossa certeza do que realmente queremos para nós?
Às vezes tenho a sensação que não comandamos nossa própria vida, como não mandamos em nossos sentimentos. Que somos co-autores de nossa própria história. Como se alguém a escrevesse e fossemos só tampando os furos para satisfazer quem a assiste.
Planejamos tantas coisas, mas logo temos que alterar o curso em submissão a o que o dito destino oferece para os nossos dias. Lutamos tão pouco por nossos objetivos, abrimos tantas lacunas para a vida escrever o que bem entende sem nossa permissão consciente.
Bebemos água às vezes sem vontade, só por que temos que beber, casamos para sermos felizes, temos filhos para perpetuar esta felicidade, mas não nos perguntamos se é isto que queremos realmente. Flagelamo-nos em sentimentos que não queremos ter, e desejos que gostaríamos de experimentar sem ter que pagar tão alto preço por eles. Fragmentamo-nos sem obter respostas e sem a certeza de onde foi que erramos.


Soneto da separação

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Até um dia meu anjo)

Vinicius de Moraes.


'O homem moderno gosta de viver em grupo, mas parece não saber viver relacionamentos felizes, saudáveis, tendo-se em vista as grandes inovações tecnológicas que permitem a produção de bens de consumo em enorme quantidade o que estimula uma luta intensa e constante entre as pessoas em busca de possuir para ganhar status. A sociedade é impulsionada pela mentalidade do comprar e de que vida boa é a vida do consumo cada vez mais alienado das necessidades reais de cada pessoa.'

Marilda Rabelo Ribeiro do Valle1

Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guaxupé

No Limite da Realidade



Li esta semana na internet, entre tantas coisas que habitualmente leio, alguns textos curiosos. O que mais chamou a atenção foi um escrito por Susan Blackmore com o título de: No limite da realidade, onde ela fala sobre sonhos e seus mecanismos. Não vou me atrever a falar com vocês sobre os tópicos científicos que contém o texto, mas apenas pincelar algumas coisas que me chamaram a curiosidade. O tema central é o sonho e como sou um sonhador inveterado, este assunto aguçou meus vermes cerebrais.
Por exemplo, ela faz a seguinte colocação: Que em algum momento de nossas vidas nós aprendemos a controlar nossos sonhos.

Lembro de alguns momentos em que eu acordava no meio de um sonho agradável pela manhã e deliberadamente voltava a dormir para terminá-lo da maneira que mais desejava. Também já me ocorreu a experiência de perceber durante o sonho que estava sonhando, dando a sensação de estar no comando do sonho. Isso segundo ela, se chama sonho lúcido e que estamos realmente dormindo e sonhando, quando isso acontece. Estudos comprovam que algo em torno de 40% das pessoas informa ter tido essa experiência variando consideravelmente os sonhos ligados a vôo e quedas.
Outra experiência que já tive com sonhos, foi a sensação de que deixei meu próprio corpo, para viajar para outros lugares, as vezes desconhecidos, ou visitar algum amigo que não via a muito tempo. Isso descrito no texto chama-se projeção astral e acomete 15% das pessoas.
E quando você sonha que acordou quando na realidade ainda está dormindo? Você pode jurar que fez varias coisas quando na realidade não fez.
Numa manhã,pensei ter levantado da cama as 5:45 como sempre faço para me preparar para ir a o trabalho. Escovei os dentes, tomei meu banho, quando já ia colocar a água na cafeteira, percebi que ainda estava na cama e o relógio ainda não tinha despertado. Isto é o que Susan chama de falso despertar.
Em uma pesquisa paralela de 224 estudantes universitários de primeiro ano, ela descobriu que 83% afirmaram terem tido falso despertar.
Tive outra experiência com sonho: De repente eu notei que estava deitado em minha cama parcialmente acordado. Podia ouvir ruídos a minha volta como o do ar condicionado ligado. O barulho da água do chuveiro, enquanto meu filho tomava seu banho para ir a escola, mas não conseguia me movimentar na cama. Como se estivesse paralisados, sem forças em todos os músculos do corpo. Senti que quando tentei me esforçar para sair daquela situação ruim meu corpo parecia doer de uma forma diferente do que habitualmente é a dor. Entrei em pânico com a sensação absoluta de morte e que precisava fazer algo por mim. Tentei relaxar ainda em meu desespero e acho que consegui dormir, mesmo por alguns segundos e acordar em seguida.
No texto escrito por Susan ela descreve esse tipo de experiência que tive como Paralisia do sono, e que existe pouca pesquisa sobre ela. Há evidências de pessoas que sofrem de paralisia do sono são bem ajustadas psicológicamente, e não há nenhuma evidência de patologias ou doenças associadas a ela. Outro estudo realizado no Japão descobriu que 40% das pessoas alegavam tê-la experimentado. Nos experimentos de Susan, ela descreve ter descoberto que 34% das crianças e 46% dos adultos relataram tê-la experimentado.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O buraco é mais embaixo.


Dia desses, estava conversando com alguns colegas de trabalho e entre tantos assuntos pautados sobre risos e discordâncias da galera que só ouve e pouco se envolve, surgiu o assunto vencer na vida.

Alguém entre nós deve ter dito que fulano ou sicrano tinha vencido na vida por estar com um apartamento bem montado e desfilando de carro do ano, novinho em folha. Fiquei ouvindo aquelas baboseiras e contrabalanceando mentalmente sobre as diversidades de valores que cada indivíduo atribui a o seu ideal de bem estar e por que não arriscar dizer de felicidade.

Ora se estamos bem, afinal, estamos felizes!

Na verdade sabemos que não é bem assim, que tudo funciona. Que nossas cabeças são complexas e não funcionam da seguinte maneira:

Tenho isto, logo sou feliz!

Sou aquilo, logo estou realizado!

Talvez devêssemos fazer uma introspecção minuciosa de nossos valores reais para podermos quem sabe organizar uma lista do que precisamos para nos realizarmos. O que eu acho sinceramente que seria uma perda de tempo. Não acredito que nossas realizações sejam montadas por equações desta forma.

Será que algumas pessoas que moram em seus palácios luxuosos e que estão com seus dias contados pelo câncer estão realizadas?

O jovem play boy com seu Porsche estourando da loja não pensa em trocar seu carro usado a poucas semanas por outro mais fashion a fim de realizar seus sonhos?

O garanhão com suas tres amantes insacíaveis está satisfeito e não pensa em consquistar uma quarta que está lhe dando mole?

Sinto que o buraco é mais embaixo. Que os desejos de nossas realizações são interminaves.

Vencer na vida, chiii, mais ainda!

Peixe assado do Beto


01-peixe grande de qualquer tipo.
12-cervejas bem gelada para animar o assador.
E só esperar ele dizer: Tá pronto pessoal! enquanto a Cristina grita:
-Tu ta bebendo demais Beto!

trouxinhas de repolho. Hummm!


Tive um desejo louco a quase duas semanas atrás de comer trouxinhas de repolho com guisado.
Chegava a sonhar e dava água na boca, quando lembrava. Que situação!
Acho que dá tanto trabalho pra fazer que nem me atrevo tentar. Mas hoje fui salvo por um ser divino que me ofereceu uma porção, antes que eu enlouquecesse definitivamente. (Borba!)
Comprovadamente homens tem desejos mesmo não estando grávidos e não só de trouxinhas de repolho...mas de carinho de mãe.


  • Trouxinhas de repolho c/ guisado:
Cozinhe algumas folhas de repolho na agua com sal, até os caules ficarem moles.
A quantidade de folhas será igual a o numero de trouxinhas.
Reserve.
  • Recheio:
1kg de carne moida.
01- tomate sem casca.
01-cebola grande picada
1/2-pimentão picado
01-dente de alho picada
sal
pimenta a gosto
Frite e coloque o guisado dentro das folhas de repolho, formando as trouxinhas e firmando-as para não abrir c/ palitos de madeira.
  • Pulo do gato:
depois de montadas pode-se cobri-las c/ molho de sua preferencia ou frita-las passando na farinha de trigo ou ovos batidos em neve.

  • Contra indicação:
Quando fritas podem se tornar extremamente gordurosas e de calorias altissimas p/ quem está de dieta.
Apenas cozidas se tornam mais leves, porém ingeridas em grande quantidades provocam gazes. Que horror!

'Existem pessoas que voce tem tantas coisas para dizer a elas mas quando tenta... As palavras ensaidas na cabeça dominam de tal forma a sua emoção que se forma um bolo na sua garganta impedindo que voce prossiga. Colocam voce em nocaute. Borba, obrigado pelas coisa mais simples, pelos olhares sem palavras, pelo silencio as vezes necessario.

bilhete

'Meu caro amigo, estou te escrevendo por que faz muito tempo que não cruzo por ti, nas ruas da cidade, nos bares de pouco movimento onde costumavamos frequentar.
Me preocupo as vezes, que tenhas partido. Afinal, tantos ja foram sem mandar avisar.
Lembro de ti em grandes momentos de minha vida e tenho saudades por conta do tempo que jamais voltará. Não lembro teu telefone e o endereço acho que perdi.
Vou deixar este bilhete por aqui. Talves leias.

Voltar

Na hora da partida iniciamos os abraços e beijos para prosseguirmos a viagem. Aqueles dias tinham sido tão divertidos e acolhedores que dava vontade de ficar mais um pouco. Um pouquinho só.
A casa era apertada, janelas emperradas, mas nada disto nos incomodava. Tínhamos uns aos outros, no jogo de futebol de areia, no passeio a noite pela cidade para comer sorvete, na cesta sobre a grama depois do almoço.
Sabíamos que só se eterniza momentos bons como este, quando temos que partir para depois lembrar com sorriso e nó na garganta.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

expressão

'Sei exatamente o que queres, quando finges não me ver
Tua boca apertada denuncia o que não queres revelar
É pesado eu sei as lembranças que tens que carregar
Siga teu caminho em passos largos para apagar...
A vida ha de te presentear um sonho novo para amar.

O segredo de não envelhecer

Encontrei certa vez no corredor do super mercado um senhor que fazia caretas. Apesar destas expressões que surpreendia a cada cliente que passava e fingiam ignorá-lo, não pude deixar de perceber que era um homem velho e de físico atlético. Bem vestido em sua bermuda de algodão clara, camisa pólo e tênis sem meias. Aproximou-se de mim e perguntou ainda enrugando o rosto ao mesmo tempo em que ensaiava um sorriso cordial.
-O senhor arriscaria a me dizer que idade eu tenho?
-Nem imagino! -respondi surpreso
-92 anos. Completei no mês passado!
-Legal, vejo que está em forma!-completei debruçando-me sobre o carrinho de compras e constatando que aparentava menos idade que informava ter
-Tenho um segredo que vou lhe revelar!-disse-me decidido
-Faço caretas! Todas as formas de caretas e caminho bastante. Isto é o melhor remédio para não envelhecer!
Depois deu as costas e desapareceu no fim do corredor.

'Conheci este senhor uma noite, quando estávamos no super mercado Carrefour, eu e minha mulher fazendo compras, Ele nos surpreendeu por sua vitalidade e alegria.

Bilhete para Jacqueline


Hoje encontrei em cima da minha mesa, onde acomodo meu notebook, um cartão de visitas de uma loja de presentes personalizados, chamada "toque de anjos". Isso me reportou para outra situação. Lembrei que estive com a Jacque hoje a tarde tomando café e conversamos sobre tantas coisas que habitualmente falamos e notei particularidades em seu olhar. Quero dizer que ela sempre teve uma postura delicada para expor suas idéias, imprimir suas expressões, mas hoje foi diferente. Tinha o olhar brilhante de quem ama, a voz macia de quem tem certezas e a expressão serena e transparente de quem ganha um presente merecido. Presente que vida lhe devia faz algum tempo, personalizado, tipo toque de anjos.

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